Uerj lança curso pioneiro de Engenharia de Energias Renováveis com foco em sustentabilidade e transição energética

Nova graduação começa em 2026 e é a primeira do país após reconhecimento oficial da profissão; iniciativa busca formar profissionais preparados para os desafios ambientais e tecnológicos da matriz limpa

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) anunciou a criação do curso de Engenharia de Energias Renováveis, com início previsto para o ano letivo de 2026. A graduação é a primeira do país voltada exclusivamente à formação de engenheiros no setor de energias renováveis após o reconhecimento oficial da profissão pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea/Crea), por meio da resolução nº 1.076/2016.

Aprovado pelo Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Csepe) da universidade em 8 de maio de 2025, o curso será ofertado no campus Maracanã, no Rio de Janeiro, com entrada semestral, em regime de turno integral. Serão disponibilizadas 40 vagas anuais por meio do Vestibular Estadual.

Com uma proposta multidisciplinar, a nova formação reflete a crescente demanda do setor por profissionais capazes de impulsionar a transição energética e desenvolver soluções tecnológicas sustentáveis frente às mudanças climáticas.

- Advertisement -

Formação para uma economia de baixo carbono

A criação do curso responde a uma realidade energética em rápida transformação, tanto no Brasil quanto no cenário internacional. “O mundo vive um processo de transição energética, com prioridade para fontes limpas, como hídrica, solar, eólica e biomassa”, afirma o professor Paulo Eduardo Darski Rocha, do Departamento de Engenharia Elétrica da Uerj, que coordenou a proposta acadêmica. “Formar profissionais especializados em energias renováveis é essencial para garantir o avanço da sustentabilidade e o cumprimento das metas climáticas”, destaca.

A iniciativa da universidade acompanha tendências globais. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), os investimentos em energia limpa já ultrapassam os destinados a combustíveis fósseis, alcançando US$ 2,2 trilhões por ano. O Brasil, terceiro maior gerador de energia renovável do mundo — atrás apenas da China e dos Estados Unidos —, emprega cerca de 1,56 milhão de pessoas nesse setor, número que tende a crescer significativamente nas próximas décadas.

Currículo alinhado à inovação e à realidade do setor

O curso de Engenharia de Energias Renováveis da Uerj foi concebido com base em uma abordagem interdisciplinar, integrando conhecimentos de engenharia elétrica, mecânica, ambiental e química. Participaram de sua elaboração diversos departamentos da Faculdade de Engenharia, com destaque para os departamentos de Engenharia Sanitária e Meio Ambiente (Desma) e Engenharia Elétrica (ELE).

O currículo prevê, já de partida, 10% da carga horária dedicada a atividades de extensão, em conformidade com as diretrizes do novo ensino superior no Brasil. Entre as competências desenvolvidas estão a capacidade de projetar, implementar e operar usinas renováveis; avaliar impactos ambientais e sociais; calcular a viabilidade econômica de empreendimentos; desenvolver sistemas de armazenamento de energia; atuar na integração com o sistema elétrico nacional e até mesmo na comercialização de energia no mercado livre.

- Advertisement -

“É uma formação que vai muito além da técnica”, explica o pró-reitor de Graduação da Uerj, Antonio Soares. “O profissional de hoje precisa estar preparado para lidar com a complexidade do mundo contemporâneo, onde a energia está no centro do debate sobre mudanças climáticas, justiça social e desenvolvimento sustentável.”

Empregabilidade ampla em um setor estratégico

De acordo com o professor Paulo Rocha, os engenheiros formados no curso terão um amplo leque de oportunidades profissionais. “Eles poderão atuar no setor elétrico, em empresas de geração e distribuição, micro e minigeração distribuída, startups de tecnologia, consultorias, órgãos públicos, ONGs e institutos de pesquisa. Também há espaço para o empreendedorismo e a inovação, com foco em eficiência energética e novas soluções para o mercado de energia limpa”, destaca.

O curso também prepara seus egressos para o trabalho em ambientes regulados, como os mercados de energia e carbono, e os capacita para lidar com modelagens técnicas e econômicas, análise de dados climáticos e hidrológicos, e desenvolvimento de projetos em comunidades vulneráveis ou isoladas.

Educação superior pública como vetor da transição energética

O lançamento do curso de Engenharia de Energias Renováveis reforça o papel estratégico das universidades públicas na construção de soluções para os desafios do século 21. Para o vice-reitor Bruno Deusdará, a proposta é parte de uma política institucional da Uerj voltada à inovação com responsabilidade social. “Estamos ampliando nossa oferta de cursos com foco nas demandas reais da sociedade, conectados com os territórios e comprometidos com a qualidade do ensino superior público e gratuito”, afirmou durante a sessão do Csepe.

Em 2025, a universidade já havia lançado a licenciatura em Cinema e Audiovisual na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (Febf), em Duque de Caxias. Agora, com a Engenharia de Energias Renováveis, a Uerj reforça sua vocação para a formação de profissionais comprometidos com a sustentabilidade e a justiça social.

Destaques da Semana

Petrobras define indicações para Conselhos de Administração e Fiscal de 2026

Governo propõe recondução de Magda Chambriard e Bruno Moretti...

Mercado livre avança e já responde por 42% do consumo de energia no Brasil, aponta estudo da CCEE

Estudo sobre o mercado brasileiro de energia mostra crescimento...

Artigos

Últimas Notícias