Software alocado em repositório público inaugura governança colaborativa para formação de preços e planejamento operativo; validação prevê ciclo sombra de 24 meses e pode ser postergada para 2029 em caso de ajustes.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) deram um passo decisivo na modernização da arquitetura computacional do setor elétrico brasileiro. As três entidades registraram a titularidade conjunta e disponibilizaram, em repositório aberto no GitHub, o código-fonte do Novo Modelo voltado ao planejamento, programação da operação e formação de preços de energia. A iniciativa busca ampliar a transparência e abrir espaço para a cocriação com agentes de mercado, consultorias e academia.
A ferramenta foi desenhada para substituir gradualmente os modelos tradicionais DECOMP e NEWAVE a partir de janeiro de 2028, condicionado ao sucesso do processo de validação técnica. Caso os testes e a calibração demandem prazos adicionais ao longo de 2027, o cronograma tentativo prevê a postergação do rito de aprovação e a consequente entrada em operação oficial para janeiro de 2029.
Governança tripartite e integração dos requisitos da Consulta Externa nº 5/2026
A construção do software consolida uma governança tripartite estruturada para responder à crescente complexidade da matriz elétrica nacional. O desenvolvimento técnico toma como referência os requisitos definidos na Consulta Externa nº 5/2026 do Comitê Técnico PMO/PLD, que estabeleceu diretrizes funcionais e tecnológicas centradas em rastreabilidade metodológica, controle de qualidade, segurança cibernética e versionamento das rotinas de cálculo.
Alinhado a esse rigor de governança, o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, enfatizou o compromisso com a condução transparente do processo junto aos agentes, ressaltando que a evolução dos modelos computacionais é indispensável para acompanhar as# Matéria Jornalística (Formato Hardnews)
ONS, CCEE e EPE abrem código de novo modelo computacional para substituir NEWAVE e DECOMP em 2028
Desenvolvido em governança tripartite, software em código aberto entra em fase de validação técnica com os agentes; migração oficial prevê dois anos de execução paralela em “período sombra”.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) deram um passo definitivo na modernização da inteligência computacional do setor elétrico brasileiro. As três entidades registraram a titularidade conjunta e disponibilizaram, em repositório público no GitHub, o código-fonte do Novo Modelo focado na programação da operação e na formação de preço de liquidação das diferenças (PLD). A medida inaugura uma arquitetura de inovação aberta e auditável para a precificação de energia no país.
A ferramenta passa por uma fase de testes de estresse e validação colaborativa junto ao mercado ao longo do ciclo 2026/2027. O cronograma do projeto projeta a adoção oficial do software para janeiro de 2028, ocasião em que substituirá de forma definitiva os modelos vigentes NEWAVE e DECOMP. Caso o processo de calibração exija prazos adicionais, a governança prevê a postergação da entrada em operação comercial para janeiro de 2029.
Consulta externa baliza primeira versão e projeta transição por releases
A concepção da versão inicial da plataforma tomou como diretriz os requisitos estabelecidos na Consulta Externa nº 5/2026 do Comitê Técnico PMO/PLD. O código atual entrega funcionalidades equivalentes aos softwares em uso, abrangendo a modelagem das incertezas hidrológicas, a variabilidade das fontes eólica e fotovoltaica, as restrições da rede de transmissão e a física dos reservatórios.
A evolução funcional ocorrerá em entregas graduais (releases). Módulos mais avançados, como a representação detalhada de sistemas de armazenamento em baterias, modulação fina da demanda e oferta de serviços ancilares, serão incorporados em etapas posteriores. A expansão do software para abarcar o Planejamento da Expansão será objeto de uma consulta pública específica.
Lideranças setoriais destacam transparência, rigor e aderência normativa
A condução do processo pelas três instituições busca assegurar estabilidade regulatória e mitigar riscos de volatilidade indevida nos preços durante a migração.
O diretor-geral do ONS, Marcio Rea, enfatizou que a condução do projeto ocorre sob total transparência e engajamento dos agentes, ressaltando que a modernização da modelagem computacional é indispensável para acompanhar a transformação do setor, devendo ser erguida com rigor técnico e validações abrangentes para garantir robustez e segurança operacional.
Sob a perspectiva da comercialização, o diretor-presidente interino da CCEE, Ricardo Simabuku, pontuou que a iniciativa sintetiza conhecimento técnico e inovação aberta, destacando que a abertura do código e a titularidade compartilhada estruturam um ambiente no qual o mercado atua diretamente na evolução da ferramenta, mantendo a previsibilidade e a segurança na formação de preços como pilares inegociáveis.
Analisando o enquadramento regulatório, o diretor de Estudos de Energia Elétrica da EPE, Reinaldo da Cruz Garcia, frisou que a reformulação atende às diretrizes do artigo 5º da Resolução CNPE nº 1/2024. O executivo apontou que o processo de testes traz múltiplos olhares para chancelar a transição, ressaltando que a EPE atua na modernização de suas bases para entregar soluções complementares capazes de retratar um sistema elétrico dinâmico e em rápida mutação.
Período sombra de 24 meses antecede substituição definitiva dos modelos
Antes de assumir o papel de precificador oficial do SIN, a nova ferramenta passará por etapas rigorosas de calibração dos parâmetros de aversão ao risco, submetendo-se às instâncias da Resolução CNPE nº 01/2024. A governança estabeleceu um “período sombra” de 24 meses entre 2026 e 2027, no qual o modelo rodará em paralelo aos sistemas legados.
A execução simultânea permitirá aferir a reprodutibilidade dos resultados, o desempenho computacional frente a cenários críticos e a convergência das saídas operacionais. Somente após a validação completa e a aprovação regulatória, o ONS e a CCEE descontinuarão formalmente o uso do NEWAVE e do DECOMP.



