Operação Santa Rita reforça papel estratégico do níquel na transição energética, com custos no primeiro quartil global e exportações em alta
A Atlantic Nickel reportou resultados robustos em 2025, mesmo em um ambiente desafiador de preços no mercado internacional de níquel. A companhia registrou receita de US$ 274,5 milhões e EBITDA de US$ 103,4 milhões, sustentada por uma operação eficiente e pela diversificação de receitas, com 25% do faturamento proveniente de subprodutos.
Os números reforçam a resiliência do ativo Santa Rita, localizado na Bahia, e consolidam a posição da empresa como um player relevante na cadeia global de suprimentos de minerais críticos, especialmente em um contexto de crescente demanda por níquel para baterias e eletrificação.
Produção consistente e custos competitivos sustentam desempenho
Ao longo de 2025, a Atlantic Nickel produziu 122 mil toneladas métricas secas (kdmt) de concentrado de níquel, com teor médio de 13,4% de níquel sulfetado (NiS), equivalente a 16,3 mil toneladas de níquel contido.
A operação manteve um desempenho operacional consistente, com processamento de 6,7 milhões de toneladas de minério e recuperação média de 84%, além de movimentação de 27,8 milhões de toneladas de material.
Um dos principais destaques foi o custo caixa C1 de US$ 3,48 por libra de níquel, 15% abaixo do orçamento anual. O indicador mantém a empresa no primeiro quartil da curva global de custos desde a retomada das operações em 2019, um diferencial competitivo relevante em ciclos de baixa de preços.
“A Atlantic Nickel demonstra como ativos com estruturas de custos resilientes e fundamentos operacionais sólidos podem entregar valor de longo prazo, mesmo durante períodos de volatilidade nos preços das commodities. Nossa confiança no papel da Atlantic Nickel na cadeia global de suprimentos do níquel é reforçada pela qualidade dos ativos, competitividade de custos e execução disciplinada que sustentam esses resultados”, destaca Milson Mundim, country manager da Appian Capital Advisory no Brasil.
Exportações crescem e reforçam inserção global
A Atlantic Nickel exportou 121 mil toneladas métricas secas de concentrado de níquel sulfetado em 2025, um aumento de 6% em relação ao ano anterior. A produção foi destinada a mercados estratégicos na América do Norte, Europa e Ásia, com embarques realizados a partir do Porto de Ilhéus, na Bahia.
Ao longo do ano, 12 navios foram utilizados para escoamento da produção. Desde o início das exportações, em 2020, mais de 632 mil toneladas já foram enviadas para países como Canadá, China e Finlândia, consolidando a inserção da operação brasileira nas cadeias globais de fornecimento de níquel.
Esse movimento ganha relevância diante do aumento da demanda por minerais críticos, especialmente em aplicações ligadas à transição energética, como baterias para veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia.
Expansão subterrânea pode estender vida útil para mais de 30 anos
Além do desempenho operacional, a Atlantic Nickel avança em um dos projetos mais estratégicos para o futuro da companhia: o desenvolvimento de um recurso subterrâneo de maior teor, que pode transformar o perfil produtivo da mina Santa Rita.
Atualmente, a vida útil da operação a céu aberto é estimada em cerca de oito anos. Com a expansão subterrânea, esse horizonte pode ultrapassar três décadas, ampliando significativamente o valor do ativo.
O Estudo de Pré-Viabilidade (PFS), concluído em 2024, indica uma produção potencial de aproximadamente 30 mil toneladas anuais de níquel equivalente, com baixa intensidade de capital e estrutura de custos competitiva.
A empresa já avança para a fase de Estudo de Viabilidade Definitivo, com os primeiros trabalhos de desenvolvimento subterrâneo em andamento, um passo crucial para viabilizar a próxima etapa de crescimento.
Níquel ganha protagonismo na transição energética
O desempenho da Atlantic Nickel ocorre em um contexto de transformação estrutural do mercado global de metais, em que o níquel assume papel central na transição energética.
Utilizado em baterias de alta densidade energética, o metal é considerado estratégico para a eletrificação da mobilidade e a expansão de sistemas de armazenamento. Esse cenário reforça a importância de ativos com produção sustentável, custos competitivos e inserção em cadeias globais confiáveis.
Compromisso ambiental reforça licença social para operar
A operação da mina Santa Rita também se destaca por iniciativas ambientais voltadas à preservação da Mata Atlântica. Desde 2018, a companhia já promoveu a revegetação de mais de 337 hectares, com o plantio de mais de 258 mil mudas nativas de 92 espécies.
As ações incluem ainda o monitoramento contínuo da biodiversidade local, abrangendo centenas de espécies de fauna e flora, além de iniciativas de gestão hídrica e economia circular.
A operação conta com circuito fechado que permite o reaproveitamento de cerca de 85% da água utilizada no processo produtivo, além de um sistema de tratamento de efluentes para mitigação de impactos ambientais.
No campo da gestão de resíduos, o Centro de Triagem de Materiais (CTR) mantém taxa média de reciclagem de 90%, com destinação de materiais para associações locais, contribuindo para a geração de renda e fortalecimento da economia regional.
Eficiência operacional e estratégia de longo prazo sustentam crescimento
Os resultados da Atlantic Nickel em 2025 evidenciam a combinação entre eficiência operacional, disciplina de custos e visão estratégica de longo prazo. Em um mercado cíclico e sujeito à volatilidade de preços, a capacidade de operar com custos competitivos e expandir reservas se torna determinante para a criação de valor.
Com a evolução do projeto subterrâneo e a crescente demanda global por níquel, a companhia se posiciona para capturar oportunidades relevantes na próxima década, consolidando o Brasil como um fornecedor estratégico de minerais críticos para a transição energética.



