ONS projeta queda na carga de energia no SIN e Sudeste/Centro-Oeste em julho com influência do clima mais ameno

Boletim semanal do PMO prevê retração de até 3,4% na demanda por energia nas regiões centrais do país; Sul e Norte devem apresentar leve alta

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou nesta segunda-feira (15) as projeções do Programa Mensal da Operação (PMO) para a semana operativa de 12 a 18 de julho. O boletim aponta uma desaceleração da carga de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN), com destaque para o subsistema Sudeste/Centro-Oeste, que concentra a maior parte da demanda e da capacidade de armazenamento do país.

Segundo o ONS, a carga do SIN deverá apresentar retração de 1,3% em relação a julho de 2024, totalizando uma média de 74.805 MWmed (megawatts médios). No Sudeste/Centro-Oeste, a queda estimada é mais acentuada, de 3,4%, com carga projetada em 40.807 MWmed.

Em contrapartida, os demais subsistemas do país devem apresentar crescimento moderado na demanda por energia. No Norte, a previsão é de uma alta de 2,9% (7.995 MWmed); no Nordeste, de 1,4% (12.552 MWmed); e no Sul, de 0,4% (13.451 MWmed).

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De acordo com o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, o comportamento da carga está alinhado às expectativas para o período.

“O comportamento da carga está dentro do esperado para o período e associado às temperaturas mais baixas em todo o país durante o mês de julho. Seguimos atentos aos diferentes cenários e o SIN está atendendo plenamente a demanda da sociedade”, destacou Rea.

ENA abaixo da média em quase todo o país, exceto no Sul

As projeções de Energia Natural Afluente (ENA) — indicador que representa a quantidade de água que chega aos reservatórios — também refletem os efeitos do período seco típico do inverno em quase todas as regiões. Segundo o boletim do PMO, os valores estimados para o fim de julho ficam abaixo da Média de Longo Termo (MLT) nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

Os percentuais esperados de ENA ao final do mês são:

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Sudeste/Centro-Oeste: 82% da MLT

Norte: 66% da MLT

Nordeste: 47% da MLT

Sul: 113% da MLT (única região com afluências acima da média histórica)

O resultado no Sul indica um comportamento típico de maior regularidade hidrológica nesta época do ano, o que favorece a geração hídrica local e pode impactar positivamente o intercâmbio energético com outras regiões.

Reservatórios continuam em patamar confortável, com destaque para o Norte

Apesar da queda na ENA em algumas regiões, o nível dos reservatórios segue relativamente elevado em comparação a anos anteriores. O ONS projeta que, até o final de julho, os índices de Energia Armazenada (EAR) devem alcançar ou superar 85% em duas regiões:

Norte: 96,1%

Sul: 88,1%

No Nordeste, a expectativa é de uma EAR de 65,8%, enquanto o Sudeste/Centro-Oeste, que abriga cerca de 70% da capacidade de armazenamento de energia do SIN, deve atingir 64,3%.

Esses níveis ainda permitem segurança operativa, mesmo em um cenário de redução nas afluências. A manutenção de margens confortáveis de armazenamento reforça a resiliência do sistema para enfrentar variações climáticas e picos de demanda.

Custo Marginal de Operação (CMO) estável nas quatro regiões

Outro dado de destaque do PMO é o Custo Marginal de Operação (CMO), que permanecerá uniforme em todas as regiões do SIN, fixado em R$ 215,46 por megawatt-hora (MWh).

Esse valor reflete um equilíbrio entre oferta e demanda e mantém a estabilidade dos preços de geração de energia no mercado de curto prazo.

Perspectivas e operação segura

O ONS reitera que o Sistema Interligado Nacional está operando de forma segura e confiável, mesmo diante de variações climáticas sazonais. A desaceleração da carga no Sudeste e no SIN como um todo reflete não apenas o clima mais ameno, mas também a maturidade da operação elétrica e a flexibilidade das fontes de geração.

O relatório completo com os dados do PMO está disponível no site do ONS e pode ser acessado por meio deste link direto.

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