Aço com tecnologia de autocicatrização sustenta miniusinas solares na Amazônia

Com revestimento de zinco, alumínio e magnésio, liga Magnelis® da ArcelorMittal reduz peso estrutural em 11% e otimiza logística fluvial no Acre e Mato Grosso

O avanço da universalização do acesso à energia elétrica em regiões isoladas do Sistema Interligado Nacional (SIN) tem demandado soluções que unem a engenharia de materiais à infraestrutura de geração distribuída. Em uma iniciativa vinculada ao programa Luz para Todos nas concessões da Energisa nos estados do Acre e Mato Grosso, o aço de alta performance Magnelis® consolidou-se como o elemento estrutural central para a fixação de Sistemas Individuais de Geração de Energia Solar Fotovoltaica com Intermitência Mitigada (SIGFI).

Produzido pela ArcelorMittal na Unidade Vega, em São Francisco do Sul (SC), o material é processado pela 3e Soluções para a montagem de miniusinas isoladas operadas por baterias (off-grid). O arranjo tecnológico atende a comunidades ribeirinhas, quilombolas e aldeias indígenas em territórios de alta vulnerabilidade logística e severidade climática, como o Xingu e as terras Xavante.

Metalurgia avançada contra o estresse climático da floresta

O principal desafio técnico para a implantação de ativos fotovoltaicos na Região Norte e no Centro-Oeste amazônico reside no alto índice de umidade relativa do ar e nas taxas de precipitação, que aceleram os processos de oxidação e corrosão galvânica de ligas metálicas convencionais. O aço selecionado supera essa barreira por meio de uma composição de revestimento patenteada baseada na tríade Zinc-Aluminium-Magnesium (ZAM).

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Essa matriz química confere ao produto uma propriedade denominada autocicatrização (self-healing). Quando a chapa sofre cortes ou furações mecânicas durante a montagem em campo, a migração de íons de magnésio forma uma película protetora densa sobre as bordas expostas, bloqueando o avanço da ferrugem. A tecnologia elimina a necessidade de manutenções corretivas frequentes em regiões cujo acesso envolve uma cadeia intermodal complexa de rodovias, barcaças e embarcações de pequeno porte (“voadeiras”).

Ao analisar os parâmetros laboratoriais e o desempenho de durabilidade que balizaram o desenvolvimento do insumo, o especialista em pesquisa e desenvolvimento (R&D) da ArcelorMittal, Sébastien Jean Cremel, contextualiza a diferenciação da tecnologia: “A ArcelorMittal trabalha com pesquisa e inovação em soluções de alta qualidade para diversos setores da indústria. O aço Magnelis® é um produto extremamente diferenciado e com as propriedades ideais para ambientes mais agressivos, como florestas e áreas litorâneas.”

Alívio de peso e ganhos na montagem e na fabricação

Sob a ótica do integrador e da manufatura industrial, a aplicação da liga pré-revestida extingue a necessidade de pós-galvanização por imersão a quente, etapa tradicionalmente lenta e centralizada que gerava gargalos na cadeia de suprimentos. Com o novo material, as etapas de corte, dobra e furação ocorrem diretamente na bobina original sem perda de garantia anticorrosiva.

Ao avaliar a eliminação dessas etapas intermediárias de fabricação e a aderência do composto ao plano de expansão de infraestrutura fotovoltaica isolada, o diretor comercial da 3e Soluções, Davi Ponte, valida a aplicação técnica do insumo: “As características de resistência do aço Magnelis foram fundamentais para sua escolha como base de sustentação das miniusinas. É exatamente o produto que precisávamos e pretendemos futuramente ampliar seu uso para outras regiões.”

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O projeto, iniciado no bimestre de maio e junho de 2025 com horizonte de execução de 24 meses, prevê a instalação física de 2,5 mil torres metálicas. Até o momento, o balanço operativo aponta para 1,5 mil unidades ativadas, consumindo um volume de 174 toneladas do metal de alta tecnologia.

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