Estudo prevê que data centers de IA responderão por 5% da demanda elétrica da região até 2035
A revolução da inteligência artificial (IA) está transformando diversos setores da economia, mas também impõe um desafio crescente ao setor elétrico. Segundo um estudo da Organização Latino-Americana de Energia (OLADE), até 2035, os data centers voltados para aplicações de IA consumirão 5% de toda a eletricidade da América Latina e do Caribe, o equivalente a mais de 120 terawatts-hora (TWh) anuais. Esse consumo representa um impacto significativo na matriz energética da região, exigindo planejamento estratégico para garantir que o crescimento da tecnologia seja sustentável.
Atualmente, a América Latina e o Caribe contam com 455 centros de processamento de dados, cada um consumindo, em média, 50 gigawatts-hora (GWh) por ano. Considerando que existem aproximadamente 7.000 data centers em todo o mundo, com um consumo total de 350 TWh anuais, os números latino-americanos podem parecer modestos. No entanto, as projeções indicam um cenário de crescimento acelerado. Com uma taxa média de 15% ao ano, o número de data centers na região deverá crescer exponencialmente até 2030, aumentando proporcionalmente a demanda por eletricidade.
O estudo ressalta que essa nova demanda energética será impulsionada pelo avanço da inteligência artificial generativa e pelo aumento da complexidade dos algoritmos. Sistemas de IA exigem altíssimo poder computacional, tanto para o treinamento de modelos quanto para a execução de consultas. Além disso, a infraestrutura dos data centers requer sistemas robustos de resfriamento, que também consomem grandes volumes de energia para evitar o superaquecimento dos servidores.
A inteligência artificial pode competir com setores prioritários por energia
Para o secretário executivo da OLADE, Andrés Rebolledo, a digitalização acelerada dos sistemas produtivos da América Latina precisa estar alinhada com um planejamento energético sustentável. Segundo ele, a IA pode acabar competindo por eletricidade com setores prioritários, como o residencial, o industrial e o de transporte, tornando ainda mais essencial um olhar estratégico para a expansão da infraestrutura elétrica na região.
Os desafios são claros: sem uma matriz energética preparada para atender essa nova demanda, os países latino-americanos poderão enfrentar aumento nos custos da eletricidade, impactos na estabilidade do fornecimento e até dificuldades para garantir energia suficiente para setores essenciais da economia. Por isso, o estudo da OLADE enfatiza a necessidade de fortalecer as políticas de eficiência energética, incentivar a construção de data centers sustentáveis e investir fortemente em fontes renováveis de energia, como solar e eólica.
Caminhos para um crescimento sustentável da IA na América Latina
Com o avanço da inteligência artificial, governos e empresas precisarão encontrar soluções eficientes para equilibrar a inovação tecnológica e a sustentabilidade energética. Algumas das alternativas possíveis incluem:
- Expansão das energias renováveis: A América Latina tem grande potencial para geração de energia limpa, e a crescente eletrificação do setor de IA pode se tornar um catalisador para novos investimentos em usinas solares, eólicas e hidrelétricas.
- Eficiência energética nos data centers: Tecnologias como refrigeração líquida, uso de inteligência artificial para otimização de consumo e servidores energeticamente mais eficientes podem reduzir significativamente o impacto ambiental dessas infraestruturas.
- Incentivos à descentralização da computação: Soluções como computação em nuvem distribuída e processamento de dados mais próximo dos usuários finais podem ajudar a reduzir a necessidade de grandes concentrações de data centers.
- Regulamentação e políticas públicas: Os países da região precisam estabelecer normas claras para o consumo energético do setor de tecnologia, incentivando práticas sustentáveis e garantindo que a demanda crescente da IA não afete o fornecimento para setores essenciais.
O desafio de equilibrar inovação e sustentabilidade
A inteligência artificial está revolucionando indústrias, desde a saúde até a manufatura, e seu impacto econômico é inegável. No entanto, o crescimento descontrolado dessa tecnologia sem uma estratégia energética pode criar um efeito colateral preocupante. O aumento da eletricidade consumida pelos data centers de IA reforça a urgência de planejamento e da implementação de soluções sustentáveis para evitar gargalos energéticos no futuro.
Com as projeções apontando para um salto no consumo elétrico até 2035, o setor de energia da América Latina precisa se preparar desde já para essa nova realidade. O desafio não é apenas garantir que haja eletricidade suficiente, mas também que essa energia seja limpa, acessível e eficiente, garantindo que a inovação tecnológica não comprometa o equilíbrio energético da região.