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Cemig dá passo estratégico e anuncia saída da Bolsa de Madrid

Deslistagem do mercado Latibex faz parte da estratégia de simplificação da empresa mineira

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), uma das maiores empresas do setor elétrico brasileiro, anunciou que seu Conselho de Administração aprovou a deslistagem das ações preferenciais da companhia do Latibex — o segmento da Bolsa de Madrid destinado a empresas latino-americanas. A decisão, que ainda aguarda análise da própria bolsa espanhola, faz parte de uma estratégia mais ampla de simplificação e reorganização dos mercados onde a empresa está presente.

Listada atualmente nas bolsas de valores de São Paulo (B3), Nova Iorque (NYSE) e Madrid (Latibex), a Cemig reforça com essa movimentação seu foco em otimizar sua estrutura de governança e eficiência operacional. A decisão foi comunicada oficialmente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), à B3 e ao mercado em geral, em conformidade com a Resolução CVM nº 44/2021.

Simplificação como estratégia de crescimento

A deslistagem de ações de mercados estrangeiros nem sempre é uma decisão fácil para grandes companhias de capital aberto. No entanto, a movimentação da Cemig se insere em um contexto mais amplo de busca por maior eficiência administrativa e redução de complexidades regulatórias.

Para investidores, a presença em múltiplas bolsas representa, em teoria, uma maior visibilidade internacional. Contudo, isso também envolve custos adicionais e maior carga de obrigações legais, o que pode, paradoxalmente, impactar o desempenho financeiro da empresa.

Ao optar por sair do Latibex, a Cemig dá sinais de que busca uma estrutura mais enxuta e voltada a seus mercados principais, concentrando esforços na B3 e na NYSE — locais onde mantém significativa liquidez e presença institucional consolidada.

Segundo analistas do setor, o movimento da Cemig pode ser interpretado como uma preparação para futuras estratégias de captação ou até mesmo uma reorganização interna para fortalecer seus investimentos em geração e distribuição de energia, com foco em modernização da infraestrutura e energias renováveis.

O impacto para os investidores

A deslistagem no Latibex não altera a negociação das ações da Cemig na B3 ou na Bolsa de Nova Iorque. Investidores internacionais que desejam manter posição na companhia ainda podem adquirir seus papéis por meio dos American Depositary Receipts (ADRs) negociados na NYSE, ou diretamente na bolsa brasileira.

Para os acionistas que possuem papéis pelo mercado espanhol, a empresa deve comunicar os próximos passos assim que a Bolsa de Madrid concluir a análise da solicitação. A expectativa é que o processo ocorra de forma transparente e organizada, sem prejuízos aos detentores de ações.

Além disso, a Cemig reforçou seu compromisso em manter o mercado informado sobre o andamento da deslistagem e eventuais desdobramentos.

Movimento acompanha tendência global

A decisão da Cemig acompanha uma tendência que vem se desenhando entre grandes companhias globais: a simplificação da estrutura de listagem em mercados internacionais menos relevantes para o fluxo de capital da empresa.

Empresas de diferentes setores, inclusive energia, têm revisado suas estratégias de presença internacional, priorizando mercados que oferecem maior liquidez e menor complexidade regulatória.

No caso da Cemig, que já possui forte presença em duas das maiores bolsas do mundo — B3 e NYSE —, a saída do Latibex parece ser um movimento calculado para reduzir custos administrativos e regulatórios, mantendo o foco em mercados que trazem mais retorno estratégico.

O futuro da Cemig

Enquanto se movimenta para simplificar sua estrutura de mercado, a Cemig segue com seus planos de expansão e modernização da infraestrutura elétrica em Minas Gerais e em outros estados brasileiros.

Com forte atuação em geração, transmissão e distribuição de energia, a companhia tem se destacado em projetos voltados para a diversificação da matriz energética, com investimentos crescentes em fontes renováveis, como solar e eólica.

A deslistagem do Latibex, portanto, não deve ser vista como um recuo no mercado internacional, mas sim como uma medida de reorganização estratégica para fortalecer sua competitividade e direcionar recursos para projetos com maior impacto no longo prazo.

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