EUA e Reino Unido firmam acordo para impulsionar a “era de ouro” da energia nuclear

Parceria Atlântica prevê aceleração na construção de usinas, criação de milhares de empregos e fortalecimento da segurança energética com apoio de investimentos privados bilionários

Os Estados Unidos e o Reino Unido estão prestes a formalizar um acordo considerado histórico para o setor energético global. Conhecida como Parceria Atlântica para a Energia Nuclear Avançada, a iniciativa promete inaugurar uma “nova era de ouro” da energia nuclear, com investimentos em usinas, empregos e segurança energética.

A assinatura será realizada durante a visita do presidente norte-americano, Donald Trump, ao Reino Unido, entre os dias 17 e 18 de setembro. A expectativa é que o acordo reduza a burocracia e acelere o processo de licenciamento de projetos nucleares civis, cortando prazos que hoje variam entre três e quatro anos para aproximadamente dois.

Energia limpa e desenvolvimento econômico

Segundo o governo britânico, a parceria com os EUA será fundamental para estimular a expansão da energia limpa, com foco em segurança energética e transição para uma matriz menos dependente de combustíveis fósseis.

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“Esta histórica parceria nuclear entre o Reino Unido e os Estados Unidos não se trata apenas de abastecer as nossas casas, mas também de impulsionar a nossa economia, as nossas comunidades e a nossa ambição”, afirmou o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, em comunicado.

Ele acrescentou que “estes compromissos importantes colocam-nos no caminho para uma era dourada da energia nuclear, que reduzirá as contas domésticas a longo prazo, ao mesmo tempo que criará milhares de bons empregos a curto prazo”.

Impacto direto no nordeste da Inglaterra

Um dos destaques do acordo será a implementação de até 12 reatores modulares avançados em Hartlepool, desenvolvidos pela X-Energy e Centrica. A meta é gerar energia suficiente para abastecer cerca de 1,5 milhão de residências e criar até 2.500 empregos na região de Teesside, no nordeste inglês.

O governo britânico estima que o programa global poderá alcançar 46 bilhões de euros em valor econômico, dos quais cerca de 13 bilhões de euros devem se concentrar na região nordeste.

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Chris O’Shea, presidente-executivo da Centrica, ressaltou o papel da cooperação internacional: “É ótimo que possamos cooperar com os nossos amigos nos EUA e ajudar a construir a experiência que temos no Reino Unido e nos EUA para acelerar as coisas”.

O executivo destacou ainda que espera que a expansão nuclear “traga preços muito estáveis para os consumidores do Reino Unido” a longo prazo. Segundo ele, “isto permitirá que mais pessoas tenham a certeza sobre os seus custos de energia e permitirá que elas planeiem melhor o futuro”.

Parcerias industriais e novos projetos

A colaboração transatlântica inclui a participação de grandes empresas dos dois países. A Rolls-Royce, do Reino Unido, e a BWXT, dos EUA, terão papel relevante na expansão do mercado nuclear civil.

Além disso, multinacionais como Last Energy e DP World irão cooperar no desenvolvimento de um reator micro modular no porto de London Gateway, apoiado por cerca de 80 milhões de euros em investimentos privados.

Outro projeto emblemático é o da Holtec, EDF e Tritax, que planejam reaproveitar a antiga usina a carvão de Cottam, em Nottinghamshire, transformando-a em um centro de gestão de dados com infraestrutura baseada em energia nuclear.

Segurança energética e infraestrutura digital

Para o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, o acordo representa um passo decisivo para atender às necessidades globais em um momento de crescente demanda: o chamado “renascimento nuclear” ajudará a responder às exigências de setores estratégicos como a inteligência artificial e a gestão de dados, que consomem cada vez mais energia.

A visão compartilhada por Washington e Londres é de que a energia nuclear será peça-chave para assegurar fornecimento estável, confiável e sustentável, em um contexto de pressões climáticas e geopolíticas que afetam os mercados energéticos.

Um marco para a transição energética

No encerramento das negociações, Starmer reforçou a dimensão estratégica da parceria: “Juntamente com os EUA, estamos a construir uma era de ouro da energia nuclear que coloca os dois países na vanguarda da inovação e do investimento global”.

Ao mesmo tempo em que fortalece a segurança energética, o acordo transatlântico também busca projetar Reino Unido e Estados Unidos como protagonistas da transição energética mundial, combinando inovação tecnológica, desenvolvimento econômico e estabilidade de preços para consumidores e empresas.

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