Ministério destaca no Senado que o Brasil reúne potencial geológico e energético para liderar a transformação de minerais estratégicos com sustentabilidade e inovação
Em audiência pública realizada nesta terça-feira (1/7) na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, o Ministério de Minas e Energia (MME) reforçou a importância de fortalecer a indústria de transformação mineral no Brasil como um eixo estruturante para o avanço da transição energética global. A declaração foi feita pelo diretor de Transformação e Tecnologia Mineral do MME, Rodrigo Cota, durante debate sobre desenvolvimento econômico e matriz energética sustentável.
De acordo com o representante da pasta, o país está diante de uma oportunidade estratégica sem precedentes. “Estamos vivendo uma janela de oportunidades com o crescimento da demanda mundial por minerais críticos e produtos de alta tecnologia. Para isso, precisamos fortalecer toda a cadeia de valor da mineração, com foco em inovação, sustentabilidade e segurança regulatória”, afirmou Cota.
Potencial geológico e energia limpa como diferencial competitivo
O Brasil possui reservas expressivas de minerais estratégicos como lítio, níquel, cobalto, grafite e terras raras — insumos essenciais para a produção de baterias, turbinas eólicas, painéis solares e veículos elétricos. Ao aliar esse potencial geológico à matriz elétrica majoritariamente renovável, o país se apresenta como um dos destinos mais atrativos para transformação mineral sustentável.
“Além das reservas, temos uma matriz energética limpa, abundante e competitiva, o que nos coloca em posição privilegiada no cenário internacional. O Brasil é a melhor escolha do mundo para transformar minerais estratégicos nas cadeias de valor da transição energética”, destacou o diretor do MME.
Desafios e iniciativas em curso
Apesar do potencial, o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais para transformar suas riquezas minerais em produtos de maior valor agregado. Cota destacou a necessidade de ampliar o financiamento, atrair investimentos internacionais e fomentar parcerias tecnológicas com países e empresas líderes na cadeia de suprimentos da economia verde.
Entre as iniciativas já em andamento, o MME mencionou:
- Ampliação do mapeamento geológico nacional, com o objetivo de atualizar informações sobre áreas com alto potencial mineral;
- Prioridade nos processos de licenciamento ambiental para projetos estratégicos;
- Estímulo à oferta mineral, com foco em investimentos estruturantes e políticas de incentivo;
- Apoio financeiro à pesquisa mineral e ao desenvolvimento tecnológico, para garantir competitividade e sustentabilidade da cadeia produtiva.
Indústria de transformação e inclusão social
Durante a audiência, o diretor do MME também enfatizou a importância de uma mineração inclusiva e descentralizada, que respeite as comunidades impactadas e promova desenvolvimento regional. “Queremos descentralizar a produção e a transformação mineral, levando oportunidades para diversas regiões do país, com foco na geração de empregos qualificados e na preservação ambiental”, declarou.
A posição do ministério dialoga com as diretrizes da Política Nacional de Mineração 2050 e com os compromissos do Brasil na agenda climática internacional, que exige soluções industriais alinhadas aos princípios de baixo carbono, inovação e justiça socioambiental.
Transição energética como oportunidade geoeconômica
A transição energética global — processo de substituição dos combustíveis fósseis por fontes limpas e renováveis — tem impulsionado a valorização de minerais críticos, tornando a mineração uma peça-chave na nova ordem econômica. Nesse contexto, países que dominarem a transformação desses insumos com responsabilidade ambiental e domínio tecnológico ocuparão posições de liderança global.
A audiência pública no Senado representa um passo importante para o debate interinstitucional sobre como o Brasil pode ampliar sua participação nas cadeias globais de valor da transição energética, não apenas como exportador de matéria-prima, mas como agente ativo na industrialização verde.
A expectativa é que, nos próximos meses, o governo avance em propostas legislativas e regulatórias que consolidem um ambiente de negócios atrativo e sustentável para o setor mineral, com atenção especial às demandas de inovação, financiamento, infraestrutura logística e governança socioambiental.



