Levantamento liderado pelo CEBDS oferece insights valiosos para ajudar empresas a atender aos requisitos regulatórios e expectativas das partes interessadas
A transparência corporativa em sustentabilidade está ganhando cada vez mais relevância no Brasil, e a nova edição do Reporting Matters, estudo conduzido pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), evidencia essa evolução. O levantamento analisou 74 relatórios de sustentabilidade publicados em 2024 e revelou que as empresas estão se adaptando a novos padrões regulatórios e ampliando o engajamento com stakeholders.
Um dos destaques deste ano foi a melhora significativa na definição de metas e compromissos, com a pontuação nesse critério passando de 5,6 para 7,4. O envolvimento das partes interessadas também registrou avanço, subindo de 6,4 para 8,1. Esses números indicam que as companhias estão aprimorando suas estratégias de comunicação e prestação de contas sobre suas ações ambientais, sociais e de governança (ESG).
Entretanto, nem todos os indicadores seguiram essa trajetória de crescimento. O critério de impacto, aplicado às 20 empresas mais bem avaliadas, apresentou queda na média de 9 para 8,1. O principal motivo? A ausência ou abordagem frágil sobre biodiversidade, um tema que, apesar de crescente no cenário global, ainda não é amplamente explorado nos relatórios corporativos brasileiros.
Compromisso crescente, mas desafios persistem
A metodologia do estudo, desenvolvida pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), avaliou 16 critérios para medir a qualidade dos relatórios. Os avanços são evidentes: 15 dos 16 critérios registraram crescimento nas pontuações em comparação à edição anterior.
Esse progresso reflete o engajamento das empresas associadas ao CEBDS, com 98% delas participando do estudo. Além disso, há um aumento na adoção de práticas inovadoras, como o conceito de dupla materialidade — abordagem que analisa tanto os impactos financeiros das questões ESG sobre a empresa quanto os impactos que a empresa causa no meio ambiente e na sociedade.
Nesta edição do estudo, 54% dos relatórios analisados adotaram a dupla materialidade, um salto significativo em relação aos 40% do ano anterior. Essa evolução sugere que as empresas estão cada vez mais comprometidas em fornecer uma visão mais holística e transparente sobre seus impactos e estratégias de sustentabilidade.
O papel das empresas e do mercado na agenda ESG
A relação entre empresas e investidores tem sido um dos motores da evolução dos relatórios de sustentabilidade. Com a crescente demanda por informações claras e confiáveis sobre ESG, a transparência se torna um diferencial competitivo para as companhias que buscam atrair investimentos e consolidar sua reputação no mercado.
Rachel Alves, gerente de novos negócios da Report, reforça essa visão: “Enquanto parte do mercado questiona o futuro do ESG, o Reporting Matters deixa claro que a sustentabilidade continua sendo essencial para os negócios”.
Esse alinhamento com padrões internacionais é fundamental para empresas que desejam manter sua relevância em um cenário global. Afinal, cada vez mais investidores avaliam critérios ESG antes de tomar decisões sobre alocação de capital.
O que esperar para os próximos anos?
A tendência é que os relatórios de sustentabilidade se tornem mais padronizados e aprofundados, facilitando comparações entre empresas e permitindo que investidores e consumidores tomem decisões mais bem informadas.
O desafio agora é garantir que temas ainda negligenciados, como a biodiversidade, sejam incorporados de forma mais consistente nos relatórios. A evolução dos padrões regulatórios e a crescente pressão por transparência devem impulsionar esse movimento nos próximos anos.
Empresas que conseguirem equilibrar compromisso com a sustentabilidade, clareza nas metas e engajamento efetivo com stakeholders estarão melhor posicionadas para enfrentar os desafios do futuro e se destacar no cenário empresarial.