Avanço da eletromobilidade é impulsionado por políticas públicas como o Programa MOVER e incentivos estaduais, refletindo maior adesão ao transporte sustentável e queda nos preços dos modelos elétricos
O Brasil ultrapassou, em julho de 2025, a marca simbólica de 500 mil veículos eletrificados em circulação, entre híbridos convencionais, híbridos plug-in e 100% elétricos. O número representa um salto relevante no mercado de mobilidade sustentável, com destaque para a comercialização recorde de 6.340 unidades de veículos puramente elétricos (BEVs) em um único mês — o melhor desempenho já registrado desde o início da série histórica da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
Segundo a entidade, foram 14.787 veículos eletrificados leves emplacados em julho, o que inclui também 7.360 híbridos convencionais (HEVs) e 1.087 híbridos plug-in (PHEVs). Com esse resultado, o total acumulado de veículos eletrificados leves no país chegou a 514.368 unidades, consolidando uma trajetória de crescimento expressivo que acompanha o amadurecimento da eletromobilidade no Brasil.
Novo patamar de mercado para os 100% elétricos
Os veículos totalmente elétricos, que representaram 43% das vendas eletrificadas em julho, vêm ganhando força em um cenário mais favorável para o consumidor. Segundo a ABVE, “pela primeira vez, os BEVs assumem a dianteira das vendas, superando os híbridos convencionais e plug-in”, comportamento atribuído à redução de preços, ampliação de modelos acessíveis e melhorias na infraestrutura de recarga.
O desempenho mensal reforça a expectativa de que o ano de 2025 será o melhor da história para o segmento. De janeiro a julho, foram emplacados 89.876 eletrificados, crescimento de 147% em relação ao mesmo período de 2023. Só os 100% elétricos já somam 32.173 unidades no acumulado do ano.
Impacto das políticas públicas e incentivos estaduais
O avanço também reflete a adoção de políticas públicas voltadas à descarbonização da frota. Entre os principais impulsionadores está o Programa MOVER (Mobilidade Verde e Inovação), que concede incentivos fiscais à produção de veículos sustentáveis, além de exigir metas de redução de emissões. O projeto de lei que regulamenta o programa foi aprovado recentemente pelo Congresso Nacional e sancionado pela Presidência da República.
A ABVE ressalta que “medidas como o MOVER são fundamentais para consolidar o mercado de veículos eletrificados no país, pois estimulam tanto a oferta quanto a demanda, além de fomentar a cadeia produtiva local”.
Além disso, iniciativas estaduais como a isenção de IPVA para veículos elétricos em estados como São Paulo, Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Norte, contribuem diretamente para a decisão de compra do consumidor, especialmente diante da maior competitividade de preços.
Mais oferta, mais infraestrutura, mais eletrificação
A ampliação da oferta de modelos também tem sido decisiva. Nos últimos meses, montadoras asiáticas, europeias e americanas passaram a trazer para o Brasil veículos elétricos com preços abaixo de R$ 150 mil, tornando o segmento acessível a um novo perfil de consumidor. “O Brasil já começa a experimentar um ambiente de maior competição e diversificação de produtos, o que era uma barreira até pouco tempo atrás”, afirma a ABVE.
Outro fator relevante é o crescimento da infraestrutura de recarga pública e residencial, com projetos de expansão liderados por empresas de energia, shoppings, estacionamentos e startups. O país conta atualmente com cerca de 5 mil eletropostos públicos, e esse número deve dobrar até 2026, segundo estimativas do setor.
Transição energética e os próximos passos
A aceleração da eletromobilidade no Brasil se insere no contexto mais amplo da transição energética e da meta de neutralidade de carbono até 2050. A substituição progressiva da frota movida a combustíveis fósseis por veículos de baixa ou zero emissão é considerada estratégica para atingir esse objetivo.
“Atingir 500 mil veículos eletrificados em circulação é um marco importante, mas é apenas o começo. O setor segue trabalhando por uma mobilidade mais limpa, eficiente e acessível”, afirma a ABVE. “Nosso foco agora está em consolidar políticas de longo prazo, ampliar o acesso ao crédito e fortalecer a indústria nacional.”



