Parceria estratégica visa reduzir emissões de CO₂ e fortalecer a transição energética no Brasil
A Petrobras e a Braskem deram um passo estratégico na busca por soluções sustentáveis para a indústria brasileira. As empresas assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para aprofundar estudos sobre projetos de captura e armazenamento de carbono (CCS – Carbon Capture and Storage) na Bahia. O acordo tem como objetivo avaliar potenciais modelos de negócios e viabilizar a implementação de um hub de descarbonização, que poderá reunir diversas indústrias na redução das emissões de dióxido de carbono (CO₂).
O evento de assinatura do MoU ocorreu no Edifício Torre Pituba, sede da Petrobras na Bahia, e reforça o compromisso de ambas as companhias com a transição energética e a mitigação das mudanças climáticas. O desenvolvimento do hub de CCS pode transformar a região em um polo de referência na captura e armazenamento de CO₂, beneficiando setores como petroquímico, refinarias, siderurgia e geração termoelétrica.
Como funciona o CCS e por que ele é essencial para a descarbonização?
A captura e armazenamento de carbono é uma das principais tecnologias utilizadas globalmente para reduzir as emissões de CO₂ da indústria. O processo envolve três etapas principais:
- Captura do CO₂ nas instalações industriais antes que ele seja liberado na atmosfera.
- Transporte do gás capturado por meio de gasodutos até locais de armazenamento.
- Armazenamento geológico do CO₂, em reservatórios subterrâneos seguros e monitorados.
Na Bahia, a Petrobras já iniciou o mapeamento de reservatórios geológicos na base de Taquipe, a cerca de 80 km de Salvador, para viabilizar essa estrutura. A ideia é utilizar a expertise da empresa para criar uma rede interligada de captura e transporte de CO₂, permitindo que diferentes indústrias compartilhem a infraestrutura e reduzam seus impactos ambientais de maneira eficiente e economicamente viável.
A importância do projeto para a Petrobras e a Braskem
O setor petroquímico é um dos que mais podem se beneficiar com o avanço do CCS. Segundo Jair Toledo, Gerente Geral de Concepção e Implantação de Projetos de Energias Renováveis da Petrobras, a criação de um hub de captura e armazenamento pode representar uma solução viável para grandes emissores de CO₂ no país.
“O segmento petroquímico é uma das áreas em que a Petrobras pode agregar muito valor, em possíveis parcerias de negócios de baixo carbono. Além do CCS, podemos explorar outras soluções, como energia renovável, hidrogênio e combustíveis sustentáveis”, destaca.
Já a Braskem, que há anos investe em iniciativas de descarbonização, vê o projeto como uma oportunidade para ampliar sua competitividade e contribuir para o desenvolvimento sustentável do setor. Gustavo Checcucci, Diretor de Energia e Descarbonização da companhia, reforça que as sinergias entre as empresas podem acelerar a transição energética no Brasil.
“Acreditamos que as sinergias entre Braskem e Petrobras tenham potencial decisivo para estabelecer uma transição energética mais célere e condizente com a realidade nacional. O CCS é uma tecnologia que merece ser estudada mais a fundo pelo seu poder de abatimento de emissões”, afirma Checcucci.
Atualmente, a Braskem já implementou mais de 1 milhão de toneladas de CO₂ em iniciativas de redução de emissões, o que representa cerca de 10% do seu inventário de carbono de escopo 1 e 2. No entanto, a companhia reconhece que os desafios da descarbonização são exponenciais, e, por isso, aposta em soluções complementares, como o CCS, para alcançar metas mais ambiciosas.
Bahia como protagonista da economia de baixo carbono
A Petrobras vê a Bahia como um local estratégico para o desenvolvimento de negócios sustentáveis. Além do potencial de CCS, o estado tem vocação para outros setores de baixo carbono, como energia renovável e produção de hidrogênio verde. Segundo Stenio Jayme, Gerente Executivo de Terras e Águas Rasas da Petrobras, a empresa quer usar sua expertise adquirida ao longo de décadas para transformar a Bahia em um polo de inovação sustentável.
“A Bahia é um local muito promissor para o CCS, bem como para outros negócios de baixo carbono. Nosso objetivo é viabilizar projetos que apoiem o Brasil na sua trajetória de transição energética justa, sempre considerando o desenvolvimento econômico, social e ambiental”, destaca.
Com esse novo acordo, a Petrobras e a Braskem reafirmam seu compromisso com a descarbonização do setor industrial, colocando a Bahia no centro de uma estratégia inovadora para mitigar as emissões e fortalecer a competitividade do país na economia de baixo carbono.
O avanço desse projeto poderá consolidar o Brasil como um referência global em captura e armazenamento de carbono, garantindo um futuro mais sustentável para as próximas gerações.