Nova estrutura aprovada pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica amplia Conselho para oito integrantes e reforça transparência e governança no mercado livre de energia brasileiro
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) concluiu nesta quinta-feira (12) a eleição do seu novo Conselho de Administração (CAd), marcando o início de uma nova fase na governança institucional da entidade responsável pela comercialização de energia no Brasil.
A Assembleia Geral Ordinária (AGO) que definiu a nova composição do colegiado ocorre em um momento estratégico para o setor elétrico, caracterizado pela expansão do mercado livre de energia, aumento da complexidade regulatória e crescimento do número de agentes participantes.
No processo eleitoral, Alexandre Ramos foi eleito presidente do Conselho de Administração, após indicação do governo e aprovação dos associados da Câmara. O executivo assume o comando do órgão colegiado responsável pelas diretrizes estratégicas da instituição.
A eleição ocorre poucos meses após a homologação, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), do novo estatuto social da CCEE, aprovado em janeiro deste ano e registrado oficialmente pela entidade nesta semana.
Nova governança amplia Conselho e separa funções estratégicas e executivas
A reforma estatutária representa uma das mudanças mais relevantes na estrutura institucional da CCEE desde sua criação. A nova configuração amplia o Conselho de Administração para oito integrantes, fortalecendo mecanismos de governança e qualificação técnica nas decisões estratégicas.
Entre os principais objetivos da nova estrutura estão:
- ampliar a transparência institucional;
- aprimorar os processos decisórios da Câmara;
- consolidar a separação entre o papel estratégico do Conselho e a atuação executiva da Diretoria.
Para o setor elétrico, o novo modelo é visto como um passo importante para fortalecer a robustez institucional da entidade, especialmente em um momento de expansão acelerada do mercado livre de energia e transformação regulatória no Brasil.
A expectativa entre agentes do mercado é que a nova governança contribua para maior previsibilidade regulatória e eficiência operacional no funcionamento da Câmara.
Representação ampliada dos segmentos do setor elétrico
A composição do novo Conselho de Administração busca refletir a diversidade de agentes que atuam no mercado de energia brasileiro. Além do presidente do colegiado, o CAd conta com representantes indicados pelo governo federal e pelos principais segmentos do setor elétrico: distribuição, geração, comercialização e consumo.
Entre os representantes do governo federal eleitos como conselheiros titulares estão:
- Arthur Valério
- Carlos Zarzur
- Ricardo Tili
Os respectivos suplentes são Fernando Colli, João Daniel Cascalho e Isabela Vieira.
Segmentos do mercado elegem representantes no Conselho
Os demais integrantes do Conselho foram escolhidos para representar os diferentes segmentos da cadeia elétrica.
No segmento de distribuição, foi eleito Bilac Pinto Neto, ex-deputado federal indicado por Cemig e Amazonas Energia. O executivo recebeu 93,83% dos votos dos associados, tendo como suplente Eduardo Capelastegui, da Neoenergia.
A vaga destinada ao segmento de geração ficou com Ítalo Freitas, indicado pela Axia Energia. O processo eleitoral também contou com a participação de Marcelo Cruz, da Eneva, e de Eduardo Sattamini, da Engie Brasil Energia. O suplente da cadeira será o próprio Sattamini.
Para representar o segmento de comercialização, os associados elegeram Rodrigo Ferreira, indicado pela Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel). O suplente da posição será José Carlos Aleluia.
Já a cadeira destinada aos consumidores ficou com Gustavo Checcucci, indicado pela Hydro Alunorte. O suplente será Paulo Pedrosa, presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace).
Governança reforça papel da CCEE na expansão do mercado livre
A reestruturação da governança da CCEE ocorre em um momento de profundas transformações no setor elétrico brasileiro.
Nos últimos anos, o mercado livre de energia tem registrado crescimento acelerado, impulsionado pela migração de consumidores para o Ambiente de Contratação Livre (ACL), pela ampliação da competição entre comercializadores e pelo aumento da complexidade das operações no mercado.
Nesse cenário, a Câmara tem assumido papel cada vez mais estratégico na liquidação financeira do mercado, na gestão de contratos e na governança das operações comerciais de energia no país.
A expectativa de agentes do setor é que a nova estrutura do Conselho fortaleça a capacidade institucional da entidade para lidar com desafios como a modernização do setor elétrico, a expansão das fontes renováveis e a evolução das regras de comercialização de energia no Brasil.



