Conselho reúne mais de 70 especialistas em Paris para discutir confiabilidade do sistema, adequação de recursos e custos da eletricidade; contribuições vão subsidiar relatório Eletricidade 2027.
A Agência Internacional de Energia (IEA) reuniu mais de 70 especialistas em Paris para discutir medidas destinadas a reforçar a segurança dos sistemas elétricos diante do crescimento da demanda, das necessidades de investimento e das pressões sobre os custos de fornecimento. O encontro do Conselho Consultivo de Segurança Elétrica (ESAB, na sigla em inglês) concentrou-se em quatro temas: infraestrutura de redes, armazenamento de energia, adequação de recursos e acessibilidade da eletricidade.
Participaram representantes da indústria, concessionárias, governos, órgãos reguladores, universidades e centros de pesquisa. As discussões abordaram riscos à estabilidade dos sistemas, disponibilidade de recursos para atender ao consumo e ameaças físicas às redes elétricas. As contribuições vão subsidiar o relatório Eletricidade 2027, além de análises da agência sobre infraestrutura e segurança energética.
Planejamento das redes e conexão de novos usuários
Os especialistas avaliaram como ampliar o aproveitamento da infraestrutura elétrica existente e preparar as redes para mudanças na oferta e na demanda. Entre os pontos discutidos estão o cálculo da capacidade disponível, o aprimoramento da visibilidade operacional para os operadores e a adoção de conexões flexíveis.
O planejamento antecipado também esteve em pauta, diante das incertezas sobre a evolução do consumo e da expansão da geração. O objetivo é conciliar o uso eficiente dos ativos existentes com os investimentos necessários para manter a confiabilidade do fornecimento.
Armazenamento e flexibilidade operacional
O papel do armazenamento foi discutido desde o planejamento do sistema até o equilíbrio entre oferta e demanda em tempo real. Os participantes avaliaram modelos tecnológicos e comerciais capazes de viabilizar investimentos e ampliar a contribuição desses recursos à operação das redes.
A discussão incluiu a combinação de diferentes fontes de receita e os sinais de mercado necessários para remunerar os serviços prestados. A flexibilidade oferecida pelo armazenamento pode ajudar o sistema a responder às variações de geração e consumo, complementando os recursos disponíveis para atender à demanda.
Adequação de recursos e controle de custos
Outro eixo foi a necessidade de assegurar investimentos oportunos nos recursos necessários à confiabilidade do sistema, sem ampliar excessivamente os custos suportados pelos consumidores.
O conselho examinou mecanismos de adequação de recursos, padrões de confiabilidade e instrumentos para mitigar riscos de mercado. As discussões também distinguiram a necessidade de capacidade suficiente para atender à demanda daquela de flexibilidade para responder às variações operacionais.
Acessibilidade da eletricidade
A distribuição dos custos de expansão e modernização da infraestrutura foi outro tema do encontro. Entre as questões avaliadas estão a proteção de famílias vulneráveis, a transparência das tarifas de varejo e os mecanismos de recuperação dos investimentos.
O desafio é compatibilizar a segurança do fornecimento com tarifas acessíveis, preservando condições para financiar melhorias no sistema elétrico e distribuindo os custos de maneira equilibrada.
Contribuições vão subsidiar relatório da IEA
O ESAB complementa a Força-Tarefa de Segurança Elétrica da IEA, criada em 2024, e amplia a participação de diferentes setores na formulação de análises sobre a confiabilidade do fornecimento.
As contribuições da reunião serão utilizadas no relatório Eletricidade 2027, no trabalho do Painel Consultivo Ministerial da IEA sobre Acessibilidade à Eletricidade e em análises adicionais sobre redes e segurança elétrica.



