IBP e Fiesp discutem descarbonização da indústria e transporte rumo à COP30

Evento em São Paulo reuniu executivos, especialistas e autoridades para debater inovação tecnológica, regulação global e soluções práticas para reduzir emissões no Brasil

O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realizaram, nesta quinta-feira (28/8), o terceiro encontro da série pré-COP30, com foco em inovação e soluções tecnológicas para a descarbonização da indústria e do setor de transportes.

O seminário reuniu líderes empresariais, autoridades e representantes internacionais para debater estratégias concretas rumo à transição energética e à redução de emissões no Brasil. O evento ocorre em um momento em que o país busca consolidar seu protagonismo climático antes da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), prevista para 2025 em Belém (PA).

“Temos mostrado muitos avanços na descarbonização, com a produção de petróleo no pré-sal entre as menores pegadas de carbono do mundo”, destacou Roberto Ardenghy, presidente do IBP, ao abrir o encontro.

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Setores de difícil mitigação em foco

A Fiesp apresentou estudos sobre os chamados setores hard to abate, onde a redução de emissões exige tecnologias de alto investimento. Nelson Pereira, diretor da entidade, destacou a importância de políticas de financiamento e acesso a soluções de baixo carbono.

“O desafio da descarbonização é inseparável da competitividade industrial. Precisamos de instrumentos financeiros adequados e acesso a tecnologias que permitam ao Brasil reduzir suas emissões de forma sustentável e estratégica”, afirmou.

Valentine Mangez, cônsul-geral da Bélgica, reforçou a necessidade de cooperação internacional. “Unir capacidades técnicas e recursos financeiros é crucial para garantir que a descarbonização industrial seja justa, eficiente e benéfica para todos.”

Energia e inovação tecnológica

A Petrobras apresentou seu portfólio de baixo carbono, incluindo projetos de captura e uso de carbono (CCUS), eficiência operacional e novas moléculas sustentáveis. “A transição energética não ocorrerá sem o protagonismo da indústria de energia. Temos tecnologia e capital para executar projetos de alta complexidade”, destacou Lilian Barreto, gerente-executiva do Cenpes.

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Carlos Padilla, diretor da APEXBrasil, anunciou um programa para atrair empresas estrangeiras de tecnologia limpa. A iniciativa já envolve 40 companhias e será expandida para eficiência energética, digitalização e automação.

A ICONIC, por sua vez, relatou ter antecipado em seis anos sua meta de descarbonização, substituindo gás natural por biometano em parceria com a Ultragaz. A estratégia foi responsável por 93% da redução absoluta de emissões da companhia em 2023-2024.

Transporte marítimo sob nova regulação internacional

Comandante da Marinha, Flavio Mathuy chamou atenção para as novas regras globais da Organização Marítima Internacional (IMO), que entram em vigor em 2027 e impõem limites obrigatórios de emissões de CO₂ no transporte marítimo.

“Essa regulação cria desafios, mas também abre oportunidades para o Brasil se posicionar como fornecedor de combustíveis de baixo carbono à navegação mundial”, afirmou.

Raildo Nascimento, da Transpetro, revelou investimentos em tecnologias de eficiência energética, como softwares de otimização e apêndices hidrodinâmicos, que já reduziram de 4% a 6% o consumo de combustível.

Metano no centro das atenções

O metano, gás com potencial de aquecimento 25 vezes maior que o CO₂, também foi destaque. Roberto Gennaro, gerente de descarbonização da Petrobras, lembrou que a companhia já reduziu em 68% suas emissões desde 2015 e que o Brasil deve adotar regulação específica para o gás em breve.

“Gerenciar as emissões de metano será fundamental para manter a competitividade do país em um cenário regulatório cada vez mais exigente”, afirmou.

Novas soluções de captura e armazenamento de carbono

A SLB apresentou soluções como geotermia, extração sustentável de lítio e armazenamento de energia. A Petronas destacou seu foco em projetos de Carbon Capture and Storage (CCS) no Brasil, enquanto a Petrobras detalhou pesquisas em P&D para viabilizar o CCUS em escala.

“O desafio é superar barreiras tecnológicas e de custo, mas temos experiência para liderar essa nova fronteira da descarbonização no Brasil”, disse Paulo Marinho Neto, gerente de P&D em CCS da estatal.

Caminho até Belém

A série de encontros pré-COP30 organizada pelo IBP reforça a importância da integração entre indústria, governo e academia no enfrentamento das mudanças climáticas.

A expectativa é que os debates contribuam para a formulação de políticas públicas e projetos inovadores que coloquem o Brasil em posição de liderança global na transição energética.

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