Lula e Silveira defendem integração energética da América do Sul e Caribe durante energização do Linhão Manaus-Boa Vista

Presidente e ministro destacam potencial do Sistema Interligado Nacional, economia para os consumidores e papel estratégico do Brasil na transição energética global

O Brasil deu um passo histórico em direção à integração plena de seu sistema elétrico com a energização da linha de transmissão Manaus-Boa Vista, concluída em 10 de setembro. A obra conecta o estado de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN), encerrando a dependência local de usinas termelétricas a óleo diesel e abrindo caminho para um fornecimento mais limpo, seguro e competitivo.

O evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD/MG), que aproveitaram a ocasião para defender uma maior integração energética entre os países da América do Sul e o Caribe, reforçando o papel estratégico do Brasil na transição energética global.

Integração regional e potencial de liderança energética

Durante o evento, Lula destacou o modelo do SIN como exemplo para o mundo e defendeu a interligação entre os sistemas elétricos dos países vizinhos.

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“Poucos países têm um sistema como nós temos. O dia que os presidentes da América do Sul tiverem consciência, a gente pode interligar todo o potencial hídrico da América do Sul. A gente será uma potência muito maior, fazendo com que nenhum país tenha problema de falta de energia”, afirmou o presidente.

Segundo Lula, a região tem condições de se tornar “o centro da transição energética que o mundo precisa”, aproveitando a abundância de recursos renováveis, como hidrelétricas, solar e eólica.

“Acho que vai levar um tempo ainda mas acho que os governantes do mundo terão que compreender que quanto mais a gente estiver compartilhando as coisas bem-sucedidas melhor será para a região”, acrescentou.

Benefícios diretos para Roraima e o Brasil

Com a entrada em operação do Linhão Manaus-Boa Vista, Roraima deixa de ser o único estado brasileiro fora do SIN. Até então, sua matriz elétrica era baseada majoritariamente em usinas termelétricas a diesel, de alto custo e elevado impacto ambiental.

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“Chega de ser um país em desenvolvimento, essa transição energética nos permite dar um salto de qualidade”, destacou Lula, lembrando que a conexão permitirá a substituição de energia fóssil por fontes limpas.

Além do impacto ambiental positivo, a interligação terá reflexos econômicos significativos. De acordo com o ministro Alexandre Silveira, a mudança vai gerar uma economia de R$ 45 milhões por mês na Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), encargo que cobre os custos das termelétricas a diesel nos sistemas isolados.

“Essa linha está levando energia do Brasil para Roraima e depois pode trazer da Venezuela. E no futuro, com o Arco Norte, vai trazer também a Guiana. Então estamos fazendo uma interação energética”, afirmou o ministro.

Roraima como novo vetor de integração energética

A conexão elétrica também fortalece a posição de Roraima como hub de integração energética internacional. Historicamente, o estado já importou energia da hidrelétrica de Guri, na Venezuela, que possui 8 GW de capacidade instalada. Embora a linha necessite de reformas para voltar a operar, o ministro Silveira ressaltou que a interligação futura pode permitir a retomada do fornecimento.

Além disso, a expansão da infraestrutura energética no Norte, combinada com a instalação de novos cabos de fibra óptica, abre oportunidades para investimentos e parcerias comerciais com o Caribe.

“Roraima está ligada ao restante do Brasil, não existe mais diferença”, afirmou Lula, reforçando que a obra integra de forma definitiva a região ao sistema nacional.

O papel do Brasil na transição energética e na COP30

A inauguração do Linhão ocorre em um momento estratégico, quando o Brasil se prepara para sediar a COP30, em novembro de 2025, em Belém (PA). Para o governo, o feito simboliza não apenas o fortalecimento interno da infraestrutura elétrica, mas também a capacidade do país de liderar o debate sobre transição energética e integração regional.

Silveira destacou que a experiência brasileira em garantir suprimento energético à Argentina em momentos de crise é exemplo da relevância do país para a segurança energética regional. Além disso, apontou que novas tecnologias, como os pequenos reatores nucleares modulares (SMRs), podem se tornar alternativas viáveis para atender sistemas que permanecerem isolados.

Perspectivas futuras

Com a energização do Linhão Manaus-Boa Vista, o Brasil encerra um ciclo de integração interna e abre espaço para consolidar-se como protagonista na cooperação energética continental. A interligação não apenas reduz custos e emissões, mas fortalece a posição do país como exportador de energia limpa, especialmente no contexto da crescente demanda por eletricidade renovável em todo o continente.

A aposta em maior integração com países vizinhos e no comércio com o Caribe reforça a visão de que a transição energética pode ser também uma oportunidade de desenvolvimento econômico regional, colocando o Brasil no centro das discussões globais sobre o futuro da energia.

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