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El Niño pode custar R$ 35 bilhões ao setor elétrico, aponta TI Safe

El Niño pode custar R$ 35 bilhões ao setor elétrico, aponta TI Safe

Relatório aponta que distribuidoras e transmissoras lideram ranking de vulnerabilidade financeira diante de secas, tempestades e calor severo.

As mudanças climáticas deixaram de representar apenas um desafio operacional para se consolidarem como um dos principais fatores de risco econômico para o setor elétrico brasileiro. O relatório estima que um episódio de El Niño de intensidade moderada a forte pode gerar perdas de até R$ 35 bilhões para os 25 maiores grupos de energia do país. O prejuízo é resultado da combinação entre danos à infraestrutura, aumento de custos operacionais, necessidade de compra adicional de energia e antecipação de investimentos em modernização das redes.

O diagnóstico setorial afasta o fantasma de um “apagão nacional” generalizado, mas acende o alerta máximo para uma combinação onerosa de falhas locais e regionais, custos extraordinários de recomposição de rede, despacho térmico, compra adicional de energia e pesadas compensações regulatórias aos consumidores.

Distribuidoras no Centro do Alvo Financeiro

A geografia e o perfil de atuação das companhias têm mais peso na balança de perdas do que o porte econômico isolado. O topo do ranking de exposição financeira é dominado por grandes conglomerados que combinam redes capilares de distribuição de energia com forte presença nas regiões Sul e Norte/Nordeste do país.

A diversificação geográfica, embora atenue riscos sistêmicos, expõe esses grupos a uma “dupla penalização”: de um lado, sofrem com a seca e queimadas crônicas; de outro, enfrentam tempestades extremas e vendavais.

A lista das empresas mais impactadas é liderada por:

  • Axia Energia: Prejuízo estimado em R$ 3,90 bilhões.
  • Neoenergia: Prejuízo estimado em R$ 3,20 bilhões.
  • Equatorial Energia: Prejuízo estimado em R$ 3,00 bilhões.
  • CPFL Energia: Prejuízo estimado em R$ 2,70 bilhões.
  • Energisa: Prejuízo estimado em R$ 2,40 bilhões.

Nas distribuidoras, a principal vulnerabilidade decorre da natureza regulada do negócio. O estresse térmico provocado por ondas de calor eleva a carga por refrigeração, pressionando transformadores e subestações. Paralelamente, tempestades severas causam quedas de árvores e danos físicos à rede, disparando as despesas com operação e manutenção (O&M) emergencial e as compensações automáticas aos clientes por interrupção do fornecimento (indicadores DEC e FEC da ANEEL).

Transmissão e Geração Térmica Isoladas do Risco de Mercado Livre

No segmento de transmissão pura, como nas operações de ISA Energia Brasil (prejuízo estimado em R$ 1,10 bilhão) e TAESA (R$ 980 milhões), o risco climático está concentrado na indisponibilidade de linhas de transmissão e subestações por conta de descargas atmosféricas e vendavais, o que acarreta corte na Parcela Variável (PV) recebida pelas concessionárias.

Já para geradores estritamente renováveis ou de base térmica integrada, como a Eneva (prejuízo estimado em R$ 1,35 bilhão), o El Niño altera a dinâmica comercial. No caso da Eneva, embora a escassez hídrica eleve o despacho termelétrico e represente oportunidade de faturamento, as restrições logísticas e o estresse térmico em regiões remotas de produção de gás natural impõem custos adicionais significativos que drenam parte da margem operacional.

Metodologia e Antecipação de CAPEX Defensivo

As projeções foram desenvolvidas por meio de uma metodologia multicritério que integrou dados públicos e cruzou o Índice de Exposição Climática (IEC), o Índice de Sensibilidade Operacional (ISO) e o Índice de Intensidade Financeira (IIF) de cada grupo econômico. Foram avaliados cinco vetores de impacto: perda de margem operacional, custos emergenciais de O&M, compra adicional de energia (hedge), impactos regulatórios e a aceleração de investimentos em resiliência (CAPEX defensivo).

Para mitigar essas perdas, as grandes companhias de utilities do país devem antecipar desembolsos bilionários em automação, telecomando, monitoramento meteorológico em tempo real, sensores inteligentes e blindagem de ativos urbanos e rurais.