Câmara adia votação da MP da tarifa social de energia e amplia incertezas sobre gratuidade da conta de luz

Medida Provisória 1.300/2025 precisa ser aprovada até 17 de setembro no Congresso para garantir gratuidade de até 80 kWh por mês às famílias de baixa renda

A votação da Medida Provisória 1.300/2025, que amplia a Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE), foi adiada pela Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 10 de setembro de 2025. A proposta garante gratuidade no consumo de até 80 kWh por mês para famílias de baixa renda, mas depende de aprovação no Congresso até 17 de setembro para não perder validade.

O anúncio do adiamento foi feito pelo 2º secretário da Câmara, deputado Lula da Fonte (PP-PE), que presidiu a sessão no lugar do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Segundo ele, os parlamentares decidiram priorizar a votação do projeto que cria a Fundação Caixa, vinculada à Caixa Econômica Federal.

Medida provisória corre contra o tempo

A MP 1.300/2025 já foi aprovada em comissão mista, mas ainda precisa passar pelos plenários da Câmara e do Senado. Caso não seja votada até 17 de setembro, a medida perderá validade, deixando em suspenso a ampliação do benefício da tarifa social.

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O presidente da Câmara, Hugo Motta, havia sinalizado na terça-feira, 9 de setembro, que o texto entraria na pauta e seria votado nesta quarta. No entanto, divergências em torno do relatório levaram ao adiamento. O relator da matéria, deputado Fernando Coelho Filho (União Brasil-PE), segue realizando ajustes na proposta.

Ajustes e pontos retirados do texto

A versão atual do relatório deixou de fora trechos que tratavam de mudanças estruturais no setor elétrico. Entre os pontos excluídos estão:

  • Abertura total do mercado de energia
  • Revisão das regras sobre concessões
  • Ampliação dos poderes da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica)

Esses temas deverão ser tratados em outra medida provisória, a MP 1.304/2025, que trata da redução dos impactos tarifários.

Governo articula para preservar agenda energética

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou nesta quarta-feira (10) que está em diálogo constante com o relator da proposta para evitar que alterações estruturais na política energética sejam postergadas de forma indefinida.

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“Tenho dialogado com Coelho Filho para evitar que mudanças estruturais no setor elétrico sejam deixadas de lado”, disse Silveira, reforçando que o governo pretende garantir um equilíbrio entre o benefício social e as transformações necessárias no mercado de energia.

Importância da tarifa social para famílias vulneráveis

A Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE) é um dos principais instrumentos de política pública voltados à proteção das famílias de baixa renda contra os impactos do custo da eletricidade. Atualmente, o benefício garante descontos progressivos na fatura, dependendo da faixa de consumo.

Com a aprovação da MP 1.300/2025, o programa seria ampliado, passando a assegurar gratuidade total no consumo de até 80 kWh por mês, medida considerada essencial para milhões de brasileiros em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

Especialistas destacam que a eletricidade é um insumo básico para a qualidade de vida, sendo indispensável para alimentação, educação e saúde. Nesse sentido, a ampliação da tarifa social representa um passo importante na inclusão social e energética.

Incertezas e próximos passos

O adiamento da votação levanta dúvidas sobre a capacidade do Congresso em aprovar a medida dentro do prazo. Se a MP caducar, a gratuidade não entrará em vigor, e o governo precisará encontrar alternativas legislativas para garantir a política pública.

A expectativa é de que os ajustes no relatório de Fernando Coelho Filho sejam concluídos nos próximos dias, para que a proposta seja votada na Câmara antes de seguir ao Senado. No entanto, o curto espaço de tempo até 17 de setembro aumenta a pressão sobre parlamentares e governo.

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