Agência conclui ciclo de análises da Rodada Zero e utiliza incentivos fiscais para estender a vida útil de ativos maduros; média histórica de aprovações foi superada em 2025.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) consolidou, ao longo do último ano, uma ofensiva regulatória para garantir a continuidade operacional da indústria de óleo e gás em terra e mar. Em 2025, a autarquia aprovou 45 Planos de Desenvolvimento (PDs), resultando na prorrogação contratual de 34 campos que enfrentariam o encerramento de suas atividades.
A medida é o principal motor para um ciclo de investimentos estimado em R$ 136 bilhões nos próximos cinco anos, conforme os Programas Anuais de Trabalho e Orçamento (PATOs). O esforço da agência foca na revitalização de ativos, evitando o abandono prematuro de jazidas e garantindo a manutenção de royalties e empregos em regiões produtoras.
Superação da média histórica e eficiência regulatória
O volume de trabalho em 2025 foi excepcional. A ANP deliberou sobre 49 planos, superando amplamente a média histórica da última década, que era de 34,6 avaliações por ano. Esse dinamismo foi essencial para processar as extensões da Rodada Zero, contratos de concessão de 1997 que expiraram em agosto de 2025.
Das aprovações realizadas, destaca-se o uso estratégico de incentivos financeiros para viabilizar a produção incremental:
- 13 campos maduros: Receberam prorrogação e redução da alíquota de royalties (até o limite de 5%) sobre a produção excedente;
- 21 campos: Tiveram a extensão contratual confirmada para viabilizar novos ciclos de investimento;
- 2 projetos: Foram beneficiados exclusivamente com a redução de royalties para manter a viabilidade econômica.
A redução de alíquotas, baseada na Resolução ANP nº 749/2018, tem se mostrado o instrumento mais eficaz para atrair operadoras independentes e incentivar a Petrobras a manter investimentos em ativos que já ultrapassaram 25 anos de operação.
O impacto da Rodada Zero e o futuro da produção
A conclusão de 154 processos de prorrogação originários da Rodada Zero marca o fim de uma incerteza que pairava sobre o setor desde 1997. Ao avaliar cada campo individualmente, a ANP garantiu que apenas áreas com viabilidade técnica e planos de investimento sólidos continuassem operando.
Para o setor, o Plano de Desenvolvimento (PD) deixa de ser apenas uma exigência burocrática e passa a ser o documento que detalha a engenharia de recuperação avançada necessária para elevar o fator de recuperação do Brasil, que ainda é considerado baixo em comparação com outras províncias petrolíferas globais.
Com a manutenção desses ativos, o país fortalece sua segurança energética e sustenta cadeias logísticas e industriais regionais, garantindo que a transição energética ocorra sobre uma base econômica resiliente e produtiva.



