Cibersegurança inteligente: Como a IA assume o controle da defesa em infraestruturas de energia

No UTCAL Summit 2026, Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe, alerta para o colapso das defesas estáticas e apresenta nova metodologia focada em sistemas ciberfísicos e inteligência artificial.

O avanço acelerado da Inteligência Artificial (IA) provocou uma ruptura definitiva no campo da proteção digital de infraestruturas críticas. Com ataques automatizados capazes de evoluir em tempo real, as barreiras convencionais do setor elétrico e de utilities tornaram-se obsoletas. Este cenário de vulnerabilidade será o foco central da participação da TI Safe no UTCAL Summit 2026, evento que acontece entre 17 e 20 de março no Rio de Janeiro.

O debate ganha urgência em um momento em que redes inteligentes (smart grids), cidades conectadas e automação industrial integram o cotidiano das concessionárias. A obsolescência das defesas tradicionais não significa o fim da proteção, mas a necessidade de uma mudança drástica de paradigma: a transição para a segurança cibernética inteligente.

O colapso das barreiras estáticas frente à IA

O desafio reside na assimetria tecnológica. Enquanto as defesas tradicionais operam de forma reativa, os novos ataques utilizam IA para contornar protocolos de segurança com velocidade sobre-humana. O especialista em cybersecurity para sistemas críticos e CEO da TI Safe, Marcelo Branquinho, descreve a fragilidade do modelo atual:

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“A segurança cibernética tradicional, na forma como é implementada atualmente, demonstra eficácia limitada contra os ataques impulsionados por IA. Estes ataques, caracterizados por sua capacidade de contornar as barreiras de proteção convencionais, empregam técnicas polimórficas e mutáveis, executadas em tempo real. O objetivo da palestra é elucidar como os ataques baseados em IA conseguem superar as defesas tradicionais, demonstrando a possibilidade de invadir sistemas, desde que haja tempo e intenção para tal.”

Metodologia iCPS: A proteção de Sistemas Ciberfísicos

Para enfrentar este novo cenário, a proposta é inverter a lógica de defesa, colocando a IA no centro da estratégia. A metodologia iCPS Cybersecurity surge como uma resposta direta para ambientes onde a Tecnologia da Informação (TI) se funde com a Tecnologia Operacional (TO), criando os chamados Sistemas Ciberfísicos (CPS).

“Com o avanço dessas tecnologias, também evoluíram as ameaças cibernéticas, que passaram a utilizar inteligência artificial para automatizar etapas de ataque como reconhecimento, exploração de vulnerabilidades e execução de invasões. Nesse cenário, modelos tradicionais de segurança, baseados em defesas estáticas, tornam-se insuficientes para lidar com ameaças cada vez mais dinâmicas e sofisticadas”, analisou o executivo.

O “Contexto Operacional” como motor de defesa

Diferente das soluções genéricas, a nova abordagem utiliza o chamado “contexto operacional” do cliente. Isso inclui desde políticas de segurança até logs de sistemas e resultados de auditorias, permitindo que a IA aprenda a realidade específica de cada organização para refinar sua detecção.

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“A metodologia utiliza um grande volume de dados operacionais do cliente, chamado de contexto operacional, que reúne informações estratégicas como políticas e procedimentos de segurança, resultados de auditorias, registros de incidentes, interações com usuários, logs de sistemas, configurações tecnológicas e até resultados de treinamentos internos. A partir desse conjunto de dados, a plataforma analisa continuamente o ambiente protegido, identifica riscos e maturidade de segurança e recomenda ou executa respostas adequadas para cada situação. Todas as ações realizadas alimentam continuamente o sistema com novos dados, permitindo que a inteligência artificial aprenda com a realidade específica de cada organização e refine continuamente sua capacidade de detecção e resposta”, explica Marcelo Branquinho.

Plataforma Safer: A gestão cognitiva das utilities

A operacionalização deste modelo de “Cibersegurança 2.0” ocorre através da Plataforma Safer. A tecnologia atua como o núcleo de gestão, unificando a visibilidade de ambientes em nuvem, IoT e infraestruturas críticas, garantindo a conformidade com padrões internacionais como o NIST CSF e a IEC 62443.

“Trata-se de uma solução integrada de cibersegurança voltada à proteção de sistemas ciberfísicos em ambientes críticos. A plataforma unifica a gestão de tecnologias de TI, tecnologia operacional (TO), IoT e ambientes em nuvem, permitindo a detecção precoce de ameaças, a resposta automatizada a incidentes e a manutenção de conformidade contínua com padrões de segurança. Implantada diretamente no ambiente do cliente e operando com monitoramento especializado 24 horas por dia, a solução oferece maior resiliência operacional, governança em tempo real e suporte à continuidade do negócio”, destaca o CEO.

O debate completo sobre o futuro da proteção digital de infraestruturas críticas poderá ser conferido no dia 18 de março, às 15h30, durante o UTCAL Summit no Rio de Janeiro.

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