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Crescimento recorde de energia renovável em 2024, Mas Desigualdades Regionais e Desafios para 2030 Continuam

O aumento de 585 GW de energia renovável em 2024 representa um marco importante, mas as disparidades regionais e a necessidade de expansão ainda são questões que demandam atenção

O mundo bateu um recorde histórico na expansão da energia renovável em 2024. De acordo com as Estatísticas de Capacidade Renovável 2025, divulgadas pela Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), foram adicionados 585 gigawatts (GW) de capacidade renovável, o que representa impressionantes 92,5% da expansão total da capacidade energética global.

Com esse crescimento, a capacidade renovável total instalada no mundo atingiu 4.448 GW, consolidando as fontes limpas como protagonistas da matriz energética global. No entanto, apesar desse avanço, o ritmo atual ainda não é suficiente para cumprir a meta de triplicar a capacidade de renováveis até 2030, estabelecida no Acordo de Paris. Para atingir esse objetivo, a expansão precisa crescer a um ritmo ainda maior, chegando a 16,6% ao ano até o final da década.

O desafio agora não está apenas na expansão das fontes renováveis, mas também na redução das desigualdades regionais e na superação de obstáculos econômicos e logísticos que ainda limitam essa transição em diversas partes do mundo.

Ásia lidera, mas desigualdade no crescimento preocupa

Os dados da IRENA revelam que a maior parte do crescimento aconteceu na Ásia, liderada pela China, que sozinha foi responsável por 64% de toda a nova capacidade renovável instalada no mundo em 2024. Outros países como Índia e Indonésia também apresentaram avanços, mas em menor escala.

Enquanto isso, regiões como América Central e Caribe adicionaram apenas 3,2% da capacidade global, revelando uma grande disparidade no acesso e na implementação de fontes renováveis.

Os países do G7 contribuíram com 14,3% da nova capacidade, enquanto as nações do G20 foram responsáveis por 90,3% do total adicionado em 2024. Esse dado demonstra que a maior parte da transição energética ainda está concentrada nas economias mais industrializadas e em mercados emergentes de grande porte, enquanto diversos países de baixa renda seguem com dificuldades para expandir suas matrizes energéticas limpas.

Para Francesco La Camera, Diretor-Geral da IRENA, o avanço das energias renováveis é inegável, mas a velocidade da transição precisa aumentar significativamente.

“O crescimento contínuo das energias renováveis que testemunhamos a cada ano é uma evidência de que essas fontes são economicamente viáveis e prontamente implantáveis. No entanto, ainda enfrentamos grandes desigualdades regionais e temos um prazo apertado para cumprir os compromissos de 2030.”

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, reforçou a importância desse avanço e cobrou maior compromisso global.

“A energia renovável está transformando a economia mundial, reduzindo custos, gerando empregos e melhorando a qualidade do ar. Mas essa mudança precisa ser mais rápida e justa, garantindo que todos os países possam se beneficiar plenamente da energia limpa e acessível.”

Solar e eólica dominam a expansão

Entre as fontes renováveis, a energia solar e a eólica foram responsáveis por 96,6% de toda a nova capacidade adicionada em 2024. A energia solar fotovoltaica cresceu impressionantes 32,2%, chegando a 1.865 GW de capacidade total instalada.

A energia eólica também teve um crescimento expressivo, atingindo 1.133 GW de capacidade total, embora a taxa de expansão tenha mostrado sinais de desaceleração.

Além dessas duas fontes dominantes, outras energias renováveis também registraram avanços:

  • Energia hidrelétrica (excluindo armazenamento bombeado) cresceu e atingiu 1.283 GW, impulsionada principalmente pela China e por países como Etiópia, Nepal e Vietnã.
  • Bioenergia teve um aumento de 4,6 GW, com destaque para investimentos na China e na França.
  • Energia geotérmica registrou um crescimento de 0,4 GW, com liderança da Nova Zelândia, Indonésia, Turquia e EUA.
  • Eletricidade off-grid, que atende comunidades isoladas, quase triplicou, atingindo 14,3 GW, com grande destaque para a expansão da energia solar em regiões remotas.

O que falta para acelerar a transição energética?

Apesar do avanço impressionante, os especialistas alertam que o mundo precisa de políticas públicas mais ambiciosas, investimentos massivos e maior colaboração internacional para que a meta de triplicar a capacidade renovável até 2030 seja alcançada.

A IRENA tem defendido que os governos aprimorem suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs 3.0), estabelecendo metas mais claras e realistas para a expansão da capacidade renovável.

O setor privado também terá um papel fundamental nessa transição. Reduzir gargalos na cadeia de suprimentos, melhorar a infraestrutura de transmissão e armazenamento de energia e garantir financiamentos acessíveis são desafios urgentes para que a eletricidade limpa se torne uma realidade global.

A corrida contra o tempo já começou. O recorde de 2024 mostra que a transição energética está avançando, mas o ritmo precisa acelerar. Resta saber se os governos e empresas estarão dispostos a agir rápido o suficiente para evitar os piores impactos das mudanças climáticas.

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