Fusões e aquisições no setor de energia elétrica atingem maior volume em 20 anos, aponta KPMG

Com 72 operações em 2024, o setor se destaca pela busca de digitalização, descarbonização e expansão estratégica

O setor de energia elétrica no Brasil registrou um recorde histórico em 2024 com 72 operações de fusões e aquisições (F&A), representando um aumento de mais de 40% em relação às 51 transações de 2023, segundo levantamento da KPMG. Esse é o maior volume registrado em duas décadas, evidenciando a evolução dos modelos de negócio diante da agenda de transição energética e das mudanças no mercado global.

Cenário de expansão e inovação

De acordo com Franceli Jodas, sócia da KPMG, a crescente digitalização e o compromisso com a descarbonização estão moldando os novos modelos de negócio no setor. “A agenda de transição energética na pauta das empresas do setor de energia tem provocado uma evolução nos modelos de negócio, cada vez mais digitalizados, descarbonizados e com novas soluções e ofertas de serviço”, explica.

O avanço expressivo em fusões e aquisições reflete o esforço de adaptação das companhias ao contexto de transição energética e à necessidade de diversificação de portfólios, especialmente em soluções renováveis e sustentáveis.

- Advertisement -

Fusões e aquisições: Histórico do setor de energia elétrica (2004-2024)

O levantamento da KPMG destacou o crescimento progressivo de operações ao longo das últimas duas décadas. O setor manteve uma média de operações acima de 50 nos últimos anos, mas o volume de 2024 foi especialmente expressivo, superando anos anteriores:

  • 2024: 72 operações
  • 2023: 51 operações
  • 2022: 54 operações
  • 2021: 60 operações

Desde 2004, foram realizadas 856 fusões e aquisições no setor de energia elétrica, mostrando a maturidade do mercado e seu potencial para investimentos futuros.

Movimentações domésticas em destaque

O estudo também apontou que, em 2024, a maioria das operações foi realizada entre empresas de capital brasileiro (50 operações), reforçando o interesse de players locais em expandir suas atuações no mercado de energia renovável e em soluções inovadoras.

As operações do tipo CB1 – em que empresas de capital estrangeiro adquirem companhias brasileiras – somaram 12 transações, enquanto as CB3 (empresas brasileiras adquirindo empresas estrangeiras estabelecidas no Brasil) registraram 8 transações. Houve ainda 2 operações do tipo CB4 (capital estrangeiro adquirindo empresas estrangeiras no Brasil).

- Advertisement -
Tipo de operação20242023
Doméstica5039
CB11210
CB381
CB420

Perspectivas para o futuro

As expectativas para os próximos anos continuam otimistas. O mercado de energia elétrica no Brasil está repleto de ativos pertencentes a empresas de médio porte no setor renovável, o que pode atrair grandes grupos econômicos interessados em acelerar sua agenda de descarbonização.

Com o crescimento do mercado de energia renovável, os movimentos de fusões e aquisições tendem a se intensificar, especialmente em um contexto de maior oferta de capital e políticas públicas que favorecem a sustentabilidade e a eletrificação da matriz energética.

A crescente busca por tecnologias de armazenamento, soluções de mobilidade elétrica e digitalização de processos também deve impulsionar novas oportunidades para empresas interessadas em liderar a transição energética.

Destaques da Semana

Conflito entre EUA e Irã eleva riscos para o mercado global de energia, avalia FGV Energia

Escalada militar no Golfo Pérsico reacende temor de choque...

Mercado livre avança e já responde por 42% do consumo de energia no Brasil, aponta estudo da CCEE

Estudo sobre o mercado brasileiro de energia mostra crescimento...

Petrobras adota cautela e evita repasse imediato do Brent a US$ 90

Em teleconferência de resultados, cúpula da estatal reforça blindagem...

O MW como Ativo Imobiliário: A Nova Fronteira dos Data Centers no Brasil

Especialistas da Capacity analisam por que o custo da...

Petrobras define indicações para Conselhos de Administração e Fiscal de 2026

Governo propõe recondução de Magda Chambriard e Bruno Moretti...

Artigos

Últimas Notícias