Consumo de energia elétrica cresce 2,1% no 1º trimestre de 2025, puxado por residências e indústria

Dados da EPE revelam aumento expressivo no uso de eletricidade nas residências e no setor industrial, enquanto o mercado livre avança e já responde por 43% da demanda nacional

O consumo de energia elétrica no Brasil registrou um crescimento de 2,1% no primeiro trimestre de 2025, em comparação ao mesmo período do ano passado. Os dados, divulgados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) na 21ª edição do Boletim Trimestral do Consumo de Eletricidade, evidenciam uma recuperação econômica sustentada e o impacto das condições climáticas nas diferentes classes de consumo.

O destaque do período foi a classe residencial, que apresentou uma expansão de 3,4%. O aumento é atribuído a uma combinação de fatores: temperaturas acima da média sazonal, que elevaram a demanda por climatização, e melhora nos indicadores de emprego e renda, que ampliaram a capacidade de consumo das famílias brasileiras. O consumo médio por domicílio aumentou em praticamente todas as regiões do país, refletindo também mudanças nos hábitos de uso de eletrodomésticos e equipamentos elétricos.

Já o setor industrial manteve trajetória positiva, com crescimento de 2,6% no trimestre, acompanhando o avanço do valor adicionado da indústria no mesmo período. A recuperação de setores intensivos em energia, como siderurgia, papel e celulose e alimentos, contribuiu para o desempenho. O crescimento foi mais acentuado nas regiões Sudeste e Sul, que concentram os principais polos industriais do país.

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Por outro lado, o consumo no setor comercial permaneceu praticamente estável, com variação positiva de apenas 0,1%. A estagnação sugere uma retomada mais lenta de serviços presenciais e uma possível consolidação de padrões de consumo mais econômicos em escritórios e estabelecimentos comerciais.

Contexto macroeconômico impulsiona a demanda

O relatório da EPE também aponta que o crescimento do consumo está relacionado ao cenário macroeconômico favorável no início do ano. A taxa de desemprego caiu para 7,0% e o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 2,9% em relação ao primeiro trimestre de 2024. Esse desempenho contribuiu para ampliar a base de consumidores ativos e a capacidade de pagamento, especialmente no mercado residencial.

Outro fator importante foi o aumento do acesso ao Ambiente de Contratação Livre (ACL), que registrou crescimento de 10% na comparação anual. Esse avanço está relacionado à expansão do acesso a todos os consumidores do grupo A, o que tem impulsionado a migração de grandes consumidores para contratos bilaterais de energia. Atualmente, o ACL representa 43% do consumo nacional, consolidando-se como um componente central do mercado elétrico brasileiro.

Em contrapartida, o Ambiente de Contratação Regulada (ACR) registrou queda de 3,2%, mantendo-se com 57% da participação total. O movimento de migração tende a continuar nos próximos trimestres, especialmente com a abertura gradual do mercado livre para consumidores do grupo B, prevista para os próximos anos.

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Desafios e perspectivas

O crescimento moderado do consumo no início de 2025 reforça a necessidade de planejamento estratégico no setor elétrico, com foco em garantir a confiabilidade do suprimento e a modernização da infraestrutura. A expansão do consumo, especialmente no mercado livre, também exige uma revisão das políticas de contratação, regulação e formação de preços, para assegurar a sustentabilidade do modelo.

Com a aproximação da COP30, que será sediada em Belém (PA), e o avanço da pauta da transição energética, o desempenho do consumo será um dos indicadores-chave para avaliar a eficácia das políticas de eficiência energética e a integração de fontes renováveis no sistema.

A expectativa da EPE é de que, mantidas as condições macroeconômicas e climáticas atuais, o consumo continue crescendo em ritmo moderado ao longo de 2025. No entanto, alertas relacionados a eventos climáticos extremos e volatilidade do mercado internacional de combustíveis fósseis podem influenciar os resultados dos próximos trimestres.

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