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Descarbonização do Setor Elétrico Global Demandará Até US$ 2,2 Trilhões por Ano, Aponta Pesquisa

Levantamento da Thymos Energia e Abraceel destaca desafios e soluções para zerar emissões e ampliar a infraestrutura elétrica até 2050

A transição para um setor elétrico global livre de emissões de carbono até 2050 demandará investimentos anuais de até US$ 2,2 trilhões, segundo estudo da consultoria Thymos Energia, em parceria com a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel). O levantamento, apresentado durante a CIGRE Paris Session 2024, um dos maiores eventos globais do setor elétrico, traz análises detalhadas sobre os caminhos para atingir a meta de emissões líquidas zero, abordando desde a modernização das redes de transmissão até a integração de novas tecnologias.

O estudo destaca que, para atender a um crescimento projetado de 150% na demanda por eletricidade nos próximos 27 anos, será necessário dobrar a extensão das redes elétricas globais e adotar soluções inovadoras, como sistemas de armazenamento e hidrogênio de baixo carbono. “O setor elétrico pode desempenhar um papel decisivo na mitigação das mudanças climáticas, e os investimentos serão cruciais para modernizar e adaptar os sistemas às novas tecnologias e formas de consumo”, afirma Jovanio Santos, diretor de Novos Negócios da Thymos Energia.

Mudanças climáticas e o papel do setor elétrico

A elevação das temperaturas médias globais já é uma preocupação urgente. Dados do World Energy Outlook 2023, da Agência Internacional de Energia (IEA), mostram que as emissões globais de CO2 do setor de energia precisam cair 45% até 2030 e atingir zero até 2045 para que as metas do Acordo de Paris sejam alcançadas.

A descarbonização da matriz elétrica, por meio de fontes renováveis, é um dos principais caminhos apontados pelo estudo. O desafio, no entanto, vai além da simples adoção dessas fontes: será necessário construir e substituir mais de 80 milhões de quilômetros de redes de transmissão e distribuição no mundo, além de aumentar a flexibilidade dos sistemas para atender às variações de consumo e à intermitência das fontes renováveis.

Tecnologias emergentes e a integração global

Entre as soluções tecnológicas destacadas no levantamento estão os sistemas de armazenamento de energia, hidrogênio de baixo carbono e a expansão do uso de veículos elétricos. Esses avanços não apenas possibilitam maior estabilidade no fornecimento de energia, mas também reduzem a dependência de combustíveis fósseis.

“É fundamental que os países desenvolvam estratégias que levem em conta as particularidades de suas economias e estabeleçam políticas públicas adequadas. Apenas com esforços conjuntos entre governos e iniciativa privada será possível integrar essas tecnologias e promover um ambiente de negócios saudável”, explica Santos.

A colaboração internacional também foi apontada como essencial para compartilhar experiências e soluções adaptadas às necessidades regionais, garantindo a viabilidade econômica e técnica da transição energética.

Abertura do mercado de energia como catalisador da descarbonização

O estudo também aborda a importância da liberalização do mercado de eletricidade para acelerar a transição energética. Países como Austrália e Noruega, com mercados totalmente liberalizados, já demonstram como a competição impulsiona a inovação e a adoção de fontes limpas. O Brasil, que está em processo de aprimoramento do mercado, pode seguir esse caminho para oferecer maior liberdade de escolha ao consumidor e estimular o uso de tecnologias sustentáveis.

“O consumidor está cada vez mais consciente sobre o impacto ambiental de seu consumo energético. Permitir que ele escolha seu fornecedor e soluções alinhadas às suas necessidades é essencial para promover a competitividade e, ao mesmo tempo, acelerar a transição para uma matriz mais limpa”, afirma Santos.

Perspectivas para o futuro

O White Paper elaborado pela Thymos Energia para a Missão Abraceel Paris 2024 sintetiza debates realizados com especialistas de mais de 100 países durante o evento, que reuniu mais de 9 mil participantes. Temas como mudanças climáticas, segurança energética e integração de fontes renováveis foram amplamente discutidos, reforçando a urgência de medidas coordenadas e investimentos robustos para transformar o setor elétrico em um pilar da sustentabilidade global.

A jornada para zerar as emissões no setor elétrico é desafiadora, mas, com os investimentos adequados e a integração de tecnologias emergentes, é possível não apenas mitigar os efeitos das mudanças climáticas, mas também sustentar o crescimento econômico global em um futuro mais verde e sustentável.

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