Pequenos reatores nucleares ganham espaço no debate energético: Câmara discute uso dos SMRs no Brasil

Audiência pública reunirá representantes da Marinha, Eletrobras, EPE, Eletronuclear e da indústria nuclear mundial para discutir como os pequenos reatores modulares podem fortalecer a segurança energética e acelerar a descarbonização da matriz brasileira

A discussão sobre o futuro da energia nuclear no Brasil ganha novo fôlego nesta terça-feira (21), às 16h, quando a Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados realiza uma audiência pública para debater os desafios e as oportunidades do uso dos pequenos reatores nucleares modulares (SMRs, na sigla em inglês). A iniciativa, proposta pelo deputado Julio Lopes (PP-RJ), busca ouvir autoridades e especialistas sobre o papel dessa tecnologia na diversificação e na segurança da matriz energética nacional.

O parlamentar destacou que a audiência tem o objetivo de colocar o Brasil em sintonia com o avanço mundial da tecnologia nuclear modular, ressaltando que o tema é estratégico para a soberania e o desenvolvimento industrial do país. “Os órgãos responsáveis pela execução e pelo planejamento energético precisam se manifestar sobre essa inovação, que pode colocar o Brasil em um novo patamar tecnológico e de segurança energética”, afirmou Lopes.

O que são os pequenos reatores modulares (SMRs)

Os SMRs (Small Modular Reactors) representam uma nova geração de usinas nucleares projetadas para serem mais seguras, eficientes e escaláveis. Com potência menor que os grandes reatores convencionais, os SMRs são montados em módulos de fábrica e podem ser transportados até o local de instalação, reduzindo custos e prazos de implantação.

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Além da maior flexibilidade operacional, esses sistemas prometem baixo impacto ambiental e emissões praticamente nulas de carbono, tornando-se uma alternativa relevante para países que buscam neutralidade climática sem abrir mão da estabilidade energética. No contexto brasileiro, a tecnologia pode complementar fontes intermitentes, como solar e eólica, e ampliar o suprimento em regiões remotas.

Audiência reunirá principais atores do setor nuclear e energético

A audiência contará com representantes de peso do governo e da indústria nuclear nacional e internacional. Entre os participantes confirmados estão:

  • André Augusto Campagnole dos Santos, da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), representando o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações;
  • Almirante de Esquadra Alexandre Rabello de Faria, Diretor-Geral do Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha do Brasil;
  • Alessandro Facure Neves de Salles Soares, Diretor-Presidente da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN);
  • Carlos Henrique Seixas, Presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (ABEN);
  • André Luiz Rodrigues Osório, Chefe de Gabinete da Presidência da Eletronuclear;
  • Thiago Ivanoski, Diretor de Estudos Econômico-energéticos e Ambientais da Empresa de Pesquisa Energética (EPE);
  • Vice-Almirante Carlos Alberto Matias, Diretor-Técnico da Amazônia Azul Tecnologias de Defesa (AMAZUL);
  • Marco Aurélio Vieira, Diretor Executivo do Instituto de Pesquisa em Gestão de Energia (IPEGEN);
  • Representantes da Eletrobras, da Corporação Estatal Russa de Energia Atômica (Rosatom) e da Operadora Russa de Usinas Nucleares (Rosenergoatom).

Também estarão presentes acadêmicos e representantes sindicais, como Giovanni Laranjo de Stefani, da Coppe/UFRJ, Glauciele Avelar, da Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep), e Augusto Emilio da Silva, do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Energia Elétrica de Paraty e Angra dos Reis (STIEPAR).

A ampla representatividade dos convidados demonstra que o tema envolve interesse nacional, econômico, tecnológico e ambiental, e que o Brasil busca alinhar-se ao debate global sobre novas fontes de energia limpa e estável.

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SMRs e a retomada de Angra 3: caminhos convergentes

Além da análise sobre o potencial dos SMRs, a audiência abordará também a retomada do projeto da usina nuclear Angra 3, cuja conclusão é considerada essencial para garantir o equilíbrio da geração elétrica e consolidar a base tecnológica nacional no setor. A expectativa é que a experiência acumulada com os reatores tradicionais da Eletronuclear sirva como base para o desenvolvimento futuro dos reatores modulares no país.

Especialistas avaliam que o Brasil reúne condições únicas para avançar na pesquisa e aplicação dessa tecnologia, desde o domínio do ciclo do combustível até o histórico de operação segura das unidades de Angra 1 e 2. A Marinha do Brasil, por exemplo, possui experiência consolidada no desenvolvimento de reatores de pequeno porte para propulsão naval, o que pode acelerar a adoção civil dos SMRs.

Energia nuclear como aliada da descarbonização

O uso de pequenos reatores modulares também é visto como um instrumento estratégico para a transição energética. A geração nuclear é uma das poucas fontes firmes e de baixa emissão capazes de complementar a intermitência das fontes renováveis, como solar e eólica, garantindo estabilidade e segurança no fornecimento.

A Associação Brasileira de Energia Nuclear (ABEN) vem defendendo que o Brasil amplie os investimentos em energia nuclear limpa e segura, argumentando que os SMRs podem reduzir a dependência de combustíveis fósseis e contribuir para as metas de neutralidade de carbono previstas até 2050.

Próximos passos para o Brasil

Com a realização da audiência pública, o Congresso Nacional reforça a importância de debater o papel da energia nuclear na transição energética brasileira.

Os reatores modulares, que já estão em estágio avançado de desenvolvimento em países como Estados Unidos, Canadá e Rússia, podem representar uma nova fronteira de inovação e soberania tecnológica para o Brasil.

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