Cemig D capta R$ 2,5 bilhões em debêntures sustentáveis para financiar projeto prioritário de infraestrutura

Emissão segue critérios ESG, utiliza Lei 12.431, recebe rating ‘AAA.br’ da Moody’s e fortalece estratégia de modernização da rede de distribuição

A Cemig Distribuição (Cemig D) concluiu, em 18 de novembro de 2025, a liquidação financeira de sua 14ª emissão de debêntures, consolidando mais uma operação relevante no mercado de dívida corporativa do setor elétrico. Destinados a financiar um projeto prioritário de infraestrutura, os títulos sustentáveis levantaram R$ 2,5 bilhões e reforçam a estratégia da distribuidora de ampliar sua capacidade de investimento em modernização, digitalização e qualidade do serviço prestado aos consumidores.

Com duas séries indexadas ao IPCA, prazos longos e amortizações escalonadas, a operação destaca a adoção de instrumentos financeiros alinhados às melhores práticas ESG e ao arcabouço regulatório que incentiva o financiamento privado de infraestrutura no Brasil. Além disso, recebeu o rating máximo ‘AAA.br’ da Moody’s, o que reforça a percepção de solidez da companhia e deve ampliar o apetite de investidores em futuras emissões.

Estrutura da operação reforça previsibilidade financeira

A emissão totalizou 2.500.000 debêntures simples, não conversíveis em ações, acompanhadas de garantia fidejussória da controladora Cemig. O desenho da operação segue o padrão de emissões estruturadas para projetos de infraestrutura, combinando indexação ao IPCA e um cronograma de amortização de longo prazo, que proporciona previsibilidade para o emissor e atratividade para o investidor de perfil institucional.

- Advertisement -
1ª série
  • Quantidade: 2.000.000 debêntures
  • Valor: R$ 2 bilhões
  • Remuneração: IPCA + 6,7878% a.a.
  • Prazo: 4.383 dias
  • Amortização: 120º, 132º e 144º meses
2ª série
  • Quantidade: 500.000 debêntures
  • Valor: R$ 500 milhões
  • Remuneração: IPCA + 6,6504% a.a.
  • Prazo: 5.479 dias
  • Amortização: 156º, 168º e 180º meses

A estrutura é considerada uma das mais relevantes do ano entre distribuidoras, tanto pelo volume expressivo quanto pela indexação híbrida e foco exclusivo em um projeto classificado como prioritário pelo governo federal.

Recursos destinados a projeto prioritário pela Lei 12.431

Um dos pilares da emissão é sua elegibilidade como título sustentável (ESG), conforme o framework da Cemig. Os recursos captados serão direcionados à quitação de gastos, despesas e dívidas relativos à implantação de um projeto enquadrado como prioritário pela Lei nº 12.431/2011, marco legal que estimula o financiamento privado de infraestrutura por meio de debêntures incentivadas.

A classificação reforça o alinhamento da Cemig a projetos que modernizam a rede, ampliam a automação, reforçam a capacidade de atendimento e contribuem para a melhoria dos indicadores de continuidade (DEC e FEC). Em grandes distribuidoras, esse conjunto de investimentos é essencial para acompanhar o crescimento da demanda, integrar a geração distribuída e suportar a expansão da eletrificação de processos industriais e comerciais.

Rating ‘AAA.br’ da Moody’s amplia credibilidade da emissão

A operação obteve classificação ‘AAA.br’, nota máxima na escala nacional, pela Moody’s. A classificação reforça a solidez operacional e financeira da Cemig D e melhora a percepção de risco para investidores. Entre os fatores que contribuíram para o rating, a agência destacou:

- Advertisement -
  • robustez da capacidade de pagamento da distribuidora;
  • estrutura de garantias da emissão;
  • estabilidade regulatória do segmento de distribuição;
  • governança e transparência associadas a operações ESG.

A nota fortalece a inserção da Cemig no mercado de capitais e tende a criar condições mais favoráveis para futuras emissões, sobretudo em um cenário de maior demanda por títulos alinhados à sustentabilidade.

Setor elétrico vive expansão do mercado de dívidas sustentáveis

Nos últimos anos, o setor elétrico brasileiro tem observado crescimento significativo na emissão de títulos verdes e sustentáveis (ESG). A tendência é impulsionada pela necessidade de investimentos contínuos em digitalização, gestão de perdas, automação e qualidade de fornecimento. Investidores institucionais, por sua vez, têm priorizado papéis com propósito ambiental, governança robusta e transparência no uso dos recursos.

A operação da Cemig D se destaca em 2025 pelo volume elevado e pelo foco em um projeto enquadrado como prioritário, combinação considerada estratégica para ampliar investimentos e modernizar a infraestrutura elétrica em Minas Gerais.

Estratégia financeira robusta e foco em projetos de longo prazo

Ao concluir sua 14ª emissão, a Cemig reforça sua política de alongamento de perfil da dívida, redução de passivos onerosos e captação por meio de instrumentos estáveis e alinhados à transição energética. Como uma das maiores distribuidoras do país, a companhia depende de financiamentos recorrentes para sustentar:

  • expansão da rede de distribuição;
  • reforços e melhorias estruturais;
  • redução de DEC e FEC;
  • atendimento ao crescimento da carga;
  • suporte à eletrificação da economia.

Em nota, a Cemig destacou que o comunicado referente à emissão tem caráter exclusivamente informativo e não constitui oferta pública.

Destaques da Semana

Petrobras define indicações para Conselhos de Administração e Fiscal de 2026

Governo propõe recondução de Magda Chambriard e Bruno Moretti...

Eficiência e Consolidação: O Novo Horizonte do Financiamento de Renováveis na América Latina

Em entrevista exclusiva, José Prado, sócio do Machado Meyer,...

Enel SP contesta processo de caducidade na ANEEL, aponta “vácuo normativo” e pede arquivamento

Distribuidora rebate Nota Técnica nº 9/2026-SFT, questiona uso de...

Artigos

Últimas Notícias