Novos índices entram em vigor nesta semana para cerca de 905 mil unidades consumidoras em São Paulo, Minas Gerais e Paraná; custos com transmissão e encargos financeiros impulsionaram alta.
A diretoria colegiada da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou, nesta terça-feira (14), a Revisão Tarifária Periódica (RTP) da Energisa Sul-Sudeste (ESS). A decisão, tomada em reunião pública ordinária do regulador, estabelece um efeito médio de 9,63% a ser percebido pelos consumidores da distribuidora. Os novos valores passam a vigorar retroativamente a partir de 12 de julho de 2026.
A concessionária, que tem sede em Presidente Prudente (SP), é responsável pelo atendimento de aproximadamente 905 mil unidades consumidoras distribuídas em municípios do interior de São Paulo, do sul de Minas Gerais e do norte do Paraná.
A homologação dos novos índices ocorreu após o período de análise das contribuições recolhidas pela ANEEL entre os dias 24 de abril e 8 de junho de 2026, por meio da Consulta Pública nº 10/2026, instrumento que colheu subsídios técnicos da sociedade, de agentes do setor e de órgãos de defesa do consumidor antes da decisão final da diretoria colegiada.
Impactos segregados por classe de consumo
A revisão tarifária aprovada pela agência reguladora apresentou variações pontuais quando desagregada pelas diferentes classes de consumo atendidas pela distribuidora no mercado cativo.
Para a alta tensão, que engloba principalmente consumidores industriais e de médio e grande porte comercial, a variação média ficou definida em 9,99%. Já os consumidores conectados na rede de baixa tensão terão um impacto médio de 9,49%, sendo que o reajuste específico para a classe residencial (subgrupo B1) foi fixado em 9,60%.
A tabela abaixo detalha os índices aprovados pela agência reguladora para a distribuidora:
| Subgrupo / Classe de Consumo | Índice de Reajuste Aprovado |
| Consumidores Residenciais (B1) | 9,60% |
| Média da Baixa Tensão | 9,49% |
| Média da Alta Tensão | 9,99% |
| Efeito Médio ao Consumidor | 9,63% |
Custos de rede e encargos financeiros ditam a alta
Diferente dos reajustes tarifários anuais, que apenas corrigem os custos de parcela A (não controláveis) e atualizam a parcela B (controláveis) por índices de inflação, a Revisão Tarifária Periódica ocorre a cada quatro ou cinco anos e reavalia a base de ativos e a estrutura de custos de longo prazo da concessionária para assegurar o equilíbrio econômico-financeiro do contrato.
No caso da Energisa Sul-Sudeste, a composição do índice de reajuste foi fortemente pressionada por fatores estruturais do setor elétrico. De acordo com a análise técnica detalhada pela ANEEL, os componentes que mais exerceram pressão de alta sobre as tarifas foram os custos relacionados ao transporte de energia, que envolvem o uso das redes de transmissão e distribuição, somados ao peso dos encargos e componentes financeiros acumulados no último ciclo tarifário da empresa.
Esses custos, classificados como não gerenciáveis pela distribuidora, refletem os investimentos na expansão da rede básica nacional e a dinâmica macroeconômica do setor de transmissão, cujo custo é rateado proporcionalmente entre as distribuidoras do país.



