Governo Quer Tornar Edificações Mais Eficientes: Consulta Pública Define Novas Regras para Economia de Energia no Brasil

Setor da construção civil, responsável por quase metade do consumo de energia elétrica do país, poderá ser obrigado a adotar padrões mínimos de eficiência energética

O Ministério de Minas e Energia (MME) lançou, em 22 de maio de 2025, uma Consulta Pública que poderá transformar a maneira como o Brasil constrói seus edifícios. A proposta estabelece os Índices Mínimos de Eficiência Energética (MEPS) para novas edificações, sejam elas residenciais, comerciais ou públicas.

A iniciativa tem como base a Resolução CGIEE nº 3, de 13 de maio de 2025, e ficará aberta para contribuições até 5 de julho, por meio do Portal de Consultas Públicas do MME e do Participa + Brasil. O objetivo é ouvir sociedade civil, setor produtivo, profissionais da área e especialistas para construir um caminho sustentável e eficiente para o setor de edificações no país.

Construção civil: um dos maiores consumidores de energia no Brasil

De acordo com dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o setor de edificações — que engloba residências, comércios, prédios públicos e serviços — é responsável por quase 50% de toda a eletricidade consumida no Brasil. Isso significa que metade da energia elétrica utilizada no país está ligada diretamente ao funcionamento de edificações, seja no uso de iluminação, climatização, aquecimento ou equipamentos.

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Diante desse cenário, promover padrões mínimos de eficiência energética nas construções torna-se essencial não só para reduzir o consumo de energia, mas também para oferecer ambientes mais confortáveis, economicamente viáveis e alinhados às metas de sustentabilidade.

A proposta define novas diretrizes e medidas para regulamentação

A regulamentação apresentada pelo MME define que:

  • Edifícios públicos deverão alcançar, obrigatoriamente, o nível A da Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE), que classifica as edificações de A (mais eficiente) a E (menos eficiente).
  • Demais edificações — residenciais, comerciais e de serviços — deverão, no mínimo, atender ao nível C da ENCE, equivalente ao cumprimento das normas técnicas já existentes.

A implantação ocorrerá de forma gradual, em um cronograma que começa em 2027, com exigências para o setor público federal, e se estende até 2040, abrangendo também a Habitação de Interesse Social (HIS) e outros segmentos.

“Trata-se de uma medida que oferece previsibilidade ao mercado da construção civil, permitindo que os agentes econômicos se adaptem de forma planejada e eficiente às novas regras”, destaca um técnico do MME envolvido na formulação da proposta.

A adoção dos Índices Mínimos de Eficiência Energética (MEPS) traz uma série de benefícios:

  • Redução significativa na conta de luz para usuários residenciais, comerciais e do setor público;
  • Ambientes com melhor conforto térmico, reduzindo a necessidade de uso excessivo de ar-condicionado, aquecedores e ventiladores;
  • Contribuição direta para as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa, apoiando os compromissos climáticos do Brasil;
  • Estímulo à inovação na indústria da construção, com desenvolvimento de materiais, tecnologias e soluções mais sustentáveis;
  • Diminuição dos custos operacionais dos edifícios ao longo do tempo.

Além disso, essa medida coloca o Brasil em sintonia com as melhores práticas internacionais de eficiência energética, já adotadas em países como Estados Unidos, Japão, União Europeia, Chile, Argentina, Austrália, Rússia, China e África do Sul.

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Processo participativo e transparência

A construção da proposta não aconteceu de forma isolada. Desde 2023, o Ministério de Minas e Energia promoveu uma série de encontros técnicos, oficinas e discussões abertas com diversos atores da sociedade. Esse processo foi conduzido pelo Grupo Técnico para Eficientização de Energia em Edificações (GT Edificações), que assessora o Comitê Gestor de Indicadores e Níveis de Eficiência Energética (CGIEE) desde 2001.

Foram realizados quatro workshops públicos, que contaram com ampla participação de profissionais, pesquisadores e entidades do setor, além de cinco reuniões técnicas com representantes do setor produtivo da construção civil. A proposta atual também foi fundamentada por uma Análise de Impacto Regulatório (AIR) robusta. Além disso, está programada uma audiência pública virtual para o dia 23 de junho de 2025, na qual serão detalhados os impactos e os próximos passos do processo.

Como participar?

Qualquer cidadão, empresa, entidade ou profissional pode contribuir com sugestões, críticas e propostas de aperfeiçoamento até o dia 5 de julho de 2025, por meio do Portal de Consultas Públicas do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Plataforma Participa + Brasil.

O MME também disponibilizou uma cartilha explicativa, com perguntas e respostas sobre o funcionamento dos Índices Mínimos de Eficiência Energética (MEPS) nas edificações.

Rumo a um setor mais eficiente e sustentável

A transição para edificações mais eficientes é uma oportunidade não apenas para reduzir custos e melhorar o conforto dos ambientes, mas também para modernizar o setor da construção civil brasileira, fomentar a inovação e contribuir diretamente para a sustentabilidade energética e ambiental do país.

Com essa consulta pública, o governo reforça seu compromisso com a construção de uma matriz energética mais limpa, resiliente e eficiente, ao mesmo tempo em que convida toda a sociedade a fazer parte desse processo transformador.

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