A forte adesão ao modelo de geração distribuída nos dois estados coloca o Brasil como referência mundial em energia solar
A geração distribuída (GD) segue em ritmo acelerado de crescimento no Brasil, impulsionada pela busca por energia limpa, economia na conta de luz e incentivos fiscais. Em 2024, o setor registrou uma expansão de 33,1%, com a adição de 8,8 GW à capacidade instalada do país. Para 2025, a Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD) projeta um crescimento entre 20% e 25%, consolidando a GD como um dos principais vetores da transição energética nacional.
Entre os estados que mais se destacam nesse cenário, Minas Gerais e São Paulo assumem a liderança. Minas, com 820 MW adicionados em 2024, continua sendo referência nacional devido a um ambiente regulatório favorável e à ampla adesão de consumidores. São Paulo, por sua vez, contribuiu com 1.533 MW para o avanço da GD e fortaleceu sua posição ao prorrogar a isenção do ICMS até 2026, além de viabilizar financiamentos para projetos de energia renovável.
A energia solar fotovoltaica é a grande protagonista desse crescimento. O Brasil, com mais de 35 GW de potência instalada em GD, vem consolidando sua posição como um dos principais mercados solares do mundo. Esse avanço tem sido sustentado por políticas como o Marco Legal da Geração Distribuída (Lei 14.300/2022), que estabeleceu regras claras para o setor e garantiu maior previsibilidade aos investidores.
Minas Gerais e São Paulo: estados-modelo para a geração distribuída
Minas Gerais tem se destacado como um dos estados com maior potência instalada em geração distribuída. Fatores como incidência solar favorável, isenção de ICMS para sistemas de até 5 MW e infraestrutura regulatória estável tornam o estado altamente atrativo para investimentos no setor.
Já São Paulo, maior mercado consumidor do país, aposta na combinação de incentivos fiscais e linhas de financiamento para estimular a adoção da GD. A prorrogação da isenção do ICMS até 2026 e o apoio da agência de fomento estadual Desenvolve SP permitiram que pequenas e médias empresas investissem mais facilmente em energia solar fotovoltaica. Esse conjunto de ações tem sido determinante para o avanço da geração distribuída no estado.
Mercado otimista e novos investimentos
Para Rodolfo de Souza Pinto, CEO da AXS Energia, companhia referência no setor, os incentivos oferecidos por Minas Gerais e São Paulo são fundamentais para tornar a energia limpa mais acessível.
“Os incentivos fiscais e as políticas públicas adotadas por São Paulo e Minas Gerais têm sido fundamentais para o crescimento da geração distribuída, especialmente no setor solar. É crucial, porém, que esses estados continuem a aprimorar a infraestrutura e diversificar suas políticas para garantir um desenvolvimento sustentável e equilibrado, além de manter a competitividade no longo prazo.”
A AXS Energia, presente em Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Goiás e Mato Grosso, possui atualmente 50 usinas conectadas com 120,5 MW de capacidade instalada, distribuídas em uma área equivalente a 25 estádios do Maracanã. A empresa tem investido fortemente na expansão da GD nesses estados, destacando-se pela inauguração da Usina Solar Paulo Valias, em Minas Gerais, e pela aplicação de mais de R$ 200 milhões na construção de novas usinas em São Paulo.
Uma das estratégias que mais têm impulsionado o crescimento da empresa é a disponibilização de acesso à energia solar por meio de cotas, um modelo que democratiza o acesso à GD e amplia a capacidade instalada no país.
“Com os investimentos que estamos fazendo em Minas Gerais, São Paulo e outros estados, buscamos ampliar o acesso à matriz solar. O mercado de geração distribuída tem um enorme potencial e nossa missão é aproveitá-lo para transformar a forma como a energia é consumida e distribuída no Brasil”, ressalta Souza.
O futuro da geração distribuída no Brasil
O crescimento da geração distribuída reflete uma mudança estrutural no setor energético brasileiro. O avanço das energias renováveis, somado à digitalização e descentralização da produção de eletricidade, permite que cada vez mais consumidores tenham autonomia energética e redução de custos.
A tendência para os próximos anos é de ampliação dos investimentos, com novos modelos de negócios surgindo para atender à crescente demanda por energia limpa e acessível. Minas Gerais e São Paulo, como pioneiros na geração distribuída, seguem no centro desse movimento, demonstrando que incentivos regulatórios e investimentos privados são fundamentais para acelerar a transição energética no país.