Centro de Operação em Tucuruí (PA) assume comando unificado de sete usinas para otimizar despacho com o ONS e equilibrar renováveis no SIN
A AXIA Energia concluiu a migração do comando operacional do seu parque gerador na Região Norte, concentrando a supervisão e o controle de sete usinas hidrelétricas no Centro de Operação de Tucuruí (PA). A reestruturação foi finalizada com a transferência das operações das UHEs Teles Pires e Colíder, anteriormente geridas a partir de Brasília, para a estrutura paraense.
Com a mudança, o centro tucuruiense passa a coordenar de forma unificada 11,2 GW de capacidade instalada. Além de Teles Pires e Colíder, o complexo engloba as usinas de Tucuruí, Balbina, Samuel, Coaracy Nunes e Curuá-Una, padronizando procedimentos de engenharia, governança e tempos de resposta do portfólio amazônico.
Ao avaliar o papel estratégico da integração geográfica do comando, o presidente da AXIA Energia na Região Norte, Antonio Pardauil, destaca os ganhos de eficiência na gestão dos ativos: “A concentração da operação das sete usinas em Tucuruí é uma decisão estratégica para a AXIA Energia aqui na região. Passamos a ter um centro dedicado ao comando desse conjunto, com procedimentos comuns e foco na otimização da operação. Nosso objetivo é dar mais agilidade às respostas e consistência à gestão operacional.”
Supervisão em tempo real, ONS e suporte a renováveis
A partir do centro em Tucuruí, os operadores executam a distância comandos de partida e parada de máquinas, modulação de potência e controle de comportas dos reservatórios e vertedouros, como o de Teles Pires, na divisa entre Mato Grosso e Pará. A operação atua em sintonia contínua com as diretrizes diárias e em tempo real do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Além do atendimento à carga programada do Sistema Interligado Nacional (SIN), a centralização fortalece o papel das hidrelétricas como reserva de capacidade e suporte de flexibilidade para o sistema. As máquinas da Região Norte são acionadas para compensar variações de rampa da geração eólica e solar fotovoltaica nas demais regiões do país.
A coordenadora do Centro de Operação em Tucuruí, Jureny Costa, detalha os requisitos técnicos envolvidos na operação remota ininterrupta: “A partir de Tucuruí, supervisionamos em tempo real as usinas da AXIA na região Norte e realizamos remotamente os principais comandos da operação. Partimos e paramos unidades geradoras, ajustamos a potência, monitoramos continuamente as condições hidrológicas. Mesmo a quilômetros de distância, o operador precisa manter uma visão completa das condições da usina para tomar decisões e executar cada comando com segurança e responsabilidade.”
Ininterruptilidade e governança socioambiental
O Centro de Operação funciona 24 horas por dia, com 17 especialistas operando em regime de turnos. A coordenação hidráulica exige a compatibilização dos requisitos de geração elétrica com condicionantes socioambientais rigorosas de cada bacia hydrográfica, incluindo a vazão ecológica a jusante de Tucuruí e o monitoramento da fauna e de quelônios no reservatório de Balbina.
Sobre a sinergia operacional entre equipes com diferentes históricos regionais, Pardauil conclui: “Cada uma dessas usinas tem sua história e suas particularidades, mas há desafios comuns a quem opera na Amazônia. Reunir seu comando em Tucuruí une capacidade operacional e conhecimento da região. Queremos que a experiência acumulada em cada instalação ajude a tomar decisões melhores para todo o conjunto.”



