Trump sanciona megalei pró-petróleo e corta incentivos para energia limpa nos EUA

Nova legislação aprovada pelo Congresso americano reverte políticas climáticas e favorece amplamente combustíveis fósseis, ameaçando o futuro da energia solar e eólica

Em um movimento que marca uma inflexão na política energética dos Estados Unidos, o ex-presidente Donald Trump sancionou a One Big Beautiful Bill Act, uma megalegislação aprovada pelo Congresso que revoga subsídios a energias renováveis e amplia agressivamente os incentivos à produção de petróleo, gás natural e carvão. A lei, aprovada pela Câmara na quinta-feira (3) após votação favorável no Senado, altera profundamente o rumo da transição energética no país.

Aprovada sob forte influência de grupos da indústria fóssil, a nova legislação elimina gradualmente os créditos fiscais federais que sustentaram o crescimento exponencial das fontes solar e eólica nas últimas décadas. Em contrapartida, promove medidas de estímulo sem precedentes à exploração e produção de combustíveis fósseis em terras e águas públicas, consolidando um novo ciclo de dependência das fontes convencionais.

Impactos diretos nas renováveis

Os principais instrumentos de apoio federal à energia limpa — especialmente os créditos fiscais para produção (PTC) e investimento (ITC) — serão extintos para projetos que entrem em operação após 2027. A exceção vale apenas para empreendimentos cuja construção se inicie dentro de um ano após a promulgação da nova lei.

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A Solar Energy Industries Association (SEIA) criticou duramente a medida, classificando-a como “um retrocesso à segurança energética nacional e à liderança global dos EUA em tecnologias limpas”. Segundo a entidade, a revogação dos incentivos deve causar desaceleração de investimentos, fechamento de fábricas e perda de competitividade industrial — especialmente em estados que vinham se destacando como hubs de produção de painéis solares e aerogeradores.

Expansão acelerada dos combustíveis fósseis

Entre os pontos mais controversos da One Big Beautiful Bill Act está a previsão de 30 leilões de blocos de exploração no Golfo do México ao longo dos próximos 15 anos, além de licitações anuais em nove estados e a liberação de áreas no Alasca para perfuração.

“Essa é uma transformação histórica no acesso a terras e águas federais. Finalmente teremos liberdade para explorar o potencial energético americano”, celebrou Mike Sommers, presidente do American Petroleum Institute, uma das principais entidades de lobby da indústria de petróleo e gás.

A nova legislação também reduz os royalties pagos pelas petroleiras ao governo federal e amplia os créditos fiscais para projetos de captura e armazenamento de carbono (CCS). A crítica, no entanto, é que essa captura será utilizada para aumentar a produção por meio de técnicas como injeção de CO₂ em poços esgotados, prática conhecida como enhanced oil recovery (EOR) — que, embora tecnicamente mitigue emissões, intensifica o uso de fontes fósseis.

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O setor de carvão também saiu fortalecido, com a liberação de 4 milhões de acres adicionais para mineração e alívio regulatório nas taxas de compensação ambiental.

Uma guinada climática com repercussões globais

Ao justificar a medida, Donald Trump voltou a criticar as fontes limpas: “Não quero moinhos de vento arruinando nossas paisagens, nem painéis solares feios nas nossas fazendas”, declarou em entrevista, reafirmando seu posicionamento contrário à transição energética.

A aprovação da lei ocorre em um momento em que as mudanças climáticas ganham protagonismo internacional e os países desenvolvidos buscam cumprir metas de descarbonização. Para especialistas do setor, os Estados Unidos correm o risco de perder protagonismo no mercado global de tecnologias limpas, abrindo espaço para a liderança de países como China e Alemanha.

Brasil e o efeito cascata

Para o Brasil, principal parceiro comercial dos EUA nas Américas, a guinada energética americana pode ter repercussões indiretas sobre o mercado global de créditos de carbono, financiamento climático e cadeias de fornecimento de equipamentos. A retração de incentivos às renováveis nos EUA pode influenciar políticas de comércio internacional e acentuar disputas tarifárias envolvendo conteúdo local e subsídios verdes.

Além disso, o movimento reacende o debate sobre segurança energética, independência de combustíveis fósseis e os riscos geopolíticos associados à exploração intensiva de recursos naturais.

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