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Governo descarta volta do horário de verão em 2024 e estuda retorno para 2025

Ministério de Minas e Energia avalia melhora nas condições hídricas e projeta economia de até R$ 1,8 bilhão com possível retorno da medida no próximo ano

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou nesta quarta-feira (16) que o horário de verão não será retomado em 2024. A decisão, segundo ele, foi tomada após uma análise do cenário atual dos reservatórios e das chuvas no Brasil, que estão em processo de recuperação. O governo planeja reavaliar a medida ao longo dos próximos meses para um possível retorno em 2025, quando as condições hídricas e os estudos de impacto energético poderão estar mais favoráveis.

“Nós temos a segurança energética assegurada, e há o início de um processo de restabelecimento ainda muito modesto da nossa condição hídrica. Temos condições de chegar depois do verão em condição de avaliar, sim, a volta dessa política em 2025”, afirmou o ministro. A pasta também levou em consideração o tempo necessário para que setores estratégicos, como o de aviação, se adequem às mudanças provocadas pela alteração no horário.

Cenário energético: melhora nas chuvas e nos reservatórios

A decisão de não adotar o horário de verão em 2024 está diretamente ligada à melhora das condições climáticas e hídricas no Brasil. De acordo com o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), o país vem apresentando uma recuperação modesta nos níveis dos reservatórios, permitindo que a necessidade de medidas extraordinárias, como o adiantamento dos relógios, seja adiada.

O Comitê já havia recomendado em setembro que o governo considerasse a retomada do horário de verão para o final de 2024, o que poderia gerar uma economia de R$ 400 milhões ao evitar o acionamento de usinas termelétricas, de custo mais elevado. No entanto, a decisão foi revista após novos estudos indicarem que o cenário climático está mais favorável, permitindo que o governo mantenha as operações dentro dos parâmetros atuais de consumo.

Apesar disso, o ministro Silveira destacou que o retorno do horário de verão ainda está em discussão para 2025, quando as condições serão novamente avaliadas. “Temos condições de, depois do verão, avaliar a volta dessa política em 2025, considerando tanto o cenário hídrico quanto os benefícios econômicos que ela pode trazer”, afirmou.

Impactos econômicos do horário de verão

Historicamente, o horário de verão foi implementado no Brasil com o objetivo de otimizar o consumo de energia elétrica, aproveitando ao máximo a luz solar durante os meses mais quentes do ano. Isso reduzia a demanda nos horários de pico, entre o final da tarde e o início da noite, o que ajudava a aliviar o sistema elétrico nacional. No entanto, com as mudanças nos padrões de consumo de energia ao longo dos anos e o aumento da eficiência energética, a medida passou a ser questionada.

Desde sua suspensão em 2019, diversos estudos foram realizados para avaliar se o horário de verão ainda é uma política eficaz. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estima que, se o horário de verão fosse retomado em 2024, haveria uma economia de R$ 400 milhões. No entanto, se adotado a partir de 2025, essa economia poderia saltar para R$ 1,8 bilhão por ano, devido ao impacto positivo no equilíbrio entre oferta e demanda de energia elétrica, além da redução no uso de termelétricas.

“A economia gerada pelo horário de verão, especialmente em um cenário de transição energética, pode ser significativa para o setor elétrico e para a sociedade como um todo. Estamos trabalhando com uma visão de longo prazo para garantir a segurança energética do Brasil e minimizar os custos para o consumidor”, destacou o ministro.

Setores econômicos se beneficiam da decisão

Outro fator considerado na decisão de postergar a volta do horário de verão foi o impacto em setores estratégicos da economia, como o transporte aéreo. De acordo com Silveira, a implementação da medida neste ano criaria desafios operacionais em setores que precisam de um planejamento adequado para ajustar seus cronogramas.

O setor de aviação, por exemplo, requer um período de adaptação para realinhar as rotas e horários dos voos. Uma mudança abrupta no calendário poderia gerar dificuldades logísticas e custos adicionais para as companhias aéreas e para os consumidores.

Perspectivas para 2025 e a segurança energética

Com a decisão de postergar a volta do horário de verão, o governo se compromete a continuar monitorando as condições climáticas e a demanda por energia elétrica no Brasil. A reavaliação para 2025 será feita com base em novos estudos e na recuperação das condições hídricas.

O ministro Alexandre Silveira ressaltou que, além do aspecto econômico, o retorno do horário de verão está sendo considerado no contexto da transição energética, na qual o Brasil busca aumentar a utilização de fontes renováveis e reduzir as emissões de carbono. “Estamos analisando o melhor momento para retomar a medida, levando em consideração os desafios climáticos e as necessidades energéticas do país”, disse o ministro.

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