Lula defende protagonismo dos países em desenvolvimento na cadeia global dos minerais críticos e propõe plano mundial para o fim dos combustíveis fósseis

Durante a COP30, em Belém, o presidente destacou que a transição energética justa exige participação plena das nações emergentes em todas as etapas da produção de minerais essenciais, como lítio, níquel e cobre, além de propor um “mapa do caminho” global para eliminar os combustíveis fósseis e erradicar a pobreza energética

Durante a sessão temática sobre Transição Energética na COP30, realizada em Belém (PA), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a importância de garantir aos países em desenvolvimento uma posição estratégica na cadeia de valor dos minerais críticos, insumos fundamentais para a produção de baterias, painéis solares e sistemas de energia limpa.

Lula enfatizou que a transição para uma economia descarbonizada não pode reproduzir desigualdades históricas, nas quais as nações industrializadas concentram tecnologia, valor agregado e empregos, enquanto os países produtores ficam restritos à exportação de matérias-primas.

“Para gerar emprego e renda e alcançar segurança energética, os países em desenvolvimento precisam participar de todas as etapas dessa cadeia global de valor”, afirmou Lula.

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A declaração ocorre em um contexto de intensa disputa geopolítica em torno dos minerais estratégicos. Elementos como lítio, níquel, cobalto e terras-raras são considerados pilares da nova economia verde, e a demanda global por esses recursos deve crescer exponencialmente até 2040, impulsionada pela eletrificação da frota automotiva e pela expansão da energia solar e eólica.

Brasil busca protagonismo na nova economia dos minerais críticos

Com vastas reservas desses recursos e expertise acumulada em mineração sustentável, o Brasil se posiciona como potencial líder na construção de cadeias produtivas de alto valor agregado no setor. O país busca atrair investimentos não apenas para a extração, mas também para processamento, manufatura e desenvolvimento tecnológico, conectando a transição energética à geração de emprego qualificado e à redução das desigualdades regionais.

Especialistas apontam que essa abordagem é estratégica para fortalecer a soberania energética e evitar dependência de insumos importados em setores-chave como armazenamento de energia e mobilidade elétrica.

Além disso, a proposta reforça a importância da integração regional na América Latina, especialmente com os países do chamado “triângulo do lítio” (Bolívia, Chile e Argentina), para construção de uma cadeia produtiva compartilhada e competitiva no cenário global.

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Um “mapa do caminho” para eliminar os combustíveis fósseis

Na mesma sessão, Lula defendeu que o mundo precisa de um plano global estruturado para reduzir progressivamente a dependência dos combustíveis fósseis e acelerar a diversificação das matrizes energéticas. Segundo o presidente, a transição deve ser conduzida de forma justa, equilibrando metas ambientais com desenvolvimento social.

“O mundo precisa de um plano claro para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, diversificar a matriz energética e ampliar o uso de fontes renováveis”, afirmou Lula.

Ele destacou três compromissos fundamentais para orientar a ação global:

  1. Implementar o Acordo de Dubai até 2030, com a meta de triplicar a capacidade instalada de energias renováveis e dobrar a eficiência energética;
  2. Colocar a eliminação da pobreza energética no centro do debate climático, garantindo acesso universal à eletricidade limpa e acessível;
  3. Aderir ao Compromisso de Belém, que prevê quadruplicar o uso de combustíveis sustentáveis até 2035.

Esses objetivos, segundo o governo brasileiro, representam um esforço coletivo que alia responsabilidade ambiental, inclusão social e inovação tecnológica.

COP30 reforça papel do Brasil como articulador global da transição energética

A fala de Lula na COP30 reforça o papel do Brasil como liderança diplomática e ambiental na articulação de políticas globais de mitigação climática. A conferência, sediada em Belém, simboliza não apenas a centralidade da Amazônia no debate climático, mas também a busca por um modelo de desenvolvimento que integre conservação e economia verde.

A estratégia brasileira aposta em instrumentos como o Fundo Amazônia, o Programa Arco da Restauração e parcerias internacionais voltadas à bioeconomia e inovação em energia limpa. Dentro desse contexto, o fortalecimento da indústria nacional de minerais críticos se consolida como pilar essencial para sustentar uma transição energética justa, soberana e inclusiva.

Descarbonização com inclusão: o desafio da década

A defesa de Lula por um “mapa do caminho” para o fim dos combustíveis fósseis vai além da dimensão ambiental, é também um chamado à reorganização das cadeias globais de produção. O Brasil propõe que a descarbonização não seja apenas uma meta climática, mas uma oportunidade de redistribuição de riqueza e conhecimento.

Em um cenário de alta competitividade tecnológica e tensões geopolíticas, o discurso brasileiro busca consolidar a visão de que não há transição energética sem justiça social, nem futuro sustentável sem a inclusão dos países que abrigam os principais recursos naturais do planeta.

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