China ultrapassa 1 terawatt de capacidade solar e redefine os rumos da transição energética global

Com mais de 92 GW adicionados apenas em maio, país asiático reforça liderança no setor solar; especialistas, no entanto, preveem desaceleração no segundo semestre

Em um momento emblemático para a transição energética mundial, a China ultrapassou a marca de 1 terawatt (TW) de capacidade instalada em energia solar, consolidando sua liderança como a maior potência fotovoltaica do planeta. O anúncio foi feito pela Administração Nacional de Energia (NEA), que revelou que a capacidade solar total do país atingiu 1,08 TW (1.080 GW) ao final de maio deste ano — um aumento expressivo de 56,9% em relação ao mesmo período de 2024.

O desempenho chinês impressiona não apenas pela escala, mas também pela velocidade. De janeiro a maio de 2025, foram adicionados 197,85 GW em novas instalações, representando um crescimento de 388,03% em comparação com os primeiros cinco meses de 2024. Só no mês de maio, foram adicionados 92,92 GW, o maior número já registrado em um único mês.

Esse crescimento acelerado é impulsionado por políticas públicas favoráveis, como o apoio à geração distribuída, incentivos à inovação tecnológica e mecanismos que facilitam a integração da energia renovável ao mercado elétrico chinês. As medidas governamentais também têm motivado uma “corrida” para antecipar instalações, em função de possíveis ajustes regulatórios previstos para o segundo semestre.

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Do 1º GW ao 1º TW: 15 anos de expansão contínua

A trajetória chinesa no setor solar teve início em 2010, quando o país instalou seu primeiro 1 GW sob o Programa Golden Sun, uma política que incentivava a geração solar distribuída. Após crises diplomáticas e comerciais com os Estados Unidos e Europa entre 2011 e 2012, a China voltou seus esforços para o desenvolvimento interno do setor, priorizando grandes usinas no noroeste e investindo em pesquisa, inovação e competitividade.

O resultado foi uma escalada impressionante. Em 2013, o país chegou a 10 GW; em 2017, rompeu a barreira dos 100 GW; e agora, em 2025, celebra o marco de 1.080 GW, um aumento dez vezes superior em apenas oito anos.

Energia solar representa o setor de maior crescimento no país

De acordo com a NEA, a capacidade total de geração de energia da China atingiu 3,61 TW até maio, um crescimento de 18,8% em relação a 2024. Dentre todas as fontes, a energia solar foi a que apresentou maior ritmo de crescimento, superando hidrelétricas, térmicas e até mesmo a eólica.

A dominância chinesa também se traduz em sua relevância global: o país responde por mais de 40% da capacidade solar instalada no mundo e cerca de 80% da produção global de módulos fotovoltaicos, de acordo com a Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA).

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Desafios à frente: previsão de desaceleração

Apesar do avanço, especialistas alertam para uma possível desaceleração no segundo semestre de 2025. Diversas consultorias, como BloombergNEF e Wood Mackenzie, estimam que o volume de novas instalações poderá cair à medida que os projetos forem concluídos e os incentivos forem ajustados.

“Embora a China esteja colhendo os frutos de uma política industrial robusta, a antecipação de projetos e a previsão de mudanças regulatórias podem frear o ritmo de crescimento até o fim do ano”, aponta o relatório da BloombergNEF.

Mesmo com o possível arrefecimento, a China segue firme em sua meta de atingir a neutralidade de carbono até 2060, e a energia solar continuará sendo um dos principais pilares dessa estratégia.

Liderança estratégica e influência global

O marco de 1 TW reforça não apenas a posição da China como protagonista da energia limpa, mas também sua capacidade de influenciar cadeias globais de suprimento, regulação e inovação tecnológica. O país tem exportado não apenas módulos e inversores, mas também soluções digitais, sistemas de armazenamento e know-how regulatório.

Esse protagonismo coloca pressão sobre outras grandes economias, especialmente os países do G7 e emergentes como o Brasil e a Índia, para acelerar suas transições energéticas e responder aos novos padrões globais de competitividade e sustentabilidade.

Conclusão

O feito chinês não é apenas um número técnico. É um símbolo do futuro da energia, que caminha para ser cada vez mais limpa, distribuída, digital e inclusiva.

A superação da marca de 1 TW de energia solar representa um divisor de águas no cenário global — e uma referência obrigatória para os países que buscam descarbonizar suas economias com escala e eficiência.

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