Rio Xingu mantém boa qualidade da água após implantação da Usina Belo Monte

Estudo com 14 anos de monitoramento contínuo e mais de 85 mil amostras confirma estabilidade do ecossistema aquático e segurança hídrica para comunidades ribeirinhas

O rio Xingu, no Sudoeste do Pará, mantém a boa qualidade da água mesmo após a implantação da Usina Hidrelétrica Belo Monte. Essa é a principal conclusão de um dos mais extensos programas de monitoramento hídrico já realizados na Amazônia, conduzido pela concessionária Norte Energia. Os resultados confirmam que o rio permanece classificado como Classe 2 pelo Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH), sob coordenação da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

Na prática, essa classificação indica que a água é própria para múltiplos usos: abastecimento doméstico após tratamento convencional, preservação de comunidades aquáticas, atividades recreativas como natação e mergulho, irrigação de hortaliças e frutíferas, além da criação de espécies destinadas à alimentação humana.

Monitoramento contínuo e sem precedentes

O programa acompanha a evolução da qualidade da água desde antes da formação dos reservatórios da usina, há 14 anos, cobrindo também os períodos de enchimento e estabilização. Ao todo, foram analisadas mais de 85 mil amostras em 53 pontos estratégicos da região, que incluem desde a montante do Reservatório Xingu até a jusante de Belo Monte, além do Canal de Derivação, o Reservatório Intermediário, a Volta Grande do Xingu e a foz de afluentes como o rio Bacajá.

- Advertisement -

A robustez do monitoramento é destacada por José Galizia Tundisi, referência internacional em ecologia e limnologia e coordenador técnico do programa.

“Não há muitos reservatórios no Brasil com 14 anos de monitoramento contínuo, com essa abrangência espacial, temporal e de parâmetros analisados. O que vemos no Médio Xingu é um exemplo de excelência científica e de compromisso com a preservação ambiental, com resultados consistentes que atestam a boa qualidade da água e a saúde do ecossistema.”

Segundo o especialista, a relação entre preservação ambiental e gestão hídrica é direta. “A qualidade da água reflete a forma como a bacia é gerida. Em Belo Monte, a preservação das matas no entorno dos reservatórios e o rigor científico do monitoramento mostram que, quando você preserva a bacia, você preserva a qualidade da água dos rios.”

Participação das comunidades ribeirinhas

Outro diferencial do programa é o Plano de Monitoramento Participativo, criado em 2020, que integra comunidades locais no processo de coleta e acompanhamento das análises. Atualmente, sete comunidades da Volta Grande do Xingu estão envolvidas: Ressaca, Ilha da Fazenda, Rio das Pedras, Maranhenses, Jericoá, Belo Monte e Gleba Itatá.

- Advertisement -

Moradora da Comunidade Maranhense, Josimary Abreu Nunes relata a confiança trazida pelos resultados. “Depois de ter visto os laudos, fico sim mais confiante. Como está tudo dentro da normalidade, então, dá uma certa segurança. Isso porque você também está vendo o que está acontecendo, como está sendo feito.”

Na mesma linha, Josimar Balão Rodrigues, da Comunidade Jericoá, reforça o valor do conhecimento compartilhado. “Para mim está sendo ótimo, porque nós passamos a ter conhecimento do que está acontecendo na nossa região, porque a água é vida para nós. Participando (do monitoramento) sabemos como é que está o movimento da água, se está com oxigênio normal para os peixes. A empresa explica bem isso para nós e eu passo tudo para a comunidade. Então, a comunidade se agrada, porque nós sabemos o que bebemos, o que consumimos e nossos peixes não vão sumir. É a maior alegria, porque eu nasci aqui na beira do rio. A vida nossa é esse rio e eu fico feliz porque tem vida no Xingu. É maravilhoso ele ter vida.”

Resultados científicos e compromisso ambiental

Além do acompanhamento da água superficial, o programa também inclui o monitoramento de águas subterrâneas, com mais de 10.600 medições em 107 poços e cacimbas e 2.500 análises laboratoriais de qualidade. Esse banco de dados permite identificar tendências hidrológicas e assegurar que o abastecimento das comunidades e a integridade do ecossistema sejam preservados.

De acordo com Roberto Silva, gerente de Meios Físico e Biótico da Norte Energia, a consistência dos resultados evidencia o compromisso da empresa com a sustentabilidade.

“O monitoramento contínuo é a base de uma gestão ambiental de qualidade dos recursos hídricos. O conjunto de dados, coletado ao longo de 14 anos, é a principal evidência do nosso compromisso com a região e com os requisitos do licenciamento, nos permitindo afirmar com base científica que, em geral, o ecossistema aquático da região da Usina se mantém saudável e que os reservatórios estão estabilizados. É um trabalho que garante a preservação ambiental e a segurança hídrica para as comunidades e para a biodiversidade local.”

Um modelo para o setor elétrico e ambiental

O caso de Belo Monte reforça que a gestão integrada entre ciência, comunidades e órgãos reguladores é essencial para compatibilizar geração de energia em larga escala e conservação da Amazônia.

O programa de monitoramento se consolida como modelo para outras regiões, demonstrando que é possível conciliar produção energética com preservação ambiental e segurança hídrica para populações locais.

Destaques da Semana

Petrobras adota cautela e evita repasse imediato do Brent a US$ 90

Em teleconferência de resultados, cúpula da estatal reforça blindagem...

Mercado livre avança e já responde por 42% do consumo de energia no Brasil, aponta estudo da CCEE

Estudo sobre o mercado brasileiro de energia mostra crescimento...

Eficiência e Consolidação: O Novo Horizonte do Financiamento de Renováveis na América Latina

Em entrevista exclusiva, José Prado, sócio do Machado Meyer,...

O MW como Ativo Imobiliário: A Nova Fronteira dos Data Centers no Brasil

Especialistas da Capacity analisam por que o custo da...

Artigos

Últimas Notícias