Operador projeta demanda de 85.730 MW médios e revê para baixo armazenamento no Sudeste/Centro-Oeste, apesar da expectativa de afluências acima da média histórica na região
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) reduziu de 4,9% para 4,2% a previsão de crescimento da carga de energia elétrica no Brasil em outubro, na comparação com o mesmo mês de 2025. A estimativa passou a 85.730 MW médios, conforme boletim divulgado nesta sexta-feira (23).
O operador também revisou para baixo a projeção de armazenamento dos reservatórios das hidrelétricas do Sudeste/Centro-Oeste, principal subsistema de armazenamento do país. A expectativa é que os níveis cheguem ao fim do mês em 55,2% da capacidade, ante os 56,6% previstos na semana anterior.
Afluências seguem acima da média no Sudeste/Centro-Oeste e no Sul
Apesar da redução na previsão de afluências para o Sudeste/Centro-Oeste, o ONS ainda trabalha com um cenário hidrológico favorável em relação à média histórica de outubro. A estimativa para a Energia Natural Afluente (ENA) da região passou de 156% para 152% da Média de Longo Termo (MLT).
No Sul, a projeção permaneceu em 209% da MLT, indicando afluências significativamente superiores à média histórica para o mês. Nas demais regiões, o cenário é menos favorável. No Nordeste, a previsão subiu de 61% para 63% da MLT, enquanto no Norte recuou de 50% para 47%.
As revisões indicam diferenças nas condições hidrológicas entre os subsistemas, com implicações para a recomposição dos reservatórios e o planejamento da operação do Sistema Interligado Nacional (SIN).
ONS prevê despacho térmico de 7.376 MW médios na semana
Na programação do Programa Mensal de Operação (PMO) para a semana operativa de 24 a 30 de outubro, o ONS prevê despacho térmico total de 7.376 MW médios. Desse volume, 6.874 MW médios correspondem à geração por inflexibilidade, enquanto 502 MW médios são associados à ordem de mérito.
O custo de operação esperado para a semana é de R$ 652,6 milhões. Para as semanas seguintes de outubro, o informe estima custo médio de R$ 408,2 milhões por semana. O operador ressalta que esses valores são indicativos e podem mudar conforme os resultados da programação diária e as condições operativas.
A programação térmica integra o planejamento operativo e deve ser analisada em conjunto com as condições hidrológicas, os níveis de armazenamento e a evolução da carga. As projeções mensais e semanais, contudo, têm horizontes distintos e podem ser atualizadas conforme a entrada de novas informações.
Projeções combinam revisão da carga e diferenças hidrológicas
A redução da estimativa de crescimento da carga e a revisão do armazenamento no Sudeste/Centro-Oeste são variáveis relevantes para o acompanhamento das condições de atendimento do sistema elétrico em outubro.
Embora as previsões de afluência permaneçam acima da média histórica no Sudeste/Centro-Oeste e no Sul, os percentuais não representam diretamente o nível dos reservatórios. O armazenamento também depende das condições anteriores, da geração hidrelétrica e da evolução da operação ao longo do período.
As revisões do ONS permitem acompanhar a evolução dessas variáveis e seus efeitos sobre o planejamento da operação do SIN.


