ONS revisa para baixo projeções de chuvas e alerta para queda em reservatórios em janeiro

Afluências no Sudeste/Centro-Oeste devem atingir apenas 65% da média histórica, frustrando expectativas iniciais para o período úmido e pressionando o nível de armazenamento.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) revisou drasticamente as projeções de afluências para o mês de janeiro, sinalizando um cenário mais crítico para os principais reservatórios do país. De acordo com o novo boletim do Programa Mensal de Operação (PMO), divulgado nesta sexta-feira (9/1), a Energia Natural Afluente (ENA) no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, considerado o coração do Sistema Interligado Nacional (SIN), deve atingir apenas 65% da Média Longo Termo (MLT).

A nova estimativa representa um recuo severo em relação aos 82% previstos na semana anterior. O descompasso hídrico em um dos meses tradicionalmente mais chuvosos do ano impacta diretamente o estoque de energia: a expectativa é que os reservatórios da região encerrem janeiro com 46,7% de sua capacidade total, patamar significativamente abaixo dos 52% projetados há apenas sete dias.

Déficit hídrico atinge quase todas as regiões

O cenário de escassez hídrica não está restrito ao Sudeste. O Operador revisou para baixo as afluências em quase todos os subsistemas, com exceção do Sul, que permanece como o único ponto de neutralidade climática, com previsão de 102% da média histórica.

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No Nordeste, as projeções recuaram para 41% da MLT, enquanto no Norte a frustração de chuvas foi ainda mais acentuada, caindo de uma estimativa de 90% para apenas 59% em uma semana. Esses índices indicam que o “enchimento” esperado para o verão está ocorrendo de forma muito mais lenta do que o planejado, o que pode exigir uma gestão mais conservadora dos recursos hídricos ao longo do primeiro semestre de 2026.

Carga resiliente aumenta pressão sobre o sistema

Enquanto a oferta de água diminui, a demanda por energia segue o caminho inverso. Impulsionada pelas altas temperaturas do verão, a carga nacional deve registrar um crescimento de 1,6% em janeiro, alcançando a média de 84.655 megawatts (MW médios). Na última revisão, o ONS esperava uma expansão ligeiramente menor, de 1,4%.

Essa combinação de menor oferta hídrica e maior consumo pressiona o custo marginal de operação e o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). Se a trajetória de afluências baixas persistir nas próximas revisões semanais, o sistema poderá intensificar o acionamento de usinas termelétricas para garantir a segurança do suprimento e preservar os níveis dos reservatórios hidrelétricos para os meses de seca.

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