Apagão de 14 de outubro: ONS e MME definem plano de resposta e prometem relatório completo em 30 dias

Incêndio em reator de linha de transmissão da Eletrobras provocou desligamento de 9.700 MW e interrupções controladas em várias regiões do país. ONS afirma que a ocorrência foi isolada e o Sistema Interligado Nacional respondeu de forma robusta

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e o Ministério de Minas e Energia (MME) se reuniram nesta terça-feira, 14 de outubro, para discutir as medidas a serem tomadas após a interrupção temporária de carga que atingiu parte do Sistema Interligado Nacional (SIN) na madrugada do mesmo dia.

O encontro contou com a presença do diretor-geral do ONS, Marcio Rea, de toda a diretoria do Operador e do ministro Alexandre Silveira, que reforçaram a importância da investigação técnica e da transparência no processo.

Segundo o ONS, o Relatório de Análise da Perturbação (RAP) será iniciado na sexta-feira, 17 de outubro, e deverá ser concluído em até 30 dias. O documento reunirá contribuições dos agentes do setor elétrico envolvidos no evento e apontará as causas detalhadas, medidas corretivas e recomendações operacionais.

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Incêndio em reator provocou desligamento de 12% da carga nacional

De acordo com o Operador, a ocorrência teve início com um incêndio no reator do circuito 2 da linha de 500 kV Ibiúna–Bateias, de propriedade da Eletrobras. O incidente levou ao desligamento da subestação Bateias, no Paraná, e à consequente suspensão de cerca de 9.700 MW de carga, o equivalente a 12% da carga de energia do país naquele momento.

Os estados mais afetados foram São Paulo (2.600 MW), Minas Gerais (1.200 MW), Rio de Janeiro (900 MW) e Paraná (900 MW). O ONS destacou que o episódio foi um fato isolado, com resposta rápida e eficiente da equipe técnica.

“O ONS prontamente restabeleceu o sistema, o que demonstra a robustez do SIN. O que aconteceu foi uma interrupção de carga controlada, ocasionada por um caso fortuito, ou seja, um incêndio em um equipamento. Isso pode ocorrer em qualquer infraestrutura de qualquer país do mundo”, declarou Marcio Rea, diretor-geral do ONS.

Cronologia técnica da ocorrência

O Operador detalhou, em relatório preliminar, a sequência de eventos que levaram à interrupção temporária do fornecimento:

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  • 00h32: incêndio no reator do circuito 2 da linha de transmissão em 500 kV Ibiúna–Bateias (Eletrobras).
  • O incêndio causou o desligamento total do setor de 525 kV e parcial do setor de 230 kV da subestação Bateias, operada pela Copel.
  • A falha provocou a desconexão da interligação entre as regiões Sul e Sudeste/Centro-Oeste.
  • No momento da ocorrência, a Região Sul exportava cerca de 5.000 MW para o Sudeste/Centro-Oeste.
  • Com a desconexão, o restante do sistema deixou de receber a energia da Região Sul e da UHE Itaipu (60 Hz), causando desequilíbrio entre oferta e demanda.
  • O Esquema Regional de Alívio de Carga (ERAC) entrou em ação automaticamente, equilibrando geração e carga para evitar danos maiores.

Com a atuação do ERAC, houve interrupções de 1.423 MW no Nordeste, 2.290 MW no Norte e 4.257 MW no Sudeste/Centro-Oeste. Na Região Sul, a perda de carga foi de 1.776 MW. O restabelecimento total do sistema ocorreu até às 02h15, com o retorno integral das cargas em todas as regiões, Sul, Sudeste/Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

Sistema respondeu dentro dos padrões de segurança, diz ONS

O ONS reforçou que a atuação do ERAC, sistema automatizado de proteção que realiza cortes seletivos de carga para manter o equilíbrio energético, funcionou dentro dos parâmetros técnicos esperados, preservando a integridade do SIN e evitando uma interrupção de maiores proporções.

O episódio é considerado um evento fortuito, sem relação com falhas estruturais, e será analisado com profundidade técnica no Relatório de Análise da Perturbação.

A conclusão do RAP deve subsidiar ações preventivas e recomendações operacionais para reforçar a resiliência do sistema elétrico nacional, especialmente em um contexto de maior demanda e integração entre regiões.

Próximos passos: RAP e aprimoramento da resiliência do SIN

O relatório do ONS, com previsão de entrega em novembro, deve apontar melhorias operacionais, investimentos prioritários e possíveis ajustes em protocolos de contingência. A expectativa é que o documento contribua para o fortalecimento da segurança sistêmica e para o debate sobre resiliência da infraestrutura elétrica no Brasil.

A reunião entre o MME e o ONS também reforçou a importância da cooperação entre agentes públicos e privados na prevenção de ocorrências e no aprimoramento das redes de transmissão, essenciais para sustentar o crescimento da demanda e a expansão das fontes renováveis no país.

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