Cox estreia com força no mercado americano e capta US$ 2 bilhões em emissão recorde para refinanciar aquisição no México

Demanda de US$ 8 bilhões impulsiona operação 144A/Reg S e consolida estratégia de longo prazo após compra da Iberdrola México

A Cox concluiu sua estreia no mercado de dívida dos Estados Unidos com uma emissão de US$ 2 bilhões no formato 144A/Reg S, consolidando uma das operações mais relevantes recentes entre emissores latino-americanos. A forte demanda, cerca de US$ 8 bilhões, levou a companhia a ampliar o volume inicialmente previsto de US$ 1,5 bilhão, além de obter condições mais competitivas de financiamento.

A transação marca não apenas o acesso a um dos mercados mais seletivos do mundo, mas também o reconhecimento da estratégia adotada pela empresa após a aquisição da Iberdrola México, concluída semanas antes.

Com participação de mais de 200 investidores institucionais, majoritariamente norte-americanos e com perfil “long only”, a operação registrou um nível de oversubscription superior a cinco vezes o volume inicial, sinalizando confiança na capacidade de geração de caixa e disciplina financeira da companhia.

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Refinanciamento rápido reduz risco e alonga perfil da dívida

O principal objetivo da emissão foi substituir o crédito ponte de US$ 2,65 bilhões utilizado na aquisição dos ativos mexicanos. Com a operação, a Cox refinanciou cerca de dois terços desse montante, enquanto o restante já está coberto por financiamento de longo prazo junto a instituições financeiras.

Em um intervalo de apenas duas semanas após o fechamento da aquisição, a companhia migrou integralmente de uma estrutura de dívida de curto prazo para um perfil de longo prazo, com vencimentos entre cinco e dez anos e cupons de 7,125% e 7,75%.

A estratégia reduz significativamente o risco financeiro e alinha o serviço da dívida à geração de caixa operacional dos ativos, elemento crítico para sustentar a desalavancagem e a previsibilidade financeira.

Plataforma mexicana amplia escala e previsibilidade operacional

A aquisição da Iberdrola México posiciona a Cox como uma utility integrada no país, combinando geração e comercialização de energia em uma única estrutura. A plataforma incorpora cerca de 3,9 GW de capacidade instalada, com ativos diversificados e vida útil média superior a 27 anos.

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Além da base de geração, o portfólio inclui uma operação de fornecimento com mais de 25% de participação de mercado, atendendo mais de 500 clientes, em sua maioria com grau de investimento, contratos de longo prazo e índices reduzidos de inadimplência.

Esse modelo integrado permite mitigar riscos de mercado e otimizar margens, ao mesmo tempo em que garante elevada previsibilidade de receitas, característica particularmente valorizada por investidores institucionais.

Demanda global por energia sustenta tese de investimento

O movimento da Cox ocorre em um contexto de fundamentos robustos no mercado elétrico mexicano, marcado por crescimento consistente da demanda e limitações estruturais na expansão da oferta. A expectativa de duplicação do consumo até 2039 reforça a atratividade de ativos com capacidade instalada e contratos de longo prazo.

Esse cenário, aliado à estabilidade regulatória e ao ambiente macroeconômico, contribui para a percepção positiva dos investidores internacionais em relação ao país e aos ativos adquiridos.

Estrutura de capital reforça ambição de longo prazo

A nova configuração financeira marca um ponto de inflexão na trajetória da companhia, que passa a operar com maior escala e diversificação. A integração dos ativos mexicanos ao portfólio global, que inclui concessões de água e energia, eleva o peso de receitas recorrentes e previsíveis.

Em termos proforma, a Cox teria alcançado um EBITDA de aproximadamente 750 milhões de euros em 2025, impulsionado pela incorporação da operação no México. O negócio de ativos passa a representar mais de 90% desse resultado, consolidando o perfil da empresa como operadora de infraestrutura.

Ao avaliar o impacto da operação, o presidente executivo da Cox, Enrique Riquelme, destacou o fortalecimento estrutural da companhia: “a incorporação da Iberdrola México e a nova estrutura de capital reforçam significativamente nosso perfil operacional e financeiro. Contamos com uma sólida base de capital para executar nosso plano estratégico com disciplina e seguir gerando valor no longo prazo”.

Credibilidade e execução sustentam acesso ao mercado

A operação também reflete a consistência na execução do plano estratégico desde a abertura de capital da companhia, em 2024. A Cox vem avançando na expansão internacional, desenvolvimento de ativos e fortalecimento de sua estrutura financeira, incluindo a obtenção de rating de grau de investimento.

Nacho Moreno, CEO da companhia, ressaltou o significado da operação para o posicionamento global da empresa: “a execução desta operação no mercado americano e o nível de demanda refletem o sólido posicionamento que a Cox construiu em um período muito curto de tempo. Não há melhor forma de estrear no mercado americano, o mais difícil de acessar, do que receber US$ 8 bilhões em demanda, ampliar o tamanho da operação, reduzir o custo e ainda ter a capacidade de selecionar os investidores com quem compartilharemos nosso caminho no futuro”.

Na sequência, o executivo enfatizou a velocidade da reestruturação financeira: “Em apenas duas semanas, concluímos a transição de um financiamento ponte para uma estrutura de capital de longo prazo, com o respaldo de investidores e instituições financeiras de primeira linha”.

Integração entre energia, capital e infraestrutura

A emissão reforça uma tendência mais ampla no setor de energia: a crescente dependência de acesso a mercados internacionais de capital para viabilizar aquisições e expansão de ativos em larga escala.

Para empresas de infraestrutura energética, especialmente em mercados emergentes, a capacidade de estruturar financiamentos de longo prazo com investidores globais tornou-se um diferencial competitivo, tanto para reduzir custo de capital quanto para sustentar ciclos de crescimento.

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