Tecnologia integrada com câmeras, radares e áudio reduz alarmes falsos, reforça proteção de infraestrutura crítica e amplia eficiência ambiental da UFF Araucária
A maior usina solar flutuante em operação no Brasil acaba de elevar significativamente seus padrões de segurança, eficiência operacional e gestão ambiental. A Usina Solar Flutuante Araucária (UFF Araucária), instalada no interior de São Paulo e projetada para atender mais de 60 mil residências, concluiu a implantação de um sistema avançado de videomonitoramento que integra câmeras, radares e áudio em rede. A solução, desenvolvida pela Axis Communications em parceria com Aeon Security, Magos Systems e KWP Energia Sunlution, responde a desafios típicos de plataformas fotovoltaicas flutuantes, um segmento que cresce rapidamente no país.
Com investimento total de US$ 87,7 milhões, a usina opera com cerca de 10.500 painéis solares instalados sobre o espelho d’água do reservatório. O movimento constante das plataformas, as condições climáticas adversas e a necessidade de proteger cabines, inversores e estruturas submersas tornam indispensável a adoção de tecnologias robustas para proteção de ativos e continuidade operacional.
Solução multimodal aumenta precisão e reduz alarmes falsos
Para reforçar a segurança perimetral e o monitoramento da plataforma, o projeto integrou câmeras bullet da Axis, câmeras PTZ da série AXIS Q62, radares Magos e alto-falantes IP conectados à plataforma Security Monitor®, operada pela Aeon Security. Esse ecossistema permite identificar anomalias com maior precisão, diferenciar comportamentos suspeitos de interferências ambientais e disparar mensagens de áudio para dissuadir possíveis intrusos.
De acordo com a KWP Energia Sunlution, a eficiência do sistema superou expectativas. O diretor de operações da empresa, Anderson Jucá, explica que a integração entre sensores de natureza distinta foi decisiva para evitar gatilhos desnecessários.
“A integração entre o radar Magos e as câmeras PTZ da Axis garantiu maior precisão operacional. Calibramos a solução para diferenciar entre aves e pessoas, o que reduziu os alarmes falsos e aumentou a precisão do monitoramento.”
Além da proteção física do ativo, a solução viabiliza respostas rápidas em situações específicas na plataforma, como movimentação atípica de embarcações ou aproximação de terceiros em áreas restritas, risco que aumenta em reservatórios utilizados também para lazer e atividades recreativas.
Videomonitoramento evolui de segurança para ferramenta operacional e ambiental
Com um ano e meio de operação, o sistema deixou de ser apenas um dispositivo de segurança e passou a integrar rotinas de gestão da usina. As câmeras permitem acompanhar o deslocamento de técnicos nas cabines e sobre o lago, identificar pontos de acúmulo de excrementos de aves e monitorar sinais precoces de alterações ambientais que possam afetar a fauna ou comprometer a eficiência dos módulos.
Esse tipo de controle contínuo reduz custos de manutenção, melhora prazos de resposta e potencializa ações preventivas, fatores essenciais para empreendimentos solares flutuantes, que demandam cuidados específicos de limpeza, atracação e estabilidade estrutural.
Com essa evolução natural da aplicação, Jucá destaca que o sistema assumiu um papel mais estratégico na rotina da usina. “Inicialmente, o foco era a proteção do patrimônio. Hoje, as câmeras da Axis desempenham um papel mais amplo e importante na gestão operacional da UFF Araucária.”
Esse uso ampliado reforça uma tendência observada em grandes plantas solares: a integração de sensores inteligentes e analytics como componentes centrais de produtividade.
Crescimento da energia solar flutuante no Brasil e planos de expansão
A adoção de tecnologias de automação e segurança reforça o potencial da energia solar flutuante no país. Atualmente, o Brasil soma aproximadamente 42 MWp instalados nessa modalidade, com expectativas de alcançar 1,5 GW até 2028, impulsionado pela competitividade, redução de perdas térmicas e utilização de reservatórios já existentes.
A UFF Araucária possui planos ambiciosos para expansão, visando ampliar a capacidade instalada para 120 MW. A estratégia inclui operação híbrida com a geração hidrelétrica, modelo que tende a otimizar o despacho energético e estabilizar o nível do reservatório, além de maximizar fatores de capacidade.
Para a empresa responsável pelo empreendimento, a confiabilidade do novo sistema é determinante para essa nova etapa. Em sua avaliação, Anderson Jucá reforça o impacto estrutural do projeto. “Este projeto nos dá a confiança de que as próximas etapas, incluindo as ilhas mais distantes, serão realizadas com um sistema que funciona de forma segura e eficiente. Sabemos que podemos dormir tranquilos, com a certeza de que a tecnologia funciona.”
Tecnologia como pilar para infraestruturas críticas
A implementação da solução demonstra que usinas solares flutuantes demandam padrões de segurança e automação equivalentes aos de ativos estratégicos de geração. A integração de câmeras inteligentes, radares e analytics reforça a maturidade tecnológica do segmento e abre caminhos para expansão de projetos híbridos e flutuantes em outras regiões do país.
Com maior confiabilidade operacional, monitoramento ambiental em tempo real e redução significativa de alarmes falsos, a UFF Araucária se posiciona como referência nacional em gestão inteligente de ativos solares flutuantes, um setor que deve ganhar relevância à medida que concessionárias e geradoras buscam novos modelos para aumentar eficiência, reduzir impacto ambiental e melhorar o uso de reservatórios.



