Edital selecionou cinco projetos para recuperar 500 hectares em GO, MG e DF, visando à redução de assoreamento e à resiliência hídrica de reservatórios estratégicos do SIN.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Comitê Gestor da Conta do Programa de Revitalização na área de Furnas selecionaram cinco projetos socioambientais para recuperar 500 hectares de áreas degradadas na bacia do rio Paranaíba e seus afluentes. Com aporte total de R$ 17,18 milhões e execução em até 48 meses, o edital Águas do Paranaíba atuará na recuperação de margens e nascentes em Goiás, Minas Gerais e no Distrito Federal.
As intervenções incidem na área de contribuição direta dos reservatórios das usinas hidrelétricas de Corumbá, Batalha, Serra do Facão e Itumbiara. O objetivo é conter a erosão, reduzir o carreamento de sedimentos e reforçar a resiliência hídrica do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Entidades selecionadas e vínculo com a desestatização da Eletrobras
A seleção integra a iniciativa Floresta Viva, gerida pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio). Cada uma das cinco instituições selecionadas ficará responsável pela recuperação de 100 hectares:
- Rede Sementes do Cerrado (RSC): R$ 5,21 milhões;
- Associação Aliança Tropical de Pesquisa da Água (TWRA): R$ 3,22 milhões;
- Fundação Pró-Natureza (Funatura): R$ 3 milhões;
- Instituto Cerrado e Sociedade (ICS): R$ 2,88 milhões;
- Consórcio Cerrado das Águas (CCA): R$ 2,87 milhões.
O financiamento deriva das obrigações estabelecidas pela Lei nº 14.182/2021, que autorizou a privatização da Eletrobras (atual Axia Energia). A legislação determina a aplicação de R$ 2,3 bilhões ao longo de dez anos em ações de revitalização das bacias na calha de influência de Furnas, sob diretrizes de comitê interministerial do Governo Federal.
Impacto na operação e conservação dos reservatórios
A recomposição da vegetação ciliar e das cabeceiras de rios favorece a infiltração de água no solo e limita o assoreamento dos reservatórios. Embora a restauração ambiental não garanta por si só o aumento do volume de afluências, ela atenua a degradação da capacidade de regularização das usinas.
O coordenador-geral de Recursos Hídricos da Secretaria Nacional de Energia Elétrica do MME, Wilson Rodrigues, avalia o ganho operacional da medida: “A Bacia do Paranaíba tem papel fundamental na geração hidrelétrica e na segurança do SIN, e a recuperação das nascentes, dos solos e da vegetação contribui para preservar a capacidade de produção e regularização da água que chega aos reservatórios. Ao fortalecer as condições hidroambientais da região, estamos contribuindo para a recuperação dos reservatórios, para a manutenção da capacidade de armazenamento e para uma maior resiliência do sistema diante dos períodos de menor disponibilidade hídrica.”
O diretor de Relações Institucionais da Axia Energia, Bruno Eustáquio de Carvalho, acrescenta que o projeto alinha conservação ao ativo gerador da companhia: “A recuperação e a conservação das florestas estão diretamente associadas à proteção das bacias hidrográficas e à melhoria das condições dos ecossistemas. Para a Axia Energia, cuja geração é majoritariamente hidrelétrica, é uma satisfação estar presente em projetos que combinam restauração ambiental, desenvolvimento local e benefícios de longo prazo.”
Com esse edital, o programa Floresta Viva ultrapassa R$ 446 milhões em aportes contratados no país, prevendo a restauração de mais de 11,2 mil hectares.



