Sistema de combustão centralizada em Abaeté trata gases da carbonização da madeira sem necessidade de combustível fóssil auxiliar e elimina fumaça visível e odores do processo.
A Vallourec iniciou a operação de um sistema de combustão centralizada na unidade florestal da Fazenda Aldeia, em Abaeté (MG), para reduzir as emissões atmosféricas da produção de carvão vegetal. A tecnologia apresentou eficiência de remoção de 99,3% do metano (CH₄) e 99,98% do monóxido de carbono (CO), conforme medições técnicas divulgadas pela companhia.
O projeto integra a estratégia ambiental da fabricante de tubos de aço sem costura e atua em uma etapa relevante para sua cadeia siderúrgica: a carbonização da madeira utilizada na produção de carvão vegetal, empregado como agente redutor na fabricação de ferro-gusa. A iniciativa também foi viabilizada por meio do diálogo entre a empresa, a Associação de Moradores da Comunidade de São Sebastião da Aldeia e o Ministério Público de Minas Gerais.
Queimador central aproveita energia dos gases
O processo convencional de carbonização da madeira libera gases que, em sistemas tradicionais, podem ser direcionados à atmosfera pelas chaminés dos fornos. Na unidade de Abaeté, a Vallourec instalou uma rede de dutos de aproximadamente 300 metros para captar esses gases e conduzi-los a uma câmara de combustão centralizada.
No equipamento, temperaturas superiores a 600 °C promovem a oxidação dos compostos presentes na corrente gasosa, reduzindo a liberação de poluentes. O sistema utiliza a energia contida nos próprios gases da pirólise para sustentar a combustão, dispensando o uso de combustíveis fósseis auxiliares para manter a operação, conforme a empresa.
Os resultados informados indicam remoção de 99,98% do monóxido de carbono e de 99,3% do metano. Embora o título divulgado pela companhia destaque redução de até 99% nas emissões de metano, o índice de 99,3% corresponde à eficiência de remoção reportada para esse gás.
O diretor de Matérias-Primas da Vallourec América do Sul, Jun Mutó, associa a implantação à busca por melhorias ambientais mensuráveis na operação industrial: “O Queimador Central representa um importante avanço para as nossas operações e reforça o compromisso da Vallourec com a inovação, a melhoria contínua e a sustentabilidade. Estamos muito orgulhosos da conclusão deste projeto, que responde a um desafio operacional com resultados ambientais concretos e mensuráveis, demonstrando como a tecnologia pode contribuir para uma operação cada vez mais eficiente e sustentável.”
Tecnologia reduz fumaça e odores na comunidade
Além do efeito sobre as emissões gasosas, a empresa informa que o sistema eliminou a fumaça visível e os odores característicos da carbonização na unidade. A mudança busca reduzir os impactos da atividade sobre as comunidades vizinhas e melhorar as condições ambientais no entorno da operação.
O gerente de Projetos da Vallourec América do Sul, Marcelo Fontan, descreve os efeitos observados após a entrada em funcionamento da infraestrutura: “Além da significativa redução desses gases, as mudanças são perceptíveis no funcionamento diário. O gás anteriormente gerado no processo de carbonização não é mais emitido pelas chaminés do forno, e os odores associados à atividade foram eliminados. Na saída do queimador, o que se observa é essencialmente a emissão de ar quente.”
A estrutura inclui fundação de concreto armado, dutos, tijolos refratários e mantas de isolamento térmico. A exaustão final ocorre por uma chaminé metálica de 30 metros de altura e dois metros de diâmetro.
Fontan também destaca a participação da comunidade na construção da solução, que combinou intervenções de engenharia e articulação institucional: “A implementação do Queimador Central é um exemplo de como inovação, engenharia e diálogo podem ser combinados para gerar ganhos ambientais e sociais concretos onde a empresa opera.”
Carvão vegetal e descarbonização da siderurgia
O carvão vegetal é utilizado como agente redutor em processos siderúrgicos e pode contribuir para reduzir a dependência de carvão mineral de origem fóssil, dependendo da origem da biomassa e das condições de produção. Entretanto, a pegada climática do insumo depende de fatores como manejo florestal, uso da terra, eficiência da carbonização e emissões ao longo da cadeia produtiva.
Nesse contexto, o tratamento dos gases gerados na carbonização constitui uma frente específica de mitigação ambiental. O metano tem potencial de aquecimento global significativamente superior ao do dióxido de carbono em horizontes de avaliação usuais, enquanto o monóxido de carbono é um poluente tóxico que também participa de processos químicos atmosféricos.
A Vallourec não informou, no material divulgado, o volume absoluto de emissões evitadas por ano, a capacidade total de tratamento do equipamento ou o investimento realizado. Esses indicadores permitiriam dimensionar o efeito climático do projeto e avaliar sua contribuição para as metas de descarbonização da companhia.



