Encontro define prioridades para os próximos cinco anos e busca fortalecer cooperação entre países em desenvolvimento
O Brasil iniciou oficialmente suas atividades à frente da presidência do BRICS em 2024, colocando a energia no centro das discussões do bloco. Durante os dias 24 e 25 de fevereiro, representantes do Ministério de Minas e Energia (MME) participaram de uma reunião virtual com delegados dos demais países membros para estabelecer as prioridades do setor energético para os próximos anos. O objetivo principal é aprofundar a cooperação entre as nações do Sul Global, impulsionando uma transição energética justa e sustentável.
A atualização do plano de trabalho da Plataforma de Cooperação em Pesquisa Energética do BRICS para os próximos cinco anos é uma das pautas mais estratégicas. A presidência brasileira também busca garantir que os países do bloco avancem juntos na adoção de novas fontes de energia, fortalecendo a segurança energética e reduzindo as desigualdades no acesso a serviços energéticos.
O Papel do Brasil na Liderança Energética do BRICS
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou que a transição energética precisa ser acessível e eficiente para todos. “Os países do BRICS não só têm um papel fundamental como fornecedores de soluções para a transição energética global, mas também devem contribuir para as discussões sobre segurança energética e combate à pobreza energética. Queremos que esse debate avance de forma inclusiva e realista, garantindo custos acessíveis para nossas populações”, afirmou.
A presidência brasileira, em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), coordenará a elaboração de dois relatórios estratégicos para embasar as decisões do bloco: um sobre combustíveis novos e sustentáveis e outro sobre acesso a serviços energéticos. Esses documentos serão apresentados na reunião de ministros de energia do BRICS, que ocorrerá em maio.
Para Mariana Espécie, assessora especial do MME, o encontro consolidou um avanço nas discussões sobre uma transição energética justa. “Desde 2023, com a presidência da África do Sul, temos aprofundado esse debate. Agora, o Brasil quer contribuir com estudos técnicos que tornem essa transição ainda mais eficaz e inclusiva”, ressaltou.
Workshops e Debates Técnicos Impulsionam Discussões
Além das reuniões estratégicas, o Brasil quer dar um tom mais prático às discussões, promovendo workshops técnicos entre abril e maio. Esses eventos vão abordar temas essenciais para a transformação energética dos países do bloco, como:
- Acesso a financiamento para infraestrutura e pesquisa mineral
- Adaptação das redes elétricas às mudanças climáticas
- Desenvolvimento de sistemas energéticos mais resilientes
- Redução de emissões no setor de óleo e gás
O BRICS tem se consolidado como um dos principais foros de articulação entre nações emergentes. Desde janeiro de 2024, o bloco expandiu sua influência, passando de cinco para onze países membros com a adesão de Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Indonésia, Irã e Emirados Árabes Unidos, além de Rússia, Índia, China, Brasil e África do Sul.
A presidência brasileira reforça o compromisso do país em liderar as discussões sobre energia e buscar soluções conjuntas para desafios globais. A transição energética sustentável e acessível para todos será um dos grandes legados do Brasil à frente do bloco.