Impulsionado pela adesão de quase 20 mil novos consumidores, Ambiente de Contratação Livre (ACL) movimentou R$ 283 bilhões e absorveu 70% da geração renovável do país.
O mercado livre de energia elétrica consolidou sua trajetória de expansão em 2025, atingindo marcas históricas que reforçam o processo de abertura e liberalização do setor no Brasil. De acordo com o mais recente Boletim Anual da Energia Livre, publicado pela Abraceel (Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia), o consumo médio no ambiente competitivo alcançou 30.575 MW médios, uma alta de 8% na comparação com o ano anterior.
Com esse desempenho, o mercado livre passou a representar 42% de toda a carga de eletricidade consumida no Brasil ao longo do ano passado. O salto é reflexo direto da maior flexibilidade regulatória, que permitiu a uma base mais ampla de consumidores industriais e comerciais migrar para o ACL em busca de preços mais dinâmicos e gestão customizada de seus portfólios de energia.
Recorde de migrações e capilaridade regional
O balanço de 2025 revela que a base de clientes no mercado livre experimentou um crescimento robusto de 29% em apenas doze meses. Ao todo, 18.928 novas unidades consumidoras deixaram o mercado cativo das distribuidoras, elevando o total acumulado para 83.425 unidades em todo o território nacional.
Geograficamente, a movimentação foi liderada pelos estados de São Paulo, que registrou 5.454 novas migrações, seguido por Paraná (2.039), Minas Gerais (1.550), Rio Grande do Sul (1.399) e Rio de Janeiro (1.038). Juntas, essas cinco federações responderam por 61% do volume total de novos ingressantes no ambiente livre, evidenciando a concentração da demanda nas regiões Sul e Sudeste, polos de maior atividade industrial e comercial do país.
Protagonismo no financiamento de fontes renováveis
Para além do volume de consumo, o mercado livre se consolidou como o principal viabilizador econômico da transição energética brasileira. O Boletim destaca que o ambiente competitivo absorveu 70% da geração consolidada de fontes eólicas, solares centralizadas, biomassa e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs).
A dominância é nítida em fontes específicas: o ACL adquiriu 92% da produção das usinas a biomassa e 91% das solares centralizadas. No segmento eólico, 62% da energia gerada foi direcionada para contratos no mercado livre, enquanto as PCHs destinaram 57% de sua produção ao ambiente. Esses números comprovam que a expansão da matriz limpa no Brasil está intrinsecamente ligada à liquidez e à demanda do mercado competitivo.
Movimentação financeira e impacto econômico
Em termos monetários, o dinamismo do setor traduziu-se em um faturamento recorde. O mercado livre de energia movimentou R$ 283 bilhões em 2025, o que representa um crescimento nominal expressivo de 46% em relação a 2024. Este incremento reflete não apenas o maior volume de energia comercializada, mas também a maior complexidade das operações de compra e venda e a maturidade dos agentes comercializadores.
A Abraceel ressalta que esses resultados ratificam o sucesso da agenda de liberalização. O amadurecimento do mercado tem permitido que uma parcela cada vez maior da sociedade brasileira acesse as vantagens de um ambiente de contratação que prioriza a competitividade, a sustentabilidade e a inovação financeira, elementos essenciais para a modicidade tarifária no longo prazo e para o desenvolvimento da infraestrutura elétrica nacional.



