Consumidores residenciais do Espírito Santo terão acréscimo de 15,42% na conta de luz; indústrias serão as mais impactadas, com alta de 22,48%.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou, nesta terça-feira (16), o Reajuste Tarifário Anual da Empresa Luz e Força Santa Maria S.A. (ELFSM), distribuidora que atende cerca de 128 mil unidades consumidoras em Colatina (ES) e região. Os novos valores passam a valer a partir da próxima segunda-feira (22).
O aumento, que reflete a atualização de custos de compra, transporte e encargos do setor elétrico, terá impacto diferenciado para cada classe de consumo. Para os consumidores residenciais, a tarifa sofrerá um reajuste de 15,42%. Já para clientes de baixa tensão, como pequenos comércios e serviços, a média de aumento será de 15,97%. No caso da alta tensão, que engloba principalmente indústrias, o reajuste médio será de 22,48%. No consolidado, o efeito médio sobre o consumidor será de 16,83%.
Principais fatores que justificam o aumento
De acordo com a Aneel, a variação é explicada por três componentes principais:
- Encargos setoriais – com destaque para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo que custeia subsídios a consumidores e políticas públicas do setor.
- Custos de transporte e compra de energia – que refletem contratos de fornecimento e a operação do sistema elétrico nacional.
- Ajustes financeiros – referentes à retirada de valores compensatórios aplicados no reajuste anterior e à inclusão de novos componentes no cálculo de 2025.
Em comunicado, a agência destacou que os reajustes seguem metodologia regulatória e buscam equilibrar o repasse de custos para consumidores e a sustentabilidade financeira da distribuidora.
Impactos para os consumidores
O novo reajuste afeta diretamente o orçamento das famílias capixabas, especialmente em um contexto de alta do custo de vida. Para muitos, a conta de luz representa uma parcela significativa das despesas mensais.
Segundo a Aneel, a revisão é inevitável para garantir a continuidade e a qualidade do fornecimento. “Os custos que compõem a tarifa refletem obrigações do setor elétrico e contratos firmados de longo prazo. Nosso papel é assegurar que esses valores sejam repassados de forma transparente e justa, preservando a sustentabilidade das distribuidoras e o equilíbrio para os consumidores”, informou a diretoria da agência.
No caso do setor produtivo, especialmente as indústrias atendidas em alta tensão, o impacto é ainda maior. A elevação de 22,48% pode pressionar custos de produção e competitividade, refletindo em cadeias econômicas importantes para o Espírito Santo.
Um representante do setor industrial local comentou que os aumentos sucessivos de tarifas afetam diretamente a competitividade: “O reajuste desta magnitude traz desafios adicionais para as indústrias, que já enfrentam custos elevados com logística e insumos. É preciso avançar em medidas estruturais para reduzir o peso da energia no Brasil”, afirmou.
Contexto do setor elétrico
A Aneel tem destacado a importância das tarifas horárias e sazonais para refletir os custos reais da operação do sistema, incentivando um consumo mais eficiente. No entanto, enquanto essa mudança não se consolida em todas as regiões, os reajustes anuais continuam sendo a principal ferramenta de adequação das receitas das distribuidoras.
A ELFSM é responsável pelo fornecimento em uma área estratégica do Espírito Santo e depende de tarifas compatíveis para manter os investimentos em expansão, modernização e confiabilidade do sistema. Ainda assim, especialistas defendem a necessidade de políticas públicas que mitiguem o impacto das tarifas no bolso do consumidor final.
“O setor elétrico brasileiro precisa buscar soluções de longo prazo, como diversificação da matriz, expansão da geração renovável e maior eficiência no uso da energia. Sem isso, continuaremos enfrentando reajustes pesados que afetam famílias e empresas”, avaliou especialista ouvido pela reportagem.
Reajuste tarifário em números – ELFSM (2025)
- Residenciais (B1): +15,42%
- Baixa Tensão (média): +15,97%
- Alta Tensão (indústrias): +22,48%
- Efeito médio total: +16,83%
Os novos valores entram em vigor no dia 22 de setembro de 2025.



