Fornecimento irregular, uso de geradores e furtos de cabos expõem fragilidades da rede elétrica e ampliam prejuízos para moradores e comércio na Zona Sul do Rio
A interrupção no fornecimento de energia elétrica em trechos de Copacabana e do Leme entrou no terceiro dia consecutivo nesta segunda-feira, contrariando o anúncio da Light de que o serviço teria sido normalizado na noite de domingo. Relatos de moradores e comerciantes indicam que a energia segue ausente ou instável em diferentes pontos dos dois bairros da Zona Sul do Rio de Janeiro, com impactos diretos sobre a rotina da população, a atividade econômica e a sensação de segurança.
Desde a tarde de sábado, consumidores convivem com oscilações, apagões prolongados e soluções emergenciais, como o uso de geradores. Em alguns casos, o fornecimento chegou a ser parcialmente restabelecido, mas voltou a falhar horas depois, configurando um quadro de instabilidade que se estende por dias e dificulta a retomada das atividades normais.
Regiões afetadas e operação com geradores
As queixas mais recorrentes se concentram na Avenida Prado Junior, em trechos da Avenida Nossa Senhora de Copacabana e da Rua Belford Roxo, além da comunidade Chapéu Mangueira, no Leme. Em vários desses pontos, equipamentos de geração provisória foram instalados para suprir temporariamente a ausência de energia elétrica, o que evidencia a gravidade da ocorrência e a complexidade da recomposição do sistema.
Nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira, técnicos responsáveis pela instalação desses equipamentos informaram que os geradores foram colocados pela própria Light para atender parte da demanda em Copacabana até a altura do Leme. Ainda assim, moradores relatam que a solução é insuficiente para garantir estabilidade e qualidade no fornecimento, com falhas recorrentes e limitação de carga para o uso doméstico e comercial.
Furtos de cabos e recomposição da rede
Diante das reclamações, a Light divulgou nota oficial nesta segunda-feira para explicar as causas do problema e detalhar as ações em curso. A concessionária atribuiu a interrupção a furtos de cabos, que teriam provocado danos severos à rede elétrica que atende a região.
Ao contextualizar a situação, a empresa afirmou que o fornecimento foi restabelecido após os episódios criminosos, mas que as equipes seguem atuando no local. Segundo a concessionária, trata-se de um trabalho complexo, que envolve não apenas a reposição de cabos, mas também o reforço da infraestrutura para garantir segurança operacional e confiabilidade do sistema elétrico.
A Light destacou ainda que o furto de cabos compromete diretamente o funcionamento da rede, gera prejuízos expressivos à população e exige intervenções técnicas detalhadas, o que demanda tempo para a recomposição total do sistema.
Impacto das ligações irregulares nas comunidades
Em relação às comunidades atendidas pela rede, especialmente no Chapéu Mangueira, a concessionária buscou contextualizar um fator adicional que, segundo a empresa, dificulta a normalização plena do fornecimento. Ao comentar a atuação das equipes na região, a Light afirmou:
“A região apresenta um alto índice de perdas não técnicas (ligações clandestinas). Com o restabelecimento do serviço, o uso irregular de energia sobrecarrega o sistema, comprometendo a estabilidade do fornecimento para os clientes regulares e dificultando a plena normalização operativa. Diante disso, parte das interrupções relatadas é consequência direta dessa sobrecarga na infraestrutura local.”
A declaração evidencia um problema estrutural recorrente em áreas urbanas densamente povoadas, onde perdas não técnicas e sobrecarga da rede afetam tanto a qualidade do fornecimento quanto a segurança do sistema elétrico como um todo.
Rotina comprometida e prejuízos acumulados
Apesar do posicionamento oficial da concessionária, moradores e comerciantes relatam que, na prática, o problema segue longe de uma solução definitiva. Em diferentes pontos do Leme e de Copacabana, o fornecimento é descrito como intermitente, com apagões frequentes e distribuição desigual da energia dentro de um mesmo imóvel.
Uma moradora relatou os transtornos causados pela imprevisibilidade do serviço nos últimos dias. Segundo ela, o cenário é de incerteza: “Tem farmácia ainda sem luz, funcionando com meia porta aberta. Aqui em casa, a energia não estabiliza e fica oscilando o tempo todo”.
O relato ilustra o impacto direto sobre serviços essenciais e atividades comerciais, especialmente farmácias, bares, restaurantes e pequenos estabelecimentos que dependem de energia contínua para conservação de produtos, funcionamento de equipamentos e atendimento ao público.
Comércio, segurança e confiabilidade do sistema
Além das perdas financeiras, comerciantes apontam aumento da sensação de insegurança, sobretudo no período noturno, em função de ruas com iluminação pública precária ou inexistente. A necessidade de recorrer a geradores improvisados também eleva custos operacionais e expõe limitações da infraestrutura em situações de contingência.
Do ponto de vista setorial, o episódio reacende o debate sobre a resiliência das redes de distribuição em áreas de alta densidade urbana, a vulnerabilidade frente a furtos de cabos e a necessidade de investimentos contínuos em modernização, monitoramento e proteção dos ativos elétricos.
Enquanto equipes da Light seguem atuando na instalação de novos geradores e na recomposição da rede, moradores e comerciantes aguardam uma normalização efetiva do fornecimento, que permita o retorno à rotina e reduza os prejuízos acumulados desde o fim de semana.



