PLD horário chega a R$ 1.437/MWh na ponta e expõe pressão sobre o sistema elétrico

Preço de curto prazo saltou do piso de R$ 57,31/MWh com disparo do Custo Marginal de Operação acima de R$ 1.500/MWh no início da noite; temperaturas elevadas aceleraram rampa de demanda.

O Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) horário atingiu o teto regulatório de R$ 1.437/MWh no início da noite desta quinta-feira (15), registrando uma variação de 2.409% após operar no piso de R$ 57,31/MWh durante as primeiras horas do dia. O salto tarifário ocorreu de forma simultânea em todos os submercados do Sistema Interligado Nacional (SIN), sinalizando a forte pressão operativa no momento de transição entre o declínio da geração fotovoltaica e o pico de consumo diário.

Os dados consolidados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) refletem a sensibilidade do mercado de curto prazo em episódios de rampa acentuada de carga. A perda repentina de oferta solar ao fim da tarde, combinada ao aumento da demanda no início da noite, exigiu rápida mobilização de recursos de flexibilidade para assegurar o equilíbrio do sistema.

CMO ultrapassa R$ 1.500/MWh sob estresse térmico

A escalada do PLD acompanhou o disparo do Custo Marginal de Operação (CMO), indicador calculado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) que afere o custo computacional para suprir o megawatt adicional de carga no SIN. Após permanecer zerado (R$ 0/MWh) na maior parte do período diurno, o CMO ultrapassou o patamar de R$ 1.500/MWh no intervalo entre 18h e 20h.

- Advertisement -

O fator determinante para a alta foi a elevação das temperaturas médias no país, que impulsionou a demanda por refrigeração comercial e residencial. O pico de consumo coincidiu diretamente com o ocaso solar, período em que a geração fotovoltaica da curva “pato” é descontratada e obriga o acionamento célere de termelétricas, hidrelétricas com capacidade de modulação e o escoamento de reservas operacionais.

Necessidade de flexibilidade sistêmica e resposta da demanda

O choque de preços no mercado de curto prazo traz ao centro dos debates setoriais a necessidade urgencial de aprimoramento dos atributos de flexibilidade e capacidade do SIN. A expansão contínua das fontes renováveis não despacháveis demanda maior presença de usinas hidrelétricas moduláveis, térmicas flexíveis, sistemas de armazenamento por baterias (BESS) e programas estruturados de Resposta da Demanda.

Para os agentes atuantes no Ambiente de Contratação Livre (ACL), a volatilidade intradia evidencia os riscos de exposição descontratada ao mercado SPOT sem proteção de modulação contratual. O evento também reforça a premência do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP) e da criação de valoração adequada aos serviços ancilares prestados ao operador do sistema.

Destaques da Semana

Artigos

Últimas Notícias