Desde 2003, modelo de contratação permitiu uma redução acumulada de R$ 476 bilhões nos custos dos consumidores
O mercado livre de energia continua a se consolidar como um dos pilares da competitividade no setor energético brasileiro. Em 2024, esse modelo de contratação permitiu uma economia de R$ 55 bilhões para seus consumidores, resultado de um consumo médio de 28.386 MW médios ao longo do ano. Desde a sua implementação, em 2003, a economia acumulada já ultrapassa R$ 476 bilhões, beneficiando empresas e consumidores que optaram por migrar para esse ambiente.
O mercado livre de energia se diferencia por oferecer aos consumidores a possibilidade de escolher seu fornecedor, a fonte da energia contratada, os prazos e demais condições. Atualmente, ele está disponível para todas as empresas classificadas no Grupo A – ou seja, consumidores conectados em média e alta tensão –, abrangendo indústrias, estabelecimentos comerciais e prestadores de serviço de grande porte.
Com a Portaria MME 50/2022, que entrou em vigor em janeiro de 2024, o setor passou a absorver empresas de menor porte, ampliando ainda mais os benefícios da concorrência e gerando um efeito cascata de vantagens econômicas. O presidente-executivo da Abraceel (Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia), Rodrigo Ferreira, destaca o impacto positivo da expansão do mercado livre para o país.
“Cada consumidor que migra do mercado regulado para o livre consegue reduzir sua conta de luz e, ao mesmo tempo, contribui para conter a inflação. Além disso, os novos consumidores, por serem menores, tendem a reinvestir a economia obtida, impulsionando o crescimento econômico e gerando novos empregos”, afirma Ferreira.
Economizômetro: Transparência nos benefícios da concorrência
Para medir o impacto da abertura do mercado, a Abraceel desenvolveu o Economizômetro, uma calculadora digital que acompanha e divulga, em tempo real, os ganhos gerados pelo ambiente de contratação livre. De acordo com os dados mais recentes, o mercado livre já conta com mais de 64 mil unidades consumidoras – um número que, embora represente apenas 0,07% do total de consumidores do país, tem um impacto significativo na economia nacional.
A lógica por trás da economia é simples: ao permitir a escolha do fornecedor e promover a concorrência, os preços tornam-se mais competitivos. Isso beneficia não apenas os consumidores que já estão no mercado livre, mas também influencia o comportamento dos preços no setor como um todo.
Abertura total do mercado em 2026: mais liberdade para os consumidores
A Abraceel defende que, a partir de 2026, todos os consumidores brasileiros – incluindo os residenciais – possam ter o direito de escolher seu fornecedor de energia. Essa mudança colocaria o Brasil em linha com mercados internacionais mais maduros, nos quais a livre concorrência já é realidade para todos os perfis de consumidores.
A abertura total traria benefícios diretos não apenas para empresas, mas também para os consumidores domésticos, que poderiam contratar energia de fontes renováveis, negociar preços mais vantajosos e, assim, reduzir suas contas de luz. Além disso, um mercado livre mais amplo estimularia investimentos em geração e infraestrutura, ampliando a segurança energética do país.
Com a crescente demanda por energia limpa e preços mais acessíveis, o modelo livre se mostra cada vez mais uma alternativa viável para garantir eficiência, sustentabilidade e competitividade ao setor elétrico brasileiro.