Instalada na Câmara dos Deputados, a mostra integra o Nuclear Legacy 2025 e busca aproximar a sociedade brasileira das múltiplas aplicações e benefícios da energia nuclear para o desenvolvimento sustentável, a inovação e a soberania nacional
A energia nuclear volta aos holofotes em Brasília. No próximo dia 21 de outubro de 2025, o Parlamento brasileiro será palco da exposição “História da Energia Nuclear no Brasil e no Mundo”, instalada no Corredor Tereza de Benguela, na Câmara dos Deputados. A iniciativa é promovida pela Frente Parlamentar Mista de Tecnologia e Atividades Nucleares (FPN), em parceria com a Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN), e faz parte da programação oficial do Nuclear Legacy 2025, o maior evento do setor no país.
A abertura oficial da mostra acontecerá logo após a Sessão Solene do Dia da Energia Nuclear no Parlamento, marcada para as 9h no Plenário Ulysses Guimarães. A exposição trará uma linha do tempo interativa, destacando os principais avanços da tecnologia nuclear desde suas origens até os dias atuais, incluindo sua aplicação em energia, saúde, agricultura, meio ambiente e defesa nacional.
Energia nuclear além das usinas: tecnologia a serviço da vida
O objetivo da exposição é desmistificar o uso da energia nuclear e evidenciar seus benefícios para a sociedade. Segundo Celso Cunha, presidente da ABDAN, a ação busca aproximar o setor nuclear do cidadão comum, mostrando sua presença cotidiana em diferentes áreas.
“Queremos mostrar que a energia nuclear vai muito além de usinas e reatores. Ela está presente na vida cotidiana dos brasileiros, em exames médicos, na conservação de alimentos, no agronegócio e, principalmente, na construção de um futuro energético limpo e seguro. Essa exposição é uma oportunidade de derrubar mitos e ampliar o diálogo com a população”, afirmou Cunha.
O presidente da ABDAN destaca que o uso pacífico da energia nuclear é uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento sustentável e a transição energética, contribuindo para a diversificação da matriz elétrica e a redução das emissões de carbono, metas fundamentais para o Brasil cumprir seus compromissos climáticos internacionais.
Um gesto político em defesa da inovação e da soberania energética
Para Júlio Lopes, deputado federal e presidente da Frente Parlamentar Nuclear, o evento no Parlamento é mais do que uma ação simbólica, é um movimento político que busca recolocar o tema nuclear no centro das discussões sobre o futuro energético do país.
“Trazer essa exposição para a Câmara dos Deputados é também um gesto político. Estamos colocando o setor nuclear em evidência no coração da democracia brasileira, reforçando que ele deve ter espaço central nas discussões sobre soberania, desenvolvimento e transição energética”, afirmou o parlamentar.
A fala de Lopes reforça a importância de construir uma agenda pública sobre o uso responsável da energia nuclear, reconhecendo seu potencial estratégico não apenas para a geração de eletricidade, mas também para a inovação tecnológica e a segurança nacional.
Programação paralela e interação com o público
Durante o dia 21, o estande da Frente Parlamentar sediará atividades interativas voltadas a parlamentares, imprensa e visitantes. O objetivo é estimular o diálogo entre o setor nuclear e a sociedade civil, destacando o papel da tecnologia no enfrentamento das mudanças climáticas e na promoção do desenvolvimento sustentável.
Essas ações fazem parte de um esforço mais amplo de comunicação institucional e educação científica, alinhado às diretrizes do Nuclear Legacy 2025, que acontece nos dias 20 e 21 de outubro, no Clube Naval de Brasília. O evento reunirá mais de 250 lideranças políticas, especialistas, autoridades e representantes do setor nuclear brasileiro, promovendo debates sobre inovação, segurança energética e regulação.
Energia nuclear e o futuro da transição energética
A exposição e o Nuclear Legacy 2025 acontecem em um momento decisivo para o debate sobre o papel da energia nuclear na transição energética global. O tema tem ganhado força nos fóruns internacionais diante da necessidade de reduzir emissões sem comprometer a estabilidade dos sistemas elétricos.
No Brasil, o Programa Nuclear Brasileiro (PNB) e o avanço de projetos como Angra 3 voltam a colocar o país no mapa dos investimentos em tecnologia nuclear, com foco em autonomia tecnológica, diversificação da matriz energética e soberania científica.
A iniciativa da ABDAN e da FPN, portanto, não se limita a uma celebração histórica, trata-se de um marco institucional que reafirma o papel do Parlamento na construção de uma política energética moderna, limpa e sustentável.



