Queda no mercado cativo pressiona resultado, enquanto mercado livre mantém trajetória de crescimento com alta de 11,4% no período
A Celesc Distribuição S.A., concessionária responsável pela distribuição de energia elétrica em Santa Catarina, registrou queda de 1,8% no consumo total de energia no segundo trimestre de 2025 (2T25) em comparação ao mesmo período do ano anterior. O volume total faturado passou de 7.602 GWh para 7.468 GWh, com destaque para a forte retração no mercado cativo, que caiu 12%.
A companhia encerrou o mês de junho com 3,52 milhões de unidades consumidoras, um avanço de 2,9% frente ao mesmo mês de 2024. O crescimento mais expressivo ficou por conta dos consumidores do mercado livre, cujo número saltou de 2.630 para 3.835 – uma alta de 45,8%.
Queda no consumo residencial e industrial no mercado cativo
O desempenho negativo foi puxado principalmente pela retração nas classes residencial, industrial e comercial do mercado cativo. O consumo residencial, que representa a maior fatia da base da distribuidora, caiu 10%, mesmo com um aumento de 3,6% no número de unidades consumidoras, que passaram de 2,7 milhões para 2,8 milhões.
No segmento industrial cativo, o recuo foi ainda mais acentuado: 16,7%, com queda no consumo de 487 GWh para 406 GWh. O comércio também apresentou retração, com redução de 10,5% no consumo e 4,2% de crescimento no número de unidades consumidoras.
A classe rural teve a maior retração proporcional no consumo, com queda de 13,8%, passando de 246 GWh para 212 GWh, além de uma redução de 7% na base de clientes.
Mercado livre cresce em todas as frentes
Enquanto o mercado cativo enfrenta desaceleração, o mercado livre de energia manteve a tendência de crescimento. O consumo total dos consumidores livres avançou 11,4% no segundo trimestre, chegando a 3.699 GWh, frente aos 3.320 GWh registrados no 2T24. O segmento industrial foi o maior responsável, com alta de 8,3%, seguido pelas classes comercial (+14,6%), rural (+25,3%), suprimento (+25%) e demais classes (+28,1%).
Em número de unidades consumidoras, o salto também foi expressivo: a base de consumidores livres aumentou em 1.205 novas conexões, passando de 2.630 para 3.835.
Consumo industrial avança no consolidado
Apesar da desaceleração no mercado cativo, o consumo industrial total (somando cativo e livre) cresceu 4,1% no trimestre, de 2.899 GWh para 3.018 GWh. O desempenho positivo foi sustentado principalmente pelo avanço do consumo no mercado livre, que representa cerca de 87% da energia consumida pela indústria na área de concessão da Celesc.
No setor comercial, a retração foi de 1,6% no consolidado, com queda tanto no cativo quanto no livre. Já o segmento de suprimento apresentou estabilidade, com leve alta de 0,3%, enquanto o consumo rural consolidado teve retração de 11,7%.
Destaques por classe e eficiência operacional
A classe de iluminação pública foi uma das poucas a registrar crescimento no consumo dentro do mercado cativo, com avanço de 4,4%. Também houve aumento marginal nas classes “demais” e “consumo próprio”.
O desempenho operacional da distribuidora no 2T25 reflete os efeitos do cenário macroeconômico, do comportamento climático e da migração de consumidores para o ambiente de contratação livre. O movimento de abertura do mercado vem sendo estimulado por regras regulatórias que permitem, desde janeiro de 2024, que empresas conectadas em média tensão optem pelo mercado livre.
Perspectivas para o segundo semestre
Com a tendência de migração crescente para o mercado livre e a previsão de um cenário hidrológico mais estável, a expectativa é de uma reacomodação nos padrões de consumo ao longo do segundo semestre.
Ainda assim, a companhia deverá manter o foco na eficiência operacional e no aprimoramento do atendimento, de forma a sustentar os resultados diante de um cenário desafiador para as distribuidoras.



